
A produção de arroz irrigado, frequentemente lembrada pelo seu potencial de gerar emissões de metano devido às lavouras inundadas, vem encontrando no próprio manejo agrícola uma alternativa eficaz para diminuir o impacto ambiental. No Rio Grande do Sul, pesquisas indicam que a rotação do arroz com a soja pode reduzir significativamente os gases de efeito estufa associados ao sistema produtivo, sem prejuízo ao rendimento no campo.
De acordo com estudos do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), a adoção do sistema de rotação com a oleaginosa pode resultar em uma redução de 54% nas emissões quando comparada ao cultivo contínuo do cereal em áreas irrigadas. A estratégia, além de reforçar o compromisso com uma agricultura mais sustentável, ganha relevância por ocorrer no principal polo de produção do país.
O Rio Grande do Sul concentra cerca de 70% da produção nacional de arroz, alimento presente no cotidiano da maior parte da população brasileira. Isso faz com que mudanças no manejo adotado em território gaúcho tenham potencial de influenciar de forma expressiva o balanço ambiental do setor em escala nacional.
A relação entre arroz irrigado e emissões está ligada, sobretudo, ao ambiente alagado, que favorece processos de decomposição em condições com pouco oxigênio. Nessa situação, há maior propensão à formação de metano, um gás com alto potencial de aquecimento global. A rotação com soja entra como uma forma de reorganizar o sistema produtivo, alterando o uso da área ao longo das safras e contribuindo para reduzir o volume de gases emitidos.
Pesquisas do Irga apontam que a rotação entre arroz e soja pode reduzir em 54% as emissões de gases de efeito estufa, mantendo o desempenho produtivo das lavouras.
Segundo o Irga, metade da área de arroz irrigado no Rio Grande do Sul já utiliza a rotação com soja. A tendência é de expansão: a projeção do instituto é de que esse percentual possa alcançar 80% em até dez anos. O avanço é interpretado como um movimento importante para conciliar a relevância econômica do arroz com medidas de mitigação das mudanças climáticas.
A ampliação do sistema também reforça um ponto central para o setor: a necessidade de soluções aplicáveis no dia a dia do produtor. Em vez de depender apenas de tecnologias complexas ou de mudanças estruturais difíceis de implementar, a rotação surge como uma ferramenta integrada ao planejamento agrícola, com potencial para trazer benefícios ambientais de forma consistente.
Indicador Dado Relevância Redução de emissões 54% Indica forte potencial de mitigação no manejo Participação do RS na produção nacional cerca de 70% Mostra impacto nacional de práticas adotadas no estado Área já em rotação com soja aproximadamente 50% Sinaliza adesão consolidada e em crescimento Projeção de adoção até 80% em 10 anos Aponta tendência de expansão do sistema
A redução de gases de efeito estufa em cadeias produtivas essenciais, como a do arroz, contribui para enfrentar o aquecimento global — um fator cada vez mais associado a impactos na saúde coletiva, como eventos extremos mais frequentes, pressão sobre sistemas de abastecimento e riscos ampliados de doenças. Ao diminuir emissões dentro do campo, práticas agrícolas mais sustentáveis ajudam a fortalecer a resiliência de regiões produtoras e a segurança alimentar.
Arroz irrigado é essencial na dieta brasileira e tem grande peso na produção nacional.
A rotação com soja aparece como medida de mitigação com alta adesão no RS.
A estratégia pode reduzir emissões sem comprometer a produtividade, segundo os estudos.
Com a perspectiva de expansão da rotação de culturas, o Rio Grande do Sul se posiciona como um laboratório de boas práticas para o setor. Se o ritmo de adoção se mantiver, a tendência é que a produção de arroz irrigado avance em direção a um modelo mais eficiente do ponto de vista climático, preservando sua relevância econômica e seu papel na alimentação dos brasileiros.

O El Niño foi oficialmente reconhecido e está se intensificando, com previsão de duração pelo menos até novembro, elevando as temperaturas da superfície do Pacífico e alterando ventos leste-oeste. No Sudeste Asiático, chuvas atrasadas ou escassas podem levar agricultores a adiar o plantio, reduzir áreas cultivadas ou optar por culturas resistentes à seca. A produção de arroz pode cair entre 2% e 8% em relação à média anual, com perdas mais severas em regiões sensíveis à seca, destacando a vulnerabilidade do cultivo diante da escassez de chuvas e do estresse térmico. O óleo de palma é outra grande preocupação, especialmente na Indonésia e na Malásia (responsáveis por cerca de 85% da oferta mundial); o impacto tende a aparecer após 6 a 12 meses devido à redução na formação de cachos e na extração de óleo. Sob a influência do El Niño, secas podem provocar incêndios florestais e de turfeiras em pontos críticos como norte da Tailândia, Sumatra e Kalimantan, aumentando a fumaça transfronteiriça e os riscos à saúde pública. A agência climática dos EUA confirmou a formação do El Niño e prevê um dos eventos mais fortes desde 1950.

Resumo: Em 11 de junho, o mercado interno de arroz apresentou pouca variação de preços, com sinais de desaceleração na atividade comercial na região do Delta do Mekong. Os preços do arroz em casca fresco permaneceram estáveis, enquanto o arroz cru e seus derivados observaram um leve recuo, rifando pela falta de melhoria significativa no poder de compra.

A safra de arroz em Cachoeira do Sul (RS) atingiu a maior produtividade média dos últimos cinco anos, com 8.365 kg por hectare na temporada 2025/2026, em uma área de 24.288 hectares, totalizando 203.172 toneladas. Embora a área tenha diminuído em relação a 2024/2025 (26.835 ha; 218.275 t), a produtividade subiu frente a 2023/2024 (7.444 kg/ha; 148.023 t). O desempenho demonstra que avanço tecnológico, manejo adequado das lavouras e condições climáticas favoráveis têm garantido estabilidade produtiva para o arroz cachoeirense. Ainda assim, o produtor enfrenta preços baixos: a saca hoje está cotada a R$ 57,00, abaixo do custo médio de produção, estimado em R$ 80,00 por saca.

O texto aborda, em seguida, a conclusão parcial da colheita do arroz irrigado no Rio Grande do Sul, que atinge mais de 98% da área cultivada, correspondendo a 891.908 hectares. A produtividade média estimada pela Emater/RS-Ascar é de 8.744 kg/ha, com destaque para a região Sul, que apresenta rendimento acima de 9,6 t/ha. Regiões específicas mostram resultados expressivos: Bagé registra próximo de 9.000 kg/ha, Caçapava do Sul atinge 8.500 kg/ha, e Pelotas registra 9.647 kg/ha. A colheita tem sido favorecida por condições climáticas generally favoráveis, boa disponibilidade hídrica e manejo adequado das áreas irrigadas, apesar de interrupções pontuais causadas por chuvas em maio. Houve também uma redução no uso de insumos devido a limitações financeiras, com produtividade próxima ou superior às projeções iniciais e bom rendimento industrial dos grãos.

O diesel subiu mais de 23% em pouco mais de um mês, impulsionado pela guerra no Oriente Médio, elevando os custos de produção entre R$ 40 e R$ 355 por hectare nas principais culturas. O impacto setorial é estimado em cerca de R$ 7,2 bilhões para o agronegócio brasileiro. A cana-de-açúcar é a mais afetada (+R$ 355/ha), seguida pelo arroz (+R$ 203/ha); soja, milho e trigo mostram aumentos menores (aprox. R$ 40–75/ha para milho e R$ 42–48/ha para soja/trigo). O efeito depende da intensidade de mecanização; o período entre colheita e plantio amplifica a pressão sobre margens. Se o aumento persistir, o impacto pode superar R$ 14 bilhões, tornando o diesel um vetor de risco para o agronegócio brasileiro em 2026.