
Publicado em: 23/02/2026 | Atualização de mercado: Sul do Brasil
O mercado no Sul do Brasil atravessa um momento de baixa liquidez, com avanço da colheita e ajustes nas cotações em meio a impactos climáticos e mudanças na dinâmica de oferta e demanda. No Rio Grande do Sul, as indicações de preços variam entre R$ 54,00 e R$ 72,00 por saca, refletindo um cenário de negociações pontuais e maior cautela por parte dos compradores.
De acordo com levantamento da TF Agroeconômica, a comercialização no estado gaúcho segue limitada, especialmente porque a entrada da nova safra aumenta a disponibilidade do produto e altera o poder de barganha entre vendedores e compradores. A combinação entre maior volume ofertado e incertezas sobre a qualidade e o ritmo de escoamento tem contribuído para um ambiente de mercado mais travado.
A liquidez reduzida no Sul é explicada por uma soma de fatores típicos do período de colheita: com a produção chegando ao mercado, compradores tendem a atuar com mais prudência, aguardando condições mais claras de preço e disponibilidade. Ao mesmo tempo, produtores avaliam o melhor momento para vender, o que pode limitar o volume efetivamente negociado no curto prazo.
Destaque: A cautela dos compradores aumenta com a entrada da nova safra, o que reforça a tendência de negociações pontuais e maior seletividade nas aquisições.
No Rio Grande do Sul, o comportamento do mercado mostra uma discrepância natural entre regiões e condições de negociação, o que explica a amplitude das indicações entre R$ 54,00 e R$ 72,00 por saca. O intervalo sinaliza que as transações dependem de fatores como qualidade, localização, urgência de venda e logística, além da estratégia de compra de indústrias e tradings.
| Indicador | Situação no RS |
|---|---|
| Liquidez | Baixa, com comercialização pontual |
| Momento da safra | Entrada de nova safra e avanço da colheita |
| Postura do comprador | Mais cautelosa, aguardando consolidação de oferta |
| Preço indicativo | R$ 54,00 a R$ 72,00 por saca |
A leitura do relatório reforça que o mercado gaúcho está em fase de reacomodação: com a oferta se tornando mais presente, parte dos compradores busca reduzir exposição a oscilações, enquanto vendedores acompanham os ajustes nas referências regionais antes de ampliar o volume negociado.
Além do efeito sazonal da colheita, o cenário é influenciado por impactos climáticos e mudanças na dinâmica de oferta e demanda. Oscilações climáticas podem afetar produtividade, qualidade e ritmo de entrega, o que repercute diretamente na formação de preços e na disposição de compra, especialmente em momentos em que o mercado busca referências mais estáveis.
Na prática, esse conjunto de fatores tende a manter o ambiente de negócios mais seletivo, com negociações ocorrendo de forma mais localizada e com maior peso para condições específicas de cada lote. A expectativa é de que o volume de transações ganhe tração conforme a colheita evolua e o mercado consolide parâmetros de preço e disponibilidade.

O Brasil tem energia barata e espaço para crescer na produção de soja, especialmente em áreas de pastagens degradadas, o que motiva a ADM a ampliar sua capacidade de esmagamento no país. Jayson Lee, vice-presidente da empresa para esmagamento de grãos e análise de riscos na América Latina, aponta o Brasil como....

O custo com insumos para a safra de soja 2026/27 está 20% acima da média dos últimos cinco anos, segundo a Agrinvest Commodities. Em maio, o pacote de insumos por hectare chegou a 33,2 sacas de soja, o que representa um aumento de 5,7 sacas/ha frente à média dos últimos sete anos e 2,8 sacas/ha acima do mesmo período do ano passado.

Em maio de 2026, as exportações brasileiras de soja mostram ritmo sólido, com média diária de embarques de 758,8 mil toneladas, 13% acima de maio de 2025 (671,4 mil t/d). Até a terceira semana, o acumulado parcial é de 11,38 milhões de toneladas, abrindo a possibilidade de superar as 14,10 milhões de toneladas de maio do ano anterior, dependendo dos últimos cinco dias úteis do mês.

Em Mato Grosso, o custo de produção do milho para a safra 2026/27 subiu para R$ 3.686,80/ha em março de 2026, alta de 3,38% frente ao mês anterior, puxado por fertilizantes (R$ 1.474,59/ha, +5,67%) e defensivos (R$ 895,70/ha, +3,12%), em meio a tensões globais de oferta. Com o preço médio do milho projetado em R$ 43,48/saca, o produtor precisa de 99,06 sacas/ha de ureia, 125,37 sacas/ha de MAP e 81,85 sacas/ha de KCl para comprar uma tonelada de cada insumo, indicando encarecimento relativo.

Abiove projeta processamento de soja no Brasil em 2026 de 62,2 milhões de toneladas (+1,1% frente à estimativa anterior; +6,0% vs 2025), impulsionado pela safra robusta e demanda por derivados. Farelo: 47,9 Mt (+1,1%); óleo: 12,5 Mt (+1,2%).