
A cigarrinha-do-milho, considerada uma das pragas mais severas da cultura no Brasil, voltou a acender o alerta em Santa Catarina. Um monitoramento recente identificou alta incidência do inseto em lavouras de sete municípios, com destaque para Porto União, no Planalto Norte, que aparece no topo do ranking de detecções.
As informações são do último levantamento do Programa Monitora Milho SC, que apontou uma média estadual de 120 cigarrinhas por armadilha — patamar classificado como elevado e que reforça a necessidade de atenção redobrada no manejo, especialmente nas áreas com maior pressão da praga.
O principal risco associado à presença da cigarrinha não está apenas no inseto em si, mas no fato de ele atuar como vetor de doenças capazes de comprometer severamente a produtividade. A praga transmite:
Enfezamento pálido
Enfezamento vermelho
Risca do milho (também chamada de raiado fino)
Quando essas enfermidades se instalam, as plantas podem se tornar improdutivas, apresentando espigas deformadas, nanismo, além de amarelecimento ou avermelhamento. O resultado é a possibilidade de perdas expressivas caso o controle não seja feito de forma eficiente e no momento correto.
Em destaque: o período crítico é quando as plantas estão mais suscetíveis à infecção, exigindo vigilância constante no campo.
Outro fator que intensifica o problema é a velocidade de desenvolvimento da praga. O ciclo de vida da cigarrinha-do-milho, da fase de ovo até o estágio adulto, dura cerca de 45 dias. No entanto, em condições ambientais favoráveis, esse processo pode ser significativamente encurtado.
Com temperaturas entre 26°C e 32°C, o ciclo pode se completar em até 24 dias, o que aumenta a capacidade de multiplicação e, consequentemente, a pressão sobre as lavouras.
Segundo o monitoramento, o crescimento observado nesta época do ano era esperado por uma combinação de fatores, como:
avanço das lavouras para a fase vegetativa;
temperaturas mais elevadas, que favorecem a reprodução do inseto;
maior disponibilidade de plantas hospedeiras em desenvolvimento.
A análise identificou os maiores índices de cigarrinha-do-milho em municípios do Oeste e do Sul catarinense, além de Porto União, que lidera a lista. Nessas regiões, o risco de danos às lavouras é considerado ainda mais alto.
Região Municípios citados com maiores índices Nível de atenção Planalto Norte Porto União Máxima Oeste Xanxerê, Campo Erê, Irati, São Lourenço do Oeste, Tunápolis Alta Sul Braço do Norte Alta
Em áreas onde a presença do inseto é mais intensa, especialistas reforçam que o monitoramento deve ser contínuo, com decisões rápidas para reduzir a chance de transmissão de patógenos.
O controle da cigarrinha-do-milho exige estratégia e timing. De acordo com orientações técnicas citadas no levantamento, o manejo com produtos químicos é indicado para combater a praga, principalmente em momentos em que a população do inseto se eleva e o risco de infecção aumenta.
A pesquisadora Maria Cristina Canale, da Epagri (Centro de Pesquisa para Agricultura Familiar), ressalta que o período exige disciplina no campo e que os produtores não devem reduzir a atenção:
“É fundamental que os agricultores não negligenciem os plantios neste período crítico para a infecção das plantas.”
Um diferencial do monitoramento catarinense é o uso do exame de PCR, técnica de análise que permite identificar patógenos presentes nos insetos coletados. Na prática, isso amplia a precisão das avaliações, fornecendo ao setor produtivo dados mais confiáveis sobre o risco real de transmissão de doenças em cada região.
Nas últimas semanas, os resultados mostraram crescimento progressivo da bactéria associada ao fitoplasma do enfezamento-vermelho, além de presença frequente de vírus relacionados ao rayado-fino e ao mosaico estriado.
A combinação desses agentes preocupa técnicos e produtores porque amplia o potencial de prejuízos nas lavouras, especialmente se o controle do vetor não for realizado de maneira eficiente. Em um cenário de alta incidência do inseto, a probabilidade de disseminação de doenças aumenta, exigindo planejamento de manejo e acompanhamento próximo das áreas cultivadas.
Embora o controle dependa de orientação técnica e do contexto de cada propriedade, a recomendação central do alerta é clara: monitorar e agir rapidamente quando houver aumento da população de cigarrinhas. A identificação precoce e a tomada de decisão no momento correto são fatores que podem reduzir danos.
Monitoramento frequente com armadilhas e observação da lavoura;
atenção especial em períodos de temperaturas elevadas;
priorização de ações em municípios e áreas com maior risco;
manejo alinhado a recomendações técnicas para reduzir a transmissão de doenças.
Com a incidência elevada e a confirmação de patógenos em circulação, o cenário em Santa Catarina reforça a importância de um manejo bem estruturado para proteger a produtividade do milho e reduzir perdas associadas às doenças transmitidas pela cigarrinha.

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