
Escassez de frota supera o diesel na formação das tarifas
Um dos principais achados do levantamento é a mudança na dinâmica de formação dos preços. Enquanto o diesel acumulou alta de 14% na comparação anual, o preço médio do frete avançou 21%, indicando que o combustível deixou de ser o principal fator de pressão sobre as tarifas.
Segundo o estudo, o desequilíbrio entre oferta e demanda de caminhões, especialmente nos corredores de escoamento do agronegócio, passou a exercer papel determinante na formação dos preços, sustentando a valorização do frete mesmo em um cenário de menor movimentação de cargas.
Sudeste amplia participação e concentra os principais fluxos logísticos
Embora todas as regiões tenham registrado retração no volume de fretes durante o segundo trimestre, o Sudeste ampliou sua participação no mercado nacional, passando de 39% para 43% do volume movimentado. Sul e Norte apresentaram as maiores quedas no período, ambas de 34%.
A concentração também se refletiu na análise por estados. São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso responderam por 52% de todo o volume de fretes registrado pela plataforma, reforçando a importância dos corredores que ligam o parque industrial do Sudeste às regiões produtoras do Centro-Oeste.
Agronegócio mantém liderança e concentra as maiores altas de preço
O agronegócio permaneceu como principal segmento do transporte rodoviário brasileiro, respondendo por 42,9% do volume total de fretes registrados no trimestre. Apesar da retração observada no período, o setor continuou concentrando os principais corredores de escoamento da produção nacional.
Essa pressão se refletiu nas tarifas. As maiores valorizações ocorreram nas rotas ligadas ao agronegócio, com destaque para Nova Mutum (MT) – Imbituba (SC) (+72,3%), Barro Alto (GO) – Laranjeiras (SE) (+49,2%) e Campo Verde (MT) – Paranaguá (PR) (+48,6%) na comparação com o segundo trimestre de 2025.
Corredores logísticos revelam onde a pressão sobre a frota é mais intensa
O Frete Insights também mapeou os principais gargalos logísticos do país. O corredor Coromandel (MG) – Santos (SP) apresentou o maior desequilíbrio entre oferta e demanda, com 6,96 cargas disponíveis para cada caminhão, seguido por Porto dos Gaúchos (MT) – Rondonópolis (MT) (5,11) e Luz (MG) – Santos (SP) (4,56).
A análise mostra que os maiores gargalos permanecem concentrados nas rotas de escoamento da produção agropecuária em direção aos principais portos brasileiros. Em contrapartida, alguns corredores com destino aos portos da Região Sul já apresentam maior disponibilidade de caminhões do que de cargas, indicando menor pressão sobre as tarifas nessas operações.
Além da análise por corredor, o levantamento mostra que Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo lideram o indicador de carga por caminhão, refletindo a maior pressão sobre a capacidade de transporte nesses estados.

Segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), toda a carga transportada no território brasileiro utiliza em torno de 61% de rodovias, enquanto ferrovias respondem por cerca de 21% e hidrovias por volta de 14%. As rodovias abrangem quase todo o território nacional, com exceção de áreas amazônicas, e estão concentradas nos polos econômicos das regiões Sudeste e Sul.

Rondonópolis, no sudeste de Mato Grosso, a cerca de 215 km de Cuiabá, é conhecida como a Capital Nacional do Agronegócio e abriga o maior terminal ferroviário de grãos da América Latina, operado pela Rumo Logística, com capacidade de 40 milhões de toneladas por ano. No auge da safra, chegam até....

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