
Recuperação do arábica em Nova York, sustentação no mercado físico brasileiro e volatilidade do dólar marcaram a semana, enquanto o cenário macro pressiona custos e logística.
O mercado de café encerrou a semana com recuperação nos preços do arábica, sustentação no mercado físico brasileiro e um câmbio mais valorizado, em um ambiente que começa a incorporar a transição para a safra 2026/27 no Brasil. O movimento refletiu uma combinação de fatores: melhora das cotações em Nova York, sinais de oferta restrita para cafés de melhor qualidade no curto prazo e aumento da influência do cenário macroeconômico sobre custos e expectativas.
Em Nova York, o contrato de julho/26 do café arábica fechou a semana em 302,35 centavos de dólar por libra-peso, consolidando uma alta relevante no período e sinalizando um processo de recuperação após oscilações recentes. O comportamento do contrato incluiu teste de máximas e reforçou o caráter técnico do mercado, que passou a observar com mais atenção zonas de resistência e suporte.
Já em Londres, o contrato de julho/26 encerrou cotado a USD 3.664 por tonelada. Apesar de os preços permanecerem sustentados, o mercado externo começou a precificar a entrada da safra brasileira de conilon 2026/27, fator que pode ampliar a oferta no curto prazo e limitar movimentos de alta mais expressivos, especialmente para os robustas/conilon.
O dólar apresentou volatilidade ao longo da semana e chegou a ser negociado na faixa de R$ 5,18. Após decisões de política monetária, a moeda americana ganhou força frente ao real. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve a taxa de juros no intervalo de 3,50% a 3,75% ao ano. No Brasil, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano.
Esse conjunto de fatores contribuiu para o fechamento do câmbio em R$ 5,3117, movimento que, combinado à alta em Nova York, reforçou a sustentação do mercado físico no Brasil.
No mercado disponível, os negócios com café arábica tipo 6 voltaram a ocorrer acima de R$ 2.100 e também na faixa de R$ 2.150 por saca. A leitura predominante é de oferta restrita de cafés de melhor qualidade durante o período de entressafra, o que limita a disponibilidade e contribui para a firmeza das negociações.
Para operações futuras, as indicações contra setembro/26 e setembro/27 também voltaram a operar acima de R$ 1.700 por saca, sinalizando uma recomposição parcial da curva e uma tentativa do mercado de equilibrar expectativas de oferta, custos e prêmio de risco.
Destaque: a combinação entre alta em Nova York e câmbio mais forte voltou a sustentar o mercado físico brasileiro, especialmente para cafés com melhor padrão de qualidade.
No conilon, o mercado conseguiu sustentar o piso em torno de R$ 950 por saca. Mesmo com a alta do arábica em Nova York na sexta-feira, Londres não refletiu o mesmo impulso na mesma intensidade. No mercado interno, as negociações seguiram em uma faixa aproximada entre R$ 1.025 e R$ 1.100 por saca, reforçando um ambiente de preços ainda firmes.
Do lado do escoamento, as indicações do setor apontam que o Brasil deve manter um ritmo consistente de embarques. Para março/26, as projeções indicam exportações entre 2,80 e 3,00 milhões de sacas, reforçando a continuidade de um fluxo relevante mesmo em um ambiente de preços elevados e de transição de safra.
Indicador Referência Leitura de mercado Exportações (março/26) 2,80 a 3,00 milhões de sacas Fluxo segue relevante mesmo com preços altos Conilon 2026/27 Entrada de safra no radar Oferta adicional pode limitar altas mais fortes Mercado físico (arábica) Patamares acima de dois mil reais Entressafra e qualidade sustentam preços
O cenário macroeconômico passou a exercer influência mais direta nas últimas semanas. A alta do petróleo, impulsionada por tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, elevou a atenção do mercado para riscos inflacionários globais. A valorização do barril, saindo de patamares próximos de USD 60 para uma faixa entre USD 100 e USD 110, reacendeu preocupações com custos logísticos e de produção.
Já são observados reflexos como aumento de fretes marítimos, reconfiguração de rotas e expectativa de elevação nos preços de fertilizantes e insumos agrícolas. No mercado interno, a alta do diesel e a preocupação com o custo de mão de obra no início da colheita reforçam a tendência de aumento do custo de produção, tanto no Brasil quanto em outros países produtores.
Logística: fretes em alta e ajustes de rotas marítimas.
Insumos: pressão potencial em fertilizantes e custos agrícolas.
Campo: diesel e mão de obra ampliam o custo no início da colheita.
Do ponto de vista técnico, o contrato julho/26 em Nova York passou a encontrar resistência na região de 317 centavos de dólar por libra-peso, nível associado à média móvel de longo prazo observada pelo mercado. Um rompimento consistente dessa faixa, especialmente sob um cenário de risco climático, como geadas entre junho e agosto/26, poderia abrir espaço para uma movimentação em direção a 350 centavos de dólar por libra-peso.
No curto prazo, os principais pontos de suporte observados para o arábica em Nova York estão em torno de 300, 291 e 273 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o contrato julho/26 encontra resistências em USD 3.700 e USD 3.870 por tonelada, enquanto os suportes passam a ser monitorados em USD 3.490 e USD 3.354 por tonelada.
Leitura técnica: resistências e suportes se tornaram referências centrais para o mercado, em um período de transição de safra e aumento de incertezas macroeconômicas.
O quadro geral indica um mercado que permanece estruturalmente firme, sustentado por fatores de oferta, pelo câmbio e por um ambiente macro mais desafiador. A entrada da safra brasileira adiciona um elemento de atenção nas próximas semanas, mas ainda sem alterar de forma significativa o cenário de suporte, especialmente para o arábica. Ao mesmo tempo, a elevação dos custos ao longo da cadeia tende a reforçar esse suporte no médio prazo.

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