
Levantamento oficial aponta avanço no rendimento por hectare e recuperação após a enchente histórica, enquanto produtores enfrentam pressão de custos e preços baixos.
Mesmo com redução da área cultivada em relação ao ciclo anterior, a safra de arroz mais recente em Cachoeira do Sul (RS) alcançou a maior produtividade média dos últimos cinco anos. O desempenho é visto como positivo para o setor, especialmente após um período recente de forte queda produtiva no município.
Dados do Instituto Rio Grandense do Arroz indicam que foram cultivados 24.288 hectares nas várzeas locais, com produtividade média de 8.365 quilos por hectare e produção total de 203.172 toneladas. O resultado consolida a retomada da produção, que voltou a superar a marca de 200 mil toneladas.
O rendimento por hectare ficou acima do registrado em 2024/2025, quando a produtividade havia sido de 8.134 quilos por hectare. Ainda assim, a produção total do ciclo atual ficou abaixo da safra passada, que somou 218.275 toneladas.
A diferença é explicada principalmente pela área plantada maior no período anterior, de 26.835 hectares. Em outras palavras: mesmo com uma lavoura menor, o campo entregou mais por hectare — mas o volume final não superou o do ciclo de maior extensão.
O desempenho ganha relevância ao ser comparado com a safra 2023/2024, marcada por uma queda expressiva em consequência da enchente histórica que atingiu o Rio Grande do Sul. Naquele ciclo, a produtividade recuou para 7.444 quilos por hectare e a produção total ficou em 148.023 toneladas, um dos menores resultados da série recente.
Em apenas dois anos, o município conseguiu recuperar os índices produtivos e retomar níveis próximos aos observados em safras com maior estabilidade climática. Para especialistas e produtores, o avanço sinaliza maior resiliência do sistema produtivo e reforça a importância de estratégias de manejo e planejamento diante de eventos extremos.
A safra atual reforça que, mesmo com oscilações no tamanho da área cultivada, fatores como tecnologia no campo, manejo das lavouras e condições climáticas favoráveis têm contribuído para manter a estabilidade produtiva do arroz no município.
Destaque: A produtividade média de 8.365 kg/ha é a melhor dos últimos cinco ciclos, consolidando a retomada do setor.
Apesar do desempenho agronômico, o cenário econômico preocupa. Produtores relatam que o preço do arroz está em patamar inferior ao necessário para cobrir despesas: a saca é negociada por R$ 57,00 na região, enquanto o custo médio de produção é estimado em R$ 80,00.
A diferença entre preço e custo reforça o alerta sobre a sustentabilidade financeira da atividade, mesmo em anos de bons rendimentos. Para o produtor, a equação envolve produtividade, eficiência e gestão — mas também depende de condições de mercado e políticas que assegurem previsibilidade.
Produtividade alta ajuda a diluir custos fixos, mas não elimina o impacto de preços baixos.
Custo de produção elevado limita a margem, especialmente em períodos de comercialização desfavorável.
Risco climático segue como variável crítica, como evidenciado na safra afetada por enchentes.
Enquanto o arroz encerra o ciclo com melhora na produtividade, a soja caminha para o fim da colheita em Cachoeira do Sul. Levantamento técnico aponta que ainda resta uma parcela pequena da lavoura para ser colhida.
Impactada pela seca no verão, a soja apresenta produtividade média de 38 sacos por hectare. O resultado fica 10,3 sacos por hectare abaixo do que havia sido projetado no período de plantio, representando uma quebra de 21%.
Considerando uma área total de 101,1 mil hectares, a perda estimada é de um milhão de sacos, com impacto econômico calculado em R$ 114 milhões em receita para os agricultores do município.
O contraste entre as culturas destaca como o clima pode afetar cadeias produtivas de maneira distinta em um mesmo período: o arroz se beneficia de condições mais favoráveis e de sistemas de produção consolidados, enquanto a soja sofre com a restrição hídrica.
A seguir, os principais indicadores das safras recentes, permitindo comparar área plantada, produtividade e produção total no município:
Safra Lavoura (hectares) Produtividade (kg/ha) Produção (toneladas) 2025/2026 24.288 8.365 203.172 2024/2025 26.835 8.134 218.275 2023/2024 24.354 7.444 148.023 2022/2023 22.660 8.337 188.916 2021/2022 25.437 7.462 186.975
Com a produtividade em alta e a produção retomando patamares relevantes, a safra de arroz em Cachoeira do Sul reforça a capacidade de recuperação do setor. Ainda assim, a pressão de custos e a oscilação de preços seguem como desafios centrais para a rentabilidade do produtor.

A produção de arroz irrigado, frequentemente associada às emissões de metano, está encontrando no próprio sistema produtivo caminhos para reduzir seu impacto climático. No Rio Grande do Sul, estudos do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) indicam que a rotação do arroz com a soja reduz as emissões de gases de efeito estufa em 54%, sem comprometer a produtividade. O RS responde por cerca de....

O El Niño foi oficialmente reconhecido e está se intensificando, com previsão de duração pelo menos até novembro, elevando as temperaturas da superfície do Pacífico e alterando ventos leste-oeste. No Sudeste Asiático, chuvas atrasadas ou escassas podem levar agricultores a adiar o plantio, reduzir áreas cultivadas ou optar por culturas resistentes à seca. A produção de arroz pode cair entre 2% e 8% em relação à média anual, com perdas mais severas em regiões sensíveis à seca, destacando a vulnerabilidade do cultivo diante da escassez de chuvas e do estresse térmico. O óleo de palma é outra grande preocupação, especialmente na Indonésia e na Malásia (responsáveis por cerca de 85% da oferta mundial); o impacto tende a aparecer após 6 a 12 meses devido à redução na formação de cachos e na extração de óleo. Sob a influência do El Niño, secas podem provocar incêndios florestais e de turfeiras em pontos críticos como norte da Tailândia, Sumatra e Kalimantan, aumentando a fumaça transfronteiriça e os riscos à saúde pública. A agência climática dos EUA confirmou a formação do El Niño e prevê um dos eventos mais fortes desde 1950.

Resumo: Em 11 de junho, o mercado interno de arroz apresentou pouca variação de preços, com sinais de desaceleração na atividade comercial na região do Delta do Mekong. Os preços do arroz em casca fresco permaneceram estáveis, enquanto o arroz cru e seus derivados observaram um leve recuo, rifando pela falta de melhoria significativa no poder de compra.

O texto aborda, em seguida, a conclusão parcial da colheita do arroz irrigado no Rio Grande do Sul, que atinge mais de 98% da área cultivada, correspondendo a 891.908 hectares. A produtividade média estimada pela Emater/RS-Ascar é de 8.744 kg/ha, com destaque para a região Sul, que apresenta rendimento acima de 9,6 t/ha. Regiões específicas mostram resultados expressivos: Bagé registra próximo de 9.000 kg/ha, Caçapava do Sul atinge 8.500 kg/ha, e Pelotas registra 9.647 kg/ha. A colheita tem sido favorecida por condições climáticas generally favoráveis, boa disponibilidade hídrica e manejo adequado das áreas irrigadas, apesar de interrupções pontuais causadas por chuvas em maio. Houve também uma redução no uso de insumos devido a limitações financeiras, com produtividade próxima ou superior às projeções iniciais e bom rendimento industrial dos grãos.

O diesel subiu mais de 23% em pouco mais de um mês, impulsionado pela guerra no Oriente Médio, elevando os custos de produção entre R$ 40 e R$ 355 por hectare nas principais culturas. O impacto setorial é estimado em cerca de R$ 7,2 bilhões para o agronegócio brasileiro. A cana-de-açúcar é a mais afetada (+R$ 355/ha), seguida pelo arroz (+R$ 203/ha); soja, milho e trigo mostram aumentos menores (aprox. R$ 40–75/ha para milho e R$ 42–48/ha para soja/trigo). O efeito depende da intensidade de mecanização; o período entre colheita e plantio amplifica a pressão sobre margens. Se o aumento persistir, o impacto pode superar R$ 14 bilhões, tornando o diesel um vetor de risco para o agronegócio brasileiro em 2026.