Sorgo cresce e vira aposta forte no campo
PecuáriaA Granja·Publicado em 27 de abril de 2026 às 20h00·4 mins de leituraGrátis

Sorgo cresce e vira aposta forte no campo

Cultura avança como solução eficiente diante de custos elevados, riscos climáticos e busca por maior previsibilidade no campo

Sorgo cresce e vira aposta forte no campo

O sorgo está passando por uma transformação silenciosa, porém significativa, dentro das propriedades rurais brasileiras. Tradicionalmente visto como uma cultura secundária — acionada apenas em momentos de dificuldade —, o grão começa a assumir um papel estratégico no planejamento produtivo, especialmente na pecuária.

Esse movimento reflete uma mudança mais ampla na lógica de produção no campo. Com custos crescentes, maior instabilidade climática e margens cada vez mais pressionadas, o produtor rural tem adotado uma postura mais cautelosa, priorizando eficiência, previsibilidade e gestão de riscos.

Nesse novo cenário, o sorgo volta ao centro das decisões.

Segundo o diretor da Duagro, Eloir Daltoé, o avanço da cultura não é pontual, mas estrutural. “O produtor hoje busca equilíbrio entre produtividade, custo e risco — e o sorgo responde diretamente a essa equação”, afirma.

De cultura secundária a ferramenta de gestão

Durante muitos anos, o sorgo foi cultivado com menor investimento tecnológico, o que limitou seu desempenho e reforçou a percepção de cultura “reserva”. No entanto, com o avanço da genética e o aumento da exigência produtiva, esse cenário começa a mudar.

Para especialistas do setor, o principal desafio agora não está na lavoura, mas na mentalidade do produtor.

“O sorgo evoluiu, mas ainda é visto como sobra do sistema”, destaca Daltoé.

Mais do que uma simples substituição ao milho, o sorgo passa a ser incorporado como uma ferramenta de gestão dentro da propriedade, contribuindo para sistemas mais equilibrados e resilientes.

Integração ao sistema produtivo

A proposta atual não é escolher entre milho ou sorgo, mas integrar culturas de forma inteligente. Essa complementaridade permite reduzir riscos, otimizar recursos e melhorar a estabilidade da produção.

Além disso, o sorgo apresenta vantagens importantes: menor custo de implantação, maior tolerância a condições climáticas adversas e melhor adaptação a ambientes restritivos.

Esse conjunto de atributos tem ganhado relevância, especialmente diante dos desafios fitossanitários e climáticos que afetam outras culturas, como o milho.

Tecnologia e acompanhamento impulsionam adoção

Para ampliar o uso do sorgo, empresas como a Duagro têm investido em uma abordagem mais ampla, que vai além da comercialização de sementes.

A estratégia inclui protocolos completos de plantio, manejo, controle e definição do ponto ideal de colheita, além de parcerias com consultores, cooperativas e revendas.

O objetivo é reduzir a distância entre a tecnologia disponível e os resultados efetivos no campo — um dos principais gargalos da produção agrícola.

Outro ponto-chave é a construção de confiança por parte do produtor.

Áreas demonstrativas, validações regionais e acompanhamento técnico têm sido fundamentais para mostrar, na prática, o desempenho da cultura em diferentes realidades produtivas.

“O produtor precisa enxergar o resultado na sua própria condição. É isso que gera confiança”, reforça Daltoé.

Demanda crescente e novas oportunidades

Fora da porteira, o cenário também favorece o avanço do sorgo. A demanda pelo grão cresce na alimentação animal, especialmente nas cadeias de suínos, aves e bovinos.

No mercado internacional, a procura também se intensifica, com destaque para a China. Além disso, projetos voltados à produção de bioenergia, como o etanol de grãos, ampliam ainda mais o potencial da cultura.

Outro diferencial está na eficiência do uso de recursos. O sorgo exige menos água e apresenta maior resiliência em condições adversas, alinhando produtividade e sustentabilidade.

Mudança de lógica no campo

A consolidação do sorgo como cultura estratégica acompanha uma transformação mais profunda no agronegócio.

Produzir mais já não é suficiente. O foco agora está em produzir melhor — com eficiência, previsibilidade e menor exposição ao risco.

Nesse contexto, o sorgo deixa de ser plano B e passa a ocupar um espaço definitivo dentro das estratégias produtivas.

Um movimento que já está em curso e tende a ganhar ainda mais força nos próximos anos.

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