
FAO FFPI Fev/2026: grãos e óleos sobem, carne dispara; açúcar atinge menor nível em mais de cinco anos
Sumário: O FFPI da FAO ficou em 125,3 pontos em fevereiro de 2026, alta de 0,9% frente a janeiro, o primeiro aumento após cinco meses de queda. O avanço foi puxado pelos setores de grãos, carnes e óleos vegetais, enquanto laticínios e açúcar recuaram. Em relação a fevereiro de 2025, o índice está 1% abaixo e 21,8% abaixo do pico histórico de março de 2022. Principais grupos: Cereais 108,6 (+1,1%), Óleo vegetal 174,2 (+3,3%), Carne 126,2 (+0,8%), Leite 119,3 (-1,2%), Açúcar 86,2 (-4,1%). Grãos e óleos lideraram a alta: trigo subiu 1,8% devido ao frio na Europa/EUA e tensões no Mar Negro; cevada e sorgo também subiram pela demanda de importação da China e Norte da África; arroz +0,4%. Óleos vegetais subiram 3,3%, com palma em alta pela queda de produção no Sudeste Asiático e soja apoiada por políticas de biocombustíveis dos EUA; girassol recuou com oferta argentina. Carne +0,8%, com cordeiro em patamar recorde e carne bovina sustentando pela demanda da China e EUA. Laticínios caíram 1,2%, queijo fraco na UE, mas leite em pó e manteiga mostraram leve recuperação. Açúcar caiu 4,1% para 86,2 pontos, nível mais baixo desde outubro de 2020, por oferta abundante, apesar de revisões para baixo da produção na Índia e recuo da safra no Brasil.
Preços globais dos alimentos voltam a subir em fevereiro de 2026, aponta FAO
O índice global de preços dos alimentos, monitorado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), registrou alta em fevereiro de 2026 e interrompeu uma sequência de quedas que vinha desde o fim de 2025. De acordo com o relatório, o Food Price Index (FFPI) atingiu média de 125,3 pontos, um aumento de 0,9% em relação a janeiro.
A elevação é atribuída principalmente ao avanço nos preços de grãos, carnes e óleos vegetais, que compensou totalmente a retração observada nos grupos de laticínios e açúcar. Apesar da mudança de direção no curto prazo, o nível atual do FFPI permanece 1% abaixo do registrado no mesmo período de 2025 e ainda distante do pico histórico de março de 2022, quando o índice alcançou seu maior patamar.
Resumo: como variaram os preços por grupo de produtos
O relatório detalha o desempenho dos principais grupos de commodities alimentares. Em fevereiro, o destaque foi a alta mais intensa no segmento de óleos vegetais, enquanto o açúcar apresentou a queda mais expressiva, atingindo o menor nível em mais de cinco anos.
Grupo de produtos Índice (pontos) Variação vs. janeiro de 2026 Cereais 108,6 +1,1% Óleos vegetais 174,2 +3,3% Carnes 126,2 +0,8% Laticínios 119,3 -1,2% Açúcar 86,2 -4,1%
O avanço em grãos, carnes e óleos vegetais foi suficiente para reverter temporariamente a tendência de baixa observada nos cinco meses anteriores.
Grãos sobem com clima adverso e tensões no Mar Negro
O índice de preços dos grãos aumentou 1,1% em fevereiro, impulsionado por fatores climáticos e geopolíticos. A FAO aponta que os preços internacionais do trigo avançaram 1,8% diante de preocupações com frio intenso na Europa e nos Estados Unidos, além de tensões na região do Mar Negro, que geraram interrupções no transporte marítimo e adicionaram volatilidade às negociações.
Outros cereais também subiram. A cevada e o sorgo registraram valorização associada à forte demanda de importação, especialmente de compradores da China e do Norte da África. Já o mercado de arroz teve aumento mais moderado, de 0,4%, com elevação mais perceptível em segmentos como Basmati e Japonica.
Principais vetores por trás do movimento nos grãos
Risco climático em áreas produtoras relevantes, com impacto nas expectativas de oferta.
Instabilidade logística e geopolítica no Mar Negro, afetando rotas e custos.
Demanda externa aquecida em mercados importadores estratégicos.
Óleos vegetais lideram alta e alcançam maior nível desde 2022
O maior avanço entre os grupos veio do índice de óleos vegetais, que subiu 3,3% e atingiu seu nível mais alto desde junho de 2022. Segundo a FAO, o movimento reflete uma combinação de restrições de oferta e estímulos de demanda em mercados-chave.
O óleo de palma avançou pelo terceiro mês consecutivo, puxado pela queda na produção no Sudeste Asiático. Já o óleo de soja ganhou força com o suporte de políticas de incentivo aos biocombustíveis nos Estados Unidos, o que ajudou a sustentar os preços no cenário internacional.
Na direção oposta, o óleo de girassol apresentou leve recuo, influenciado por oferta abundante da Argentina, reduzindo parte da pressão altista no conjunto do grupo.
Em foco: a combinação entre restrição de oferta e políticas energéticas mantém os óleos vegetais entre os componentes mais sensíveis a mudanças de produção, clima e decisões regulatórias.
Carne sobe e segue acima do nível do ano anterior
O índice de preços da carne avançou 0,8% em relação ao mês anterior e ficou 8% acima do patamar observado no mesmo período do ano passado. O relatório destaca que a carne de cordeiro atingiu recordes históricos, atribuídos à oferta limitada na Oceania.
A carne bovina também manteve a tendência de alta, impulsionada pela demanda firme de dois grandes mercados consumidores: China e Estados Unidos. O comportamento do segmento indica um cenário de preços sustentados, em que fatores como disponibilidade exportável e apetite de importadores continuam determinantes.
Laticínios recuam, mas leite em pó e manteiga mostram reação
Em contraste com a carne, o índice de preços de laticínios caiu 1,2% em fevereiro, prolongando uma trajetória de baixa iniciada em meados de 2025. Um dos principais destaques foi a queda do queijo na União Europeia, pressionada por oferta abundante e demanda externa enfraquecida.
Ainda assim, alguns produtos deram sinais de recuperação. A FAO indica que leite em pó e manteiga tiveram leve melhora de preços, apoiados pelo aumento da demanda do Oriente Médio e do Sudeste Asiático, o que ajudou a equilibrar parte do movimento de queda do grupo.
Açúcar cai 4,1% e atinge menor patamar desde 2020
O açúcar foi o principal destaque negativo do relatório. O índice recuou 4,1%, caindo para 86,2 pontos, o nível mais baixo desde outubro de 2020. A FAO atribui a queda a uma expectativa de oferta global abundante, com ênfase na previsão de produção recorde nos Estados Unidos.
Essa perspectiva de maior disponibilidade pressionou as cotações, mesmo diante de revisões para baixo em outros grandes produtores. O relatório menciona redução na previsão de produção da Índia e queda na safra do Brasil, fatores que, ainda assim, não foram suficientes para reverter o sentimento predominante de oferta confortável no mercado.
O que o movimento do FFPI sinaliza para os próximos meses
O avanço do FFPI em fevereiro reforça que o mercado global de alimentos permanece sujeito a oscilações rápidas, influenciadas por clima, logística, geopolítica e mudanças de demanda. Embora o índice ainda esteja abaixo dos níveis de 2025 e distante do pico de 2022, a alta em componentes estratégicos como cereais e óleos vegetais tende a manter o tema no radar de governos, empresas e consumidores.
Para a FAO, o cenário atual evidencia a importância de acompanhar não apenas o índice agregado, mas também os movimentos por grupo de produtos, já que as tendências podem ser divergentes — como mostram, no mesmo mês, a alta de carnes e a queda expressiva do açúcar.
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