
Queda de 40,6% nas Vendas de Colheitadeiras de Grãos, Abimaq aponta Desafios no Setor de Máquinas Agrícolas durante a Agrishow
Resumo: Em março, as vendas de máquinas agrícolas apresentaram leve recuperação, mas o 1º trimestre acumula queda de 16,4% ante o mesmo período do ano anterior. A fraqueza ficou concentrada nas colheitadeiras de grãos, com recuo de 40,62% nas vendas a usuários finais (de 1.250 para 761). As negociações de tratores somaram 9.215 unidades entre janeiro e março, queda de 8,64% em relação ao 1º tri de 2024, sendo 3.840 tratores vendidos em março (3.695 no mesmo mês de 2024). Em março, 217 colheitadeiras foram vendidas, queda de 36,18% frente a 340 em março de 2024. Segundo a Abimaq, o mercado segue desafiador, com soja e milho respondendo por cerca de 60% da demanda e fatores como câmbio, juros altos e expansão de 15 milhões de hectares na produção pesando nos resultados. A projeção para o ano é de queda de cerca de 8% nas vendas de máquinas; a Agrishow é vista como termômetro, com público e promoções, incluindo uma linha de crédito de R$ 10 bilhões anunciada por Alckmin, recebida com ressalvas pela entidade.
Venda de máquinas agrícolas recua no 1º trimestre, com queda concentrada em colheitadeiras de grãos
Dados de março indicam leve melhora no segmento de tratores, segundo a Abimaq, mas o balanço do início do ano ainda aponta retração no mercado.
A comercialização de máquinas e implementos agrícolas registrou ligeira recuperação em março, porém o acumulado do primeiro trimestre mostra um recuo de 16,4% nas vendas em comparação com o mesmo período do ano anterior. O enfraquecimento dos negócios, de acordo com números do setor, está concentrado nas colheitadeiras de grãos, afetadas principalmente pelo cenário de preços das commodities, como soja e milho.
Os dados foram divulgados pela Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) durante a Agrishow, feira que tradicionalmente funciona como um termômetro para medir a disposição do mercado em investir em tecnologia e renovação de frota. Ainda que o ambiente seja descrito como desafiador, a associação aponta que os números de março podem sinalizar um início de estabilização em alguns segmentos.
Colheitadeiras puxam a queda
O segmento de colheitadeiras foi o que mais sentiu o impacto no trimestre. As vendas aos usuários finais recuaram 40,62%, com a passagem de 1.250 para 761 unidades. Apenas em março, foram comercializadas 217 colheitadeiras, resultado que representa queda de 36,18% frente às 340 unidades do mesmo mês do ano anterior.
Segundo a avaliação da entidade, a desaceleração está diretamente ligada ao desempenho do mercado de grãos. Como a demanda por colheitadeiras é altamente sensível ao ritmo de renda do produtor, a combinação entre preços menos favoráveis e maior cautela na tomada de crédito tende a postergar decisões de compra.
Tratores mostram leve melhora em março, mas trimestre segue em baixa
No caso dos tratores, o trimestre terminou com 9.215 unidades vendidas entre janeiro e março, ante 10.087 no mesmo período do ano anterior, uma retração de 8,64%. Apesar disso, março trouxe um sinal mais positivo: foram vendidos 3.840 tratores no mês, acima das 3.695 unidades registradas em março do ano passado.
Para a Abimaq, esse comportamento sugere que parte do mercado pode estar buscando alternativas para manter a eficiência operacional, mesmo com restrições de caixa. A compra de tratores, em alguns casos, pode ser priorizada por sua versatilidade no campo e por contribuir com ganhos de produtividade.
Por que o mercado esfriou
Pedro Estêvão, presidente da câmara de máquinas agrícolas da Abimaq, afirmou que o setor sentiu o cenário dos grãos, destacando que soja e milho respondem por parcela expressiva do mercado. Na avaliação dele, o desempenho recente também reflete um conjunto de fatores macroeconômicos e estruturais, como:
Crédito mais restrito em instituições financeiras;
Juros elevados, encarecendo o financiamento;
Câmbio em patamar considerado desfavorável para o setor;
Expansão de área agrícola acumulada nos últimos anos, com maior base produtiva e ajustes na rentabilidade.
O dirigente também mencionou que a expansão da produção agrícola, com a abertura de 15 milhões de hectares a mais em anos recentes, influencia o equilíbrio financeiro atual. Em períodos de margens mais apertadas, produtores e empresas tendem a recalibrar investimentos, adiando compras de maior valor.
Projeção para o ano e expectativas do setor
A previsão indicada pela Abimaq para o ano é de queda de 8% nas vendas de máquinas, com viés de baixa. Mesmo com iniciativas para estimular o consumo, o setor segue atento ao comportamento do crédito, ao custo do dinheiro e à evolução do mercado de commodities — fatores que, em conjunto, determinam o ritmo de renovação do parque de máquinas no campo.
No ambiente de feira, a entidade avalia que a participação do público está dentro do esperado. Em relação ao volume de negócios, no entanto, o desempenho costuma ser percebido ao longo dos dias e após a consolidação de propostas e financiamentos. Ainda assim, há a percepção de um esforço comercial intensificado, com campanhas e condições voltadas a destravar decisões de compra.
Destaques do trimestre (resumo)
Indicador Resultado Vendas totais (1º tri) Queda de 16,4% vs. mesmo período do ano anterior Colheitadeiras (1º tri) De 1.250 para 761 unidades (-40,62%) Colheitadeiras (março) 217 unidades (-36,18%) Tratores (1º tri) 9.215 unidades (-8,64%) Tratores (março) 3.840 unidades (acima de 3.695) Projeção para o ano Queda de 8% nas vendas de máquinas
Crédito e estímulos ao investimento
Sobre a sinalização de novas linhas de crédito anunciadas durante a feira para apoiar a compra de máquinas, a avaliação do setor é de que iniciativas desse tipo são positivas, especialmente em um contexto de juros altos. A expectativa é que condições financeiras mais competitivas contribuam para reduzir a cautela de parte dos compradores e viabilizar projetos de modernização no campo.
Ponto de atenção: a retomada mais consistente depende do equilíbrio entre renda do produtor, custo do crédito e confiança para investir em bens de maior valor, como colheitadeiras.
Panorama: com a queda concentrada nas colheitadeiras e um sinal de melhora nos tratores em março, o setor acompanha os próximos meses em busca de confirmação de tendência. O comportamento das commodities e o acesso ao financiamento seguem como variáveis-chave para definir o ritmo de vendas de máquinas agrícolas.




