
El Niño deve se desenvolver no segundo semestre e pode elevar temperaturas globais, aponta a OMM
Resumo: A Organização Meteorológica Mundial (OMM) indica que o El Niño deve se desenvolver nos próximos meses, após três anos de La Niña. As condições neutras devem permanecer pelo menos até maio, com a probabilidade de neutralidade caindo para cerca de 60% entre maio e junho, abrindo espaço para o El Niño no segundo semestre. Entre junho e agosto, a chance de desenvolvimento é de aproximadamente 55%. Caso se confirme, pode haver novo aumento nas temperaturas globais. El Niño e La Niña são oscilações naturais, porém ampliadas por mudanças climáticas que elevam temperaturas, afetam padrões de chuva e tornam eventos extremos mais frequentes; o texto cita impactos recentes no Brasil. Diferenças: El Niño aquece as águas da porção central do Pacífico em 0,5°C ou mais, enquanto La Niña envolve resfriamento semelhante. Para ser oficial, a oscilação deve persistir por pelo menos cinco trimestres, e não há consenso definitivo sobre suas causas.
El Niño deve se formar nos próximos meses, alerta OMM, e pode elevar temperaturas globais
A possível transição após três anos de La Niña ocorre em um contexto de mudanças climáticas e aumento de eventos extremos, com impactos potenciais em chuvas e calor no Brasil e no mundo.
O fenômeno El Niño deve começar a se desenvolver nos próximos meses, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), após um período incomum de três anos consecutivos de La Niña. Embora a tendência de mudança seja considerada provável, a OMM indica que as condições do Pacífico Equatorial permanecem neutras pelo menos até maio.
Entre maio e junho, a probabilidade de manutenção da neutralidade cai para 60%, abrindo espaço para o avanço de condições compatíveis com El Niño ao longo do segundo semestre. Já no intervalo entre junho e agosto, a chance de o fenômeno se estabelecer chega a 55%, de acordo com a atualização mais recente da OMM.
“Se entrarmos agora em uma fase El Niño, é provável que isso provoque outro aumento nas temperaturas globais.”
— Petteri Taalas, secretário-geral da OMM
Para especialistas em clima e saúde, o alerta é relevante porque o El Niño costuma estar associado a mudanças importantes nos padrões de chuvas e temperaturas em várias regiões do planeta. Essas alterações podem influenciar desde a ocorrência de ondas de calor e estiagens até episódios de chuva intensa e alagamentos, dependendo da região e da estação.
Mudanças climáticas aumentam o risco de extremos
A OMM reforça que El Niño e La Niña são fenômenos naturais, mas vêm se manifestando em um cenário de aquecimento global. Esse contexto tem contribuído para a elevação das temperaturas médias, alteração de ciclos sazonais de precipitação e maior frequência de eventos climáticos extremos.
No Brasil, episódios recentes de precipitações acima do padrão histórico foram associados a situações de grande impacto social. Entre os exemplos citados estão as tempestades no litoral norte de São Paulo em fevereiro de 2023, as enchentes históricas no Rio Grande do Sul em abril de 2024 e as chuvas intensas em Juiz de Fora e região, em Minas Gerais.
Em destaque para saúde pública: eventos extremos podem ampliar riscos de lesões, contaminação por água, interrupção de serviços essenciais e agravamento de doenças sensíveis ao clima, especialmente durante enchentes e ondas de calor.
Entenda a diferença entre El Niño e La Niña
Os fenômenos El Niño e La Niña são definidos por variações de temperatura na porção equatorial do Oceano Pacífico. Em termos simples, trata-se de uma oscilação que altera a troca de calor entre oceano e atmosfera, influenciando a circulação de ventos e, por consequência, padrões de precipitação em diferentes continentes.
El Niño: ocorre quando as águas do Pacífico Equatorial aquecem 0,5 °C ou mais acima da média histórica.
La Niña: ocorre quando há um resfriamento de 0,5 °C ou mais abaixo da média histórica.
Para que um desses fenômenos seja considerado oficialmente ativo, a OMM indica que a oscilação precisa persistir por pelo menos cinco trimestres consecutivos. Apesar de existirem diversas hipóteses científicas para explicar os ciclos, ainda não há consenso sobre todos os mecanismos que determinam a alternância entre aquecimento e resfriamento no Pacífico.
Probabilidades por período, segundo a OMM
As projeções divulgadas apontam para uma transição gradual. A seguir, um resumo das probabilidades mencionadas no informe:
Período Condição mais provável Probabilidade Até maio Neutralidade Predominante Maio a junho Neutralidade (em queda) 60% Junho a agosto Desenvolvimento do El Niño 55%
A OMM destaca que probabilidades refletem tendências e podem sofrer ajustes à medida que novas observações oceânicas e atmosféricas são incorporadas aos modelos. Ainda assim, o cenário reforça a necessidade de monitoramento contínuo e de planejamento para mitigar riscos de extremos climáticos.
O que esperar no segundo semestre
Caso o El Niño se consolide, o mundo pode enfrentar um reforço no aumento das temperaturas globais, em especial quando combinado ao cenário atual de aquecimento de longo prazo. Para o Brasil, a resposta pode variar por região e época do ano, mas a experiência recente mostra que extremos — como chuvas muito acima da média em alguns períodos e locais — podem resultar em impactos significativos.
Especialistas recomendam atenção às atualizações de órgãos meteorológicos e de defesa civil, especialmente em áreas vulneráveis a alagamentos, deslizamentos e enchentes. Também é importante observar orientações de saúde em períodos de calor intenso e após eventos de inundação, quando o risco de contaminação e de interrupção de serviços tende a aumentar.
Em resumo: a possível chegada do El Niño, após anos de La Niña, reforça um cenário de maior instabilidade climática. Em um planeta mais quente, a combinação entre variabilidade natural e mudanças climáticas pode elevar a frequência e a intensidade de eventos extremos — com reflexos diretos na segurança, na economia e na saúde.




