
Arroz em Cachoeira do Sul atinge a maior produtividade dos últimos cinco anos na safra 2025/2026, mas preço da saca preocupa produtores
A safra de arroz em Cachoeira do Sul (RS) atingiu a maior produtividade média dos últimos cinco anos, com 8.365 kg por hectare na temporada 2025/2026, em uma área de 24.288 hectares, totalizando 203.172 toneladas. Embora a área tenha diminuído em relação a 2024/2025 (26.835 ha; 218.275 t), a produtividade subiu frente a 2023/2024 (7.444 kg/ha; 148.023 t). O desempenho demonstra que avanço tecnológico, manejo adequado das lavouras e condições climáticas favoráveis têm garantido estabilidade produtiva para o arroz cachoeirense. Ainda assim, o produtor enfrenta preços baixos: a saca hoje está cotada a R$ 57,00, abaixo do custo médio de produção, estimado em R$ 80,00 por saca.
Safra de arroz em Cachoeira do Sul registra melhor produtividade média em cinco anos, apesar de menor área plantada
Levantamento oficial aponta avanço no rendimento por hectare e recuperação após a enchente histórica, enquanto produtores enfrentam pressão de custos e preços baixos.
Mesmo com redução da área cultivada em relação ao ciclo anterior, a safra de arroz mais recente em Cachoeira do Sul (RS) alcançou a maior produtividade média dos últimos cinco anos. O desempenho é visto como positivo para o setor, especialmente após um período recente de forte queda produtiva no município.
Dados do Instituto Rio Grandense do Arroz indicam que foram cultivados 24.288 hectares nas várzeas locais, com produtividade média de 8.365 quilos por hectare e produção total de 203.172 toneladas. O resultado consolida a retomada da produção, que voltou a superar a marca de 200 mil toneladas.
Rendimento cresce, mas produção total recua por menor área
O rendimento por hectare ficou acima do registrado em 2024/2025, quando a produtividade havia sido de 8.134 quilos por hectare. Ainda assim, a produção total do ciclo atual ficou abaixo da safra passada, que somou 218.275 toneladas.
A diferença é explicada principalmente pela área plantada maior no período anterior, de 26.835 hectares. Em outras palavras: mesmo com uma lavoura menor, o campo entregou mais por hectare — mas o volume final não superou o do ciclo de maior extensão.
Recuperação após a enchente histórica
O desempenho ganha relevância ao ser comparado com a safra 2023/2024, marcada por uma queda expressiva em consequência da enchente histórica que atingiu o Rio Grande do Sul. Naquele ciclo, a produtividade recuou para 7.444 quilos por hectare e a produção total ficou em 148.023 toneladas, um dos menores resultados da série recente.
Em apenas dois anos, o município conseguiu recuperar os índices produtivos e retomar níveis próximos aos observados em safras com maior estabilidade climática. Para especialistas e produtores, o avanço sinaliza maior resiliência do sistema produtivo e reforça a importância de estratégias de manejo e planejamento diante de eventos extremos.
Tecnologia, manejo e clima sustentam estabilidade do arroz
A safra atual reforça que, mesmo com oscilações no tamanho da área cultivada, fatores como tecnologia no campo, manejo das lavouras e condições climáticas favoráveis têm contribuído para manter a estabilidade produtiva do arroz no município.
Destaque: A produtividade média de 8.365 kg/ha é a melhor dos últimos cinco ciclos, consolidando a retomada do setor.
Preço abaixo do custo pressiona produtores
Apesar do desempenho agronômico, o cenário econômico preocupa. Produtores relatam que o preço do arroz está em patamar inferior ao necessário para cobrir despesas: a saca é negociada por R$ 57,00 na região, enquanto o custo médio de produção é estimado em R$ 80,00.
A diferença entre preço e custo reforça o alerta sobre a sustentabilidade financeira da atividade, mesmo em anos de bons rendimentos. Para o produtor, a equação envolve produtividade, eficiência e gestão — mas também depende de condições de mercado e políticas que assegurem previsibilidade.
Produtividade alta ajuda a diluir custos fixos, mas não elimina o impacto de preços baixos.
Custo de produção elevado limita a margem, especialmente em períodos de comercialização desfavorável.
Risco climático segue como variável crítica, como evidenciado na safra afetada por enchentes.
Soja entra na reta final com quebra por seca e perda de receita
Enquanto o arroz encerra o ciclo com melhora na produtividade, a soja caminha para o fim da colheita em Cachoeira do Sul. Levantamento técnico aponta que ainda resta uma parcela pequena da lavoura para ser colhida.
Impactada pela seca no verão, a soja apresenta produtividade média de 38 sacos por hectare. O resultado fica 10,3 sacos por hectare abaixo do que havia sido projetado no período de plantio, representando uma quebra de 21%.
Considerando uma área total de 101,1 mil hectares, a perda estimada é de um milhão de sacos, com impacto econômico calculado em R$ 114 milhões em receita para os agricultores do município.
O contraste entre as culturas destaca como o clima pode afetar cadeias produtivas de maneira distinta em um mesmo período: o arroz se beneficia de condições mais favoráveis e de sistemas de produção consolidados, enquanto a soja sofre com a restrição hídrica.
Balanço das últimas safras de arroz em Cachoeira do Sul
A seguir, os principais indicadores das safras recentes, permitindo comparar área plantada, produtividade e produção total no município:
Safra Lavoura (hectares) Produtividade (kg/ha) Produção (toneladas) 2025/2026 24.288 8.365 203.172 2024/2025 26.835 8.134 218.275 2023/2024 24.354 7.444 148.023 2022/2023 22.660 8.337 188.916 2021/2022 25.437 7.462 186.975
Com a produtividade em alta e a produção retomando patamares relevantes, a safra de arroz em Cachoeira do Sul reforça a capacidade de recuperação do setor. Ainda assim, a pressão de custos e a oscilação de preços seguem como desafios centrais para a rentabilidade do produtor.




