
O índice global de preços dos alimentos, monitorado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), registrou alta em fevereiro de 2026 e interrompeu uma sequência de quedas que vinha desde o fim de 2025. De acordo com o relatório, o Food Price Index (FFPI) atingiu média de 125,3 pontos, um aumento de 0,9% em relação a janeiro.
A elevação é atribuída principalmente ao avanço nos preços de grãos, carnes e óleos vegetais, que compensou totalmente a retração observada nos grupos de laticínios e açúcar. Apesar da mudança de direção no curto prazo, o nível atual do FFPI permanece 1% abaixo do registrado no mesmo período de 2025 e ainda distante do pico histórico de março de 2022, quando o índice alcançou seu maior patamar.
O relatório detalha o desempenho dos principais grupos de commodities alimentares. Em fevereiro, o destaque foi a alta mais intensa no segmento de óleos vegetais, enquanto o açúcar apresentou a queda mais expressiva, atingindo o menor nível em mais de cinco anos.
Grupo de produtos Índice (pontos) Variação vs. janeiro de 2026 Cereais 108,6 +1,1% Óleos vegetais 174,2 +3,3% Carnes 126,2 +0,8% Laticínios 119,3 -1,2% Açúcar 86,2 -4,1%
O avanço em grãos, carnes e óleos vegetais foi suficiente para reverter temporariamente a tendência de baixa observada nos cinco meses anteriores.
O índice de preços dos grãos aumentou 1,1% em fevereiro, impulsionado por fatores climáticos e geopolíticos. A FAO aponta que os preços internacionais do trigo avançaram 1,8% diante de preocupações com frio intenso na Europa e nos Estados Unidos, além de tensões na região do Mar Negro, que geraram interrupções no transporte marítimo e adicionaram volatilidade às negociações.
Outros cereais também subiram. A cevada e o sorgo registraram valorização associada à forte demanda de importação, especialmente de compradores da China e do Norte da África. Já o mercado de arroz teve aumento mais moderado, de 0,4%, com elevação mais perceptível em segmentos como Basmati e Japonica.
Risco climático em áreas produtoras relevantes, com impacto nas expectativas de oferta.
Instabilidade logística e geopolítica no Mar Negro, afetando rotas e custos.
Demanda externa aquecida em mercados importadores estratégicos.
O maior avanço entre os grupos veio do índice de óleos vegetais, que subiu 3,3% e atingiu seu nível mais alto desde junho de 2022. Segundo a FAO, o movimento reflete uma combinação de restrições de oferta e estímulos de demanda em mercados-chave.
O óleo de palma avançou pelo terceiro mês consecutivo, puxado pela queda na produção no Sudeste Asiático. Já o óleo de soja ganhou força com o suporte de políticas de incentivo aos biocombustíveis nos Estados Unidos, o que ajudou a sustentar os preços no cenário internacional.
Na direção oposta, o óleo de girassol apresentou leve recuo, influenciado por oferta abundante da Argentina, reduzindo parte da pressão altista no conjunto do grupo.
Em foco: a combinação entre restrição de oferta e políticas energéticas mantém os óleos vegetais entre os componentes mais sensíveis a mudanças de produção, clima e decisões regulatórias.
O índice de preços da carne avançou 0,8% em relação ao mês anterior e ficou 8% acima do patamar observado no mesmo período do ano passado. O relatório destaca que a carne de cordeiro atingiu recordes históricos, atribuídos à oferta limitada na Oceania.
A carne bovina também manteve a tendência de alta, impulsionada pela demanda firme de dois grandes mercados consumidores: China e Estados Unidos. O comportamento do segmento indica um cenário de preços sustentados, em que fatores como disponibilidade exportável e apetite de importadores continuam determinantes.
Em contraste com a carne, o índice de preços de laticínios caiu 1,2% em fevereiro, prolongando uma trajetória de baixa iniciada em meados de 2025. Um dos principais destaques foi a queda do queijo na União Europeia, pressionada por oferta abundante e demanda externa enfraquecida.
Ainda assim, alguns produtos deram sinais de recuperação. A FAO indica que leite em pó e manteiga tiveram leve melhora de preços, apoiados pelo aumento da demanda do Oriente Médio e do Sudeste Asiático, o que ajudou a equilibrar parte do movimento de queda do grupo.
O açúcar foi o principal destaque negativo do relatório. O índice recuou 4,1%, caindo para 86,2 pontos, o nível mais baixo desde outubro de 2020. A FAO atribui a queda a uma expectativa de oferta global abundante, com ênfase na previsão de produção recorde nos Estados Unidos.
Essa perspectiva de maior disponibilidade pressionou as cotações, mesmo diante de revisões para baixo em outros grandes produtores. O relatório menciona redução na previsão de produção da Índia e queda na safra do Brasil, fatores que, ainda assim, não foram suficientes para reverter o sentimento predominante de oferta confortável no mercado.
O avanço do FFPI em fevereiro reforça que o mercado global de alimentos permanece sujeito a oscilações rápidas, influenciadas por clima, logística, geopolítica e mudanças de demanda. Embora o índice ainda esteja abaixo dos níveis de 2025 e distante do pico de 2022, a alta em componentes estratégicos como cereais e óleos vegetais tende a manter o tema no radar de governos, empresas e consumidores.
Para a FAO, o cenário atual evidencia a importância de acompanhar não apenas o índice agregado, mas também os movimentos por grupo de produtos, já que as tendências podem ser divergentes — como mostram, no mesmo mês, a alta de carnes e a queda expressiva do açúcar.
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O Brasil tem energia barata e espaço para crescer na produção de soja, especialmente em áreas de pastagens degradadas, o que motiva a ADM a ampliar sua capacidade de esmagamento no país. Jayson Lee, vice-presidente da empresa para esmagamento de grãos e análise de riscos na América Latina, aponta o Brasil como....

O custo com insumos para a safra de soja 2026/27 está 20% acima da média dos últimos cinco anos, segundo a Agrinvest Commodities. Em maio, o pacote de insumos por hectare chegou a 33,2 sacas de soja, o que representa um aumento de 5,7 sacas/ha frente à média dos últimos sete anos e 2,8 sacas/ha acima do mesmo período do ano passado.

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Em Mato Grosso, o custo de produção do milho para a safra 2026/27 subiu para R$ 3.686,80/ha em março de 2026, alta de 3,38% frente ao mês anterior, puxado por fertilizantes (R$ 1.474,59/ha, +5,67%) e defensivos (R$ 895,70/ha, +3,12%), em meio a tensões globais de oferta. Com o preço médio do milho projetado em R$ 43,48/saca, o produtor precisa de 99,06 sacas/ha de ureia, 125,37 sacas/ha de MAP e 81,85 sacas/ha de KCl para comprar uma tonelada de cada insumo, indicando encarecimento relativo.

Abiove projeta processamento de soja no Brasil em 2026 de 62,2 milhões de toneladas (+1,1% frente à estimativa anterior; +6,0% vs 2025), impulsionado pela safra robusta e demanda por derivados. Farelo: 47,9 Mt (+1,1%); óleo: 12,5 Mt (+1,2%).