
A Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja (ABRASS) realizou um workshop para analisar, de forma prática, como a Reforma Tributária deve alterar a rotina operacional e fiscal do setor de sementes. A atividade contou com consultoria jurídica especializada e discutiu mudanças que afetarão diretamente alíquotas, apuração de tributos, emissão de nota fiscal e fluxo de caixa.
O evento, intitulado “Reforma Tributária: Impactos nas Operações do Negócio de Sementes de Soja”, reuniu associados e profissionais do setor para uma leitura detalhada dos efeitos das novas regras sob a ótica operacional e fiscal. A consultoria foi conduzida por especialistas da área tributária, com foco nos desafios específicos enfrentados por produtores e multiplicadores de sementes.
“A Reforma Tributária afetará o cenário do agronegócio e o produtor de sementes de soja com impacto direto sobre as alíquotas na semente. O planejamento fiscal das empresas será primordial.”
— Graciele Mocellin
Entre os temas centrais, a ABRASS destacou a necessidade de adaptação às novas regras da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). A discussão abordou fato gerador, base de cálculo e mecanismos de contribuição, enfatizando que as mudanças exigirão revisões nas rotinas de apuração e ajustes nos sistemas de informação fiscal.
Para o setor de sementes de soja, a avaliação apresentada no workshop aponta que a transição demandará uma governança tributária mais robusta, com atenção especial à consistência de dados e à integração entre áreas fiscal, contábil, comercial e tecnologia.
Em foco para o produtor de sementes: impactos sobre alíquotas, reconfiguração de processos internos e preparação para uma apuração tributária com novas regras e controles.
Outro ponto considerado decisivo no encontro foi a implantação da nova Nota Fiscal Eletrônica, com vigência indicada no workshop para 1º de janeiro de 2026. A mudança deve exigir adequações nos módulos de emissão, além de ajustes no relacionamento comercial com compradores e na integração com sistemas de gestão.
Na prática, a recomendação discutida é que empresas se antecipem com revisões de parametrizações, testes internos e validação de fluxos, para reduzir riscos de inconsistências fiscais e retrabalho em um período de alta complexidade operacional.
O workshop também aprofundou os efeitos do modelo de Split Payment (ou apuração assistida), apontado como uma mudança capaz de alterar significativamente a forma de recolhimento dos tributos. Segundo a análise apresentada, o novo desenho tende a aumentar a necessidade de acompanhamento contínuo do caixa e de fortalecimento dos controles internos.
Gestão financeira: maior atenção ao fluxo de caixa com recolhimentos e compensações.
Compliance: controles e conciliações mais frequentes para reduzir contingências.
Operação: rotinas e sistemas precisam estar alinhados para evitar inconsistências.
A programação incluiu ainda a análise de alterações estruturais na matriz tributária, como a extinção do PIS/Pasep e da COFINS, além da substituição do ICMS e do ISS pelo IBS. O período de transição entre regimes foi apontado como um dos elementos que mais exigem planejamento tributário, revisão de processos e governança consistente para mitigar riscos.
Tema Impacto operacional destacado CBS e IBS Revisão de apuração, parametrização fiscal e integração de sistemas Nova NFe Ajustes em emissão, processos comerciais e gestão de dados Split Payment Mudanças no recolhimento e maior pressão sobre controles e caixa Transição de regimes Convivência de regras e necessidade de governança reforçada
De acordo com a consultoria apresentada no workshop, a transição traz desafios adicionais para as aplicações e rotinas ligadas às notas fiscais, sobretudo no intervalo de 2026 a 2029, período apontado como crítico devido às alíquotas de teste de CBS e IBS.
“A Reforma Tributária traz mudanças estruturais na definição dos fatos geradores e no fluxo de apuração tributária. Para os produtores de sementes, isso significa que processos antes rotineiros precisarão ser revisados, sistemas precisam ser parametrizados corretamente e controles internos fortalecidos.”
— Carolina Buzzanelli
A avaliação reforça que o preparo antecipado tende a reduzir contingências e a apoiar decisões estratégicas, especialmente em empresas que operam com grande volume de operações e dependem de rastreabilidade e consistência fiscal em toda a cadeia.
Ao final, a ABRASS afirmou que a agenda faz parte do esforço da entidade para preparar os multiplicadores de sementes de soja para mudanças que devem impactar diretamente as operações do setor. A iniciativa dá continuidade a ações técnicas anteriores realizadas em parceria com consultoria jurídica, com o objetivo de orientar associados diante do novo cenário tributário.

Resumo: A safra de trigo brasileira para 2026/27 mostra recuos importantes em área e produção, segundo estimativas \(Conab\) e \(IBGE\). A Conab aponta área de 2,14 milhões de hectares, 12,5% abaixo de 2025, com produção de 6,4 milhões de toneladas, queda de 19%. O IBGE projeta 2,4 milhões de hectares e 7,3 milhões de toneladas. No Paraná, o plantio está em andamento com 746 mil hectares, e a produção pode chegar a 2,44 milhões de toneladas se o clima colaborar, porém ainda passará por revisões.

A Embrapa Soja (PR) e a Caramuru Alimentos lançam a cultivar de soja BRS 579, indicada para produtores do centro-norte de Mato Grosso (região edafoclimática REC 402) com ciclo médio a tardio, GM 7.9, permitindo escalonamento da colheita e semeadura no início da safra.

Resumo: A segunda safra 2025/26 de feijão no Paraná avança rapidamente, com 71% da área plantada. A área cultivada é de 292,9 mil ha, 16% menor que o ciclo anterior, mas a produção deve subir 2% para 552,1 mil t, impulsionada pela produtividade de 1.885 kg/ha (vs 1.571). Do total, 97% das lavouras estão boas e 3% em condição moderada; está distribuída entre germinação (37%), vegetativo (62%) e floração (1%). Na semana anterior, 39% da área havia sido plantada, com germinação 36%, vegetativo 52%, floração 6%, frutificação 4% e maturação 2%. A colheita já começou em algumas regiões, mas representa menos de 1% da área total. O clima favorável sustenta a expectativa de safra sólida, mantendo o Paraná entre os maiores produtores de feijão do país.

Resumo: - Plantio de algodão em Mato Grosso está quase encerrado para a safra 2025/26, com 98,03% da área estimada de 1,43 milhão de hectares semeada; possibilidade de queda de 7,28% em relação a 2024/25, primeira desde 2020/21.

O Rio Grande do Sul autorizou o plantio tardio de soja em quase 38 mil hectares fora do período definido pelo calendário oficial. A medida foi tomada após produtores relatarem dificuldades para cumprir a janela regular de semeadura, impactada por condições climáticas adversas e pelo atraso na colheita do milho.