
O plantio da safra brasileira de algodão 2025/2026 entrou na reta final, ao mesmo tempo em que o país consolida o beneficiamento de uma colheita histórica no ciclo 2024/2025. O cenário combina avanço no campo, desempenho forte nas exportações e uma pressão crescente sobre os preços, influenciada por estoques elevados no Brasil e pela maior oferta no mercado internacional.
De acordo com levantamento setorial, até 12 de fevereiro de 2026, 97,4% da área projetada para a nova safra já havia sido semeada. Ainda restam áreas pontuais para implantação, principalmente em estados que tradicionalmente compõem o mapa produtivo do algodão no país.
As lavouras que ainda não foram implantadas concentram-se em quatro estados, com maior atenção para regiões específicas. Em Mato Grosso, principal polo produtor, o plantio do algodão de segunda safra seguiu em ritmo acima da média dos últimos cinco anos, dentro da janela considerada ideal, o que tende a favorecer o potencial produtivo, desde que as condições climáticas se mantenham adequadas ao longo do ciclo.
Apesar do bom andamento do plantio, a área cultivada deve recuar na safra 2025/2026. A estimativa é de uma redução de 5,5%, totalizando 2,05 milhões de hectares. O setor informa que as projeções seguem em atualização e devem ser revisadas no início de março, com nova leitura sobre área e produção esperadas.
Estado Área ainda a implantar (estimativa) Observação Bahia 4% Implantação em fase final Minas Gerais 10% Ainda há áreas pontuais a semear Piauí 8% Plantio se aproxima do encerramento Mato Grosso 2% Ritmo acima da média e dentro da janela ideal
Enquanto a semeadura avança para o fechamento, o beneficiamento da safra 2024/2025 entra na etapa final e confirma um resultado histórico. A produção estimada é de 4,25 milhões de toneladas, um crescimento de 14,8% em relação ao ciclo anterior.
O ganho reflete dois fatores principais: aumento do volume produzido e melhora da produtividade média. O rendimento chegou a 316,8 arrobas de algodão em caroço por hectare, reforçando a competitividade brasileira em um momento de disputa acirrada por mercados e de cautela com margens.
Produção recorde: 4,25 milhões de toneladas
Alta anual: 14,8%
Produtividade média: 316,8 arrobas por hectare
No comércio exterior, o algodão brasileiro mantém desempenho robusto, sustentando parte da demanda mesmo com a produção elevada. Entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, o país exportou 1,722 milhão de toneladas.
A China segue como principal destino, respondendo por 28% do total embarcado no período. Também houve crescimento importante nas compras de Índia e Turquia, indicando diversificação e reforço de posições em mercados estratégicos.
Para o ano comercial 2025/2026, a projeção é de exportações de 3,2 milhões de toneladas, volume 13% superior ao ciclo anterior. O desempenho externo ajuda a escoar parte da oferta, mas não tem sido suficiente para neutralizar completamente o impacto do aumento de produção sobre os estoques e os preços internos.

Resumo: Entre janeiro e abril deste ano, o Brasil importou 4% menos fertilizantes nitrogenados e fosfatados, caiu o volume de 7,7 milhões para 7,4 milhões de toneladas em relação ao mesmo período de 2025, mas os gastos aumentaram 16%, de US$ 3,7 bilhões para US$ 4,3 bilhões, conforme levantamento da CNA. O problema vai além do preço: há perda de poder de compra do produtor, com a ureia subindo cerca de 40% durante o choque do conflito no Oriente Médio. O MAP (fosfato monoamônio) ficou 20% mais caro; soja subiu 0,9% e milho 0,1%. A relação de troca — quantas sacas são necessárias para comprar uma tonelada de adubo — atingiu o pior nível desde 2022, período de grande choque de preços provocado pela guerra Rússia-Ucrânia. A CNA aponta que o produtor sente o impacto antes de plantar, exigindo mais sacas de soja ou milho para manter o mesmo pacote tecnológico.
Mesmo com o avanço das exportações, os estoques finais permanecem em patamar elevado. A expectativa é que, ao fim de julho de 2025, os estoques alcancem 835 mil toneladas, alta de 65% em relação à safra anterior.
Esse excesso relativo de oferta se traduz em pressão direta sobre as cotações domésticas. Desde novembro de 2025, o indicador de preços acompanhados no mercado vem sendo negociado próximo ao preço mínimo estabelecido pelo governo federal, de R$ 114,58 por arroba. Em Mato Grosso, os preços médios observados em janeiro de 2026 ficaram 5,7% abaixo desse patamar, sinalizando maior dificuldade de sustentação de preços nas regiões de maior produção.
Com estoques elevados e produção recorde, o mercado interno tende a operar com maior sensibilidade, exigindo estratégia de comercialização e gestão de risco por parte do produtor.
No cenário global, os sinais também apontam para maior oferta de algodão na safra 2025/2026. Projeções internacionais indicam que a produção deve crescer, enquanto o consumo mundial aparece ligeiramente abaixo do registrado na safra passada. Como resultado, os estoques globais tendem a aumentar em 1,8%.
Esse contexto reforça a pressão sobre os preços internacionais e exige atenção redobrada do setor produtivo brasileiro, especialmente em um período em que o país amplia sua presença no comércio global. A combinação entre oferta doméstica elevada e ambiente externo mais abastecido amplia a importância de decisões técnicas e comerciais, como escalonamento de vendas, qualidade do produto beneficiado e disciplina de custos.
Com o plantio praticamente concluído e o beneficiamento da safra anterior chegando ao fim, o mercado deve acompanhar de perto os próximos dados de atualização de área e produção, além do comportamento dos estoques e da demanda externa. Entre os fatores que podem influenciar os preços e o ritmo de negócios estão:
Revisão das estimativas de área e produção para 2025/2026
Condição climática nas regiões produtoras durante o desenvolvimento das lavouras
Ritmo de exportações e manutenção da demanda dos principais compradores
Nível de estoques no Brasil e no mundo
Pressão sobre cotações diante de maior oferta global
Em síntese: o algodão brasileiro entra em 2025/2026 com plantio avançado e produção anterior recorde, mas enfrenta um ambiente de preços mais pressionado, sustentado por estoques altos e por um mercado internacional mais abastecido. O resultado final dependerá da combinação entre produtividade, demanda externa e capacidade de escoamento ao longo do ano comercial.
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Resumo: Em 2025, Minas Gerais atingiu o valor recorde de US$ 19,9 bilhões em exportações do agronegócio, com crescimento de 15,8% frente a 2024, elevando a participação do setor nas exportações totais do estado para 43,4% (a maior já registrada). Apesar da redução de 4,3% no volume embarcado, para 16,3 milhões de toneladas, a alta de receita reflete preços médios mais elevados, valorização de produtos estratégicos e maior captura de valor. Os principais produtos responderam por 96,3% das exportações agro: café (57,1% da receita); complexo soja; complexo sucroalcooleiro; carnes e produtos florestais. Destinos: China (US$ 4,6 bilhões), Estados Unidos (US$ 1,9 bilhão), Alemanha (US$ 1,9 bilhão), Itália (US$ 1,1 bilhão) e Japão (US$ 1 bilhão), totalizando negócios com 178 países. O Panorama do Comércio Exterior do Agronegócio de Minas Gerais 2026, publicado pela Seapa-MG (em versão bilíngue, inglês e português), oferece uma base técnica para interpretar a inserção internacional do agronegócio e subsidiar decisões públicas e privadas em um ambiente comercial dinâmico. A publicação reforça que o agro continua sendo o principal motor exportador do estado, contribuindo para geração de divisas, renda e inserção internacional, conforme destaca Manoela Teixeira.