
Descoberta de forma espontânea no Vale do Itajaí, a banana Clarinha (SCS455) foi registrada no Ministério da Agricultura e abre caminho para uso comercial no estado.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) registrou uma nova variedade de banana identificada em Santa Catarina, reforçando o processo de validação de cultivares que podem agregar valor à produção nacional e ampliar alternativas para o setor. A novidade é a banana Clarinha (SCS455), encontrada de forma espontânea no município de Luiz Alves, no Vale do Itajaí — uma das regiões de destaque na bananicultura catarinense.
A cultivar SCS455 Clarinha foi incluída no Registro Nacional de Cultivares do Mapa, tornando-se apta para uso comercial. Com o registro, as mudas passam a poder ser adquiridas junto a empresas produtoras oficialmente registradas, o que fortalece a rastreabilidade e o controle de qualidade no fornecimento de material propagativo.
Ponto-chave: a Clarinha mantém produtividade semelhante à banana caturra, mas se diferencia por apresentar casca mais clara e brilhante, com menor tendência ao escurecimento após a colheita.
A Clarinha tem origem em uma mutação natural da banana caturra. Entre suas características mais relevantes está a casca mais clara e brilhante, associada a uma redução de aproximadamente 43% no teor de clorofila. Na prática, essa condição contribui para retardar o escurecimento da fruta após a colheita — um fator que pesa diretamente na decisão de compra, na conservação em prateleiras e na percepção de frescor pelo consumidor.
A identificação e a validação da nova variedade contaram com estudos conduzidos pela Epagri, com trabalhos iniciados em 2018. Os ensaios realizados indicaram que, além do aspecto visual, a cultivar preserva desempenho produtivo equivalente ao da variedade tradicional, o que pode facilitar a adoção pelo produtor sem comprometer a rentabilidade no campo.
Por que isso importa para o consumidor e para a cadeia produtiva?
Menos escurecimento pode reduzir perdas no varejo e melhorar a apresentação do produto.
Aparência mais atrativa tende a favorecer a comercialização e a aceitação.

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Padronização e registro aumentam segurança e transparência na oferta de mudas.
Um dos pontos destacados nos estudos é o potencial da Clarinha para contribuir com a comercialização especialmente durante o inverno. Nesse período, a tendência de escurecimento em prateleiras costuma ser mais acentuada, o que pode reduzir a atratividade do produto para o consumidor final. Ao manter o aspecto visual por mais tempo, a cultivar pode colaborar para melhor giro no ponto de venda e para a rentabilidade do produtor.
Com a nova inscrição no Mapa, Santa Catarina amplia o leque de opções para a cadeia produtiva e reforça seu posicionamento na bananicultura. O estado passa a contar com seis variedades identificadas, com destaque para polos de produção como Luiz Alves e Corupá, reconhecidos pela organização e pela qualidade da produção local.
O registro de cultivares é uma etapa essencial para assegurar que novas variedades estejam devidamente reconhecidas e aptas a circular no mercado com critérios técnicos definidos. No caso da SCS455 Clarinha, a formalização fortalece a segurança jurídica e a base para a expansão do uso comercial, além de estimular a diversificação na agricultura.
Item Informação Nome da cultivar SCS455 Clarinha Origem Mutação natural da banana caturra Local de identificação Luiz Alves (Vale do Itajaí, SC) Característica principal Casca mais clara e menor escurecimento pós-colheita Base técnica Ensaios e validação iniciados em 2018
Em Santa Catarina, a estrutura regional de acompanhamento do setor agrícola tem apoiado iniciativas voltadas à diversificação e à agregação de valor, com foco em fortalecer a competitividade e o desenvolvimento sustentável. O registro de novas cultivares é visto como parte desse esforço, ao reconhecer soluções surgidas no campo e transformá-las em oportunidades para o mercado.
Segundo avaliação do superintendente do Mapa em Santa Catarina, Ivanor Boing, o registro de novas cultivares evidencia a capacidade de inovação no estado e o papel do Ministério em garantir segurança, rastreabilidade e competitividade para a cadeia produtiva. A organização e a qualidade da produção catarinense também são apontadas como diferenciais no cenário nacional.
Para o consumidor, a chegada de uma variedade com melhor aparência por mais tempo pode significar maior disponibilidade de frutas com aspecto fresco, enquanto para o produtor a nova opção abre espaço para estratégias de mercado que valorizem a apresentação do produto e reduzam impactos de perdas pós-colheita.
Em resumo: a banana Clarinha é uma nova cultivar registrada em Santa Catarina com potencial para melhorar a competitividade da bananicultura ao combinar produtividade equivalente à variedade tradicional e menor escurecimento após a colheita — um diferencial relevante para produtores e varejo, especialmente no período de inverno.
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