
A China, maior exportadora global de ácido sulfúrico, pode adotar controles administrativos que, na prática, levariam a uma suspensão das exportações do produto a partir de maio de 2026. A avaliação foi feita por Lin Song, economista-chefe para a Grande China do banco de investimento holandês ING, que ressalvou não ter visto, até o momento, qualquer notificação oficial de órgãos governamentais confirmando a medida.
O possível movimento de Pequim ocorre em meio ao aumento de incertezas na cadeia internacional de insumos para a agricultura e para a indústria química. Segundo o economista, uma das motivações seria garantir o abastecimento de fertilizantes, hoje pressionado por riscos geopolíticos que afetam rotas estratégicas do comércio global.
Na análise de Lin Song, o objetivo dos controles seria proteger a disponibilidade de produtos essenciais para a produção agrícola, especialmente diante de gargalos ligados ao Estreito de Ormuz, corredor marítimo considerado crítico para o comércio internacional. A passagem, destacou, está associada a uma parcela relevante do fluxo global de enxofre, insumo diretamente conectado à fabricação de fertilizantes.
O risco nessa rota tende a repercutir em custos, prazos e previsibilidade de entregas, elevando a preocupação de governos e empresas com segurança de abastecimento — tema que vem ganhando prioridade em políticas industriais e agrícolas no mundo todo.
“Espera-se que os controlos administrativos conduzam a uma suspensão de facto das exportações de ácido sulfúrico a partir de Maio de 2026”, disse Lin Song, acrescentando que não viu notificação oficial de agências governamentais.
Embora seja mais conhecido por seu papel na produção de fertilizantes, o ácido sulfúrico é um dos compostos químicos mais utilizados no mundo e tem presença central em diversas cadeias produtivas. Entre suas aplicações, estão processos de tratamento de minerais e de águas residuais, refino de óleos e síntese de diferentes substâncias químicas usadas pela indústria.
Por isso, uma eventual restrição exportadora pode impactar não apenas o agronegócio, mas também setores industriais que dependem do insumo para operações contínuas. Em mercados sensíveis, qualquer sinal de redução na oferta pode aumentar a volatilidade e provocar readequações de compras e estoques.
Dados do Observatório da Complexidade Econômica indicam que a China liderou as exportações mundiais de ácido sulfúrico em 2025, com valor total de 290 milhões de dólares. Entre os principais destinos das remessas chinesas estão:
Chile
Indonésia
Arábia Saudita
Marrocos
Índia
A concentração de oferta em um grande exportador reforça a relevância de decisões de política comercial e regulatória. Caso a China reduza o volume disponível ao mercado externo, compradores podem buscar alternativas em outros países, pressionando preços e logística.
Para Pequim, segundo Lin Song, o peso das exportações de ácido sulfúrico no produto interno bruto seria menos relevante do que um objetivo considerado mais amplo e estratégico: a segurança alimentar. Ao assegurar insumos-chave para fertilizantes, a China teria mais previsibilidade para sustentar a produtividade agrícola e reduzir vulnerabilidades em momentos de instabilidade internacional.
Essa lógica se alinha a uma tendência global em que governos buscam proteger cadeias sensíveis — como a de alimentos — diante de riscos de interrupções, conflitos, barreiras logísticas e mudanças abruptas na oferta de matérias-primas.
Mesmo sem confirmação oficial, a expectativa de controles pode alterar o comportamento do mercado. Em cenários semelhantes, empresas tendem a:
Revisar contratos e cronogramas de importação;
Antecipar compras para formação de estoques;
Buscar fornecedores alternativos e rotas logísticas mais seguras;
Repassar custos ao longo da cadeia, influenciando preços finais.
No setor agrícola, a disponibilidade e o custo de fertilizantes seguem como fatores críticos para planejamento de safra. Já na indústria química, a dependência do ácido sulfúrico em processos de base pode elevar o risco de paradas e reajustes em caso de restrição prolongada.
Tema O que se sabe Possível medida Controles administrativos que podem suspender exportações a partir de maio de 2026 (sem confirmação oficial até agora). Motivação Proteger o abastecimento de fertilizantes e reduzir riscos logísticos ligados a rotas estratégicas. Peso da China Maior exportadora global em 2025, com 290 milhões de dólares exportados. Setores afetados Agricultura (fertilizantes) e indústria química (tratamento de minerais e águas residuais, refino de óleos, síntese química). Objetivo estratégico Prioridade para segurança alimentar acima do impacto no PIB.
Contexto: a sinalização de possíveis restrições reforça a atenção do mercado global para insumos essenciais da agricultura e da indústria, em um cenário de elevada sensibilidade logística e geopolítica. Até o momento, porém, não há confirmação oficial sobre a implementação dos controles mencionados.
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