
Os preços da carne de frango seguem em queda nas principais praças monitoradas, pressionados por demanda doméstica enfraquecida e por incertezas no cenário internacional que têm alimentado especulações no mercado. A avaliação é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que aponta também um efeito direto desse movimento: a competitividade do frango vem crescendo em relação às proteínas concorrentes, especialmente carne suína e carne bovina.
Em um contexto de preços mais baixos, o frango tende a ganhar espaço no orçamento das famílias e nas estratégias de compra de distribuidores e varejistas, reforçando seu papel como uma proteína de maior acesso em momentos de consumo mais cauteloso.
No atacado da Grande São Paulo, o frango resfriado foi negociado a uma média de R$ 6,73 por quilo na parcial de março (até o dia 18). O valor representa recuo de 5,2% em relação a fevereiro e configura o menor patamar desde julho de 2023 em termos reais, considerando o ajuste pela inflação medida pelo IPCA de fevereiro.
Segundo pesquisadores, a combinação entre consumo interno lento e um ambiente externo mais incerto tem limitado reações de preço no curto prazo. Com isso, a cadeia avícola observa maior sensibilidade às variações de demanda, especialmente no atacado, onde o ritmo de reposição pode se tornar mais conservador quando há cautela do mercado.
Destaque: A parcial de março indica que a carne de frango vem operando em um nível de preços que amplia sua atratividade frente a outras proteínas, especialmente em períodos de consumo doméstico mais contido.
O Cepea atribui a pressão baixista, principalmente, à fraca demanda no mercado interno. Em paralelo, o setor acompanha com atenção as incertezas geradas pelo conflito no Oriente Médio, região considerada um destino relevante para as exportações brasileiras de carne de frango.
Ainda que a exportação seja um importante canal de escoamento, mudanças na percepção de risco e oscilações nas expectativas podem afetar decisões de compra e de formação de estoques ao longo da cadeia. Esse ambiente tende a aumentar a volatilidade, mesmo quando os fundamentos de oferta e demanda permanecem relativamente estáveis.
Consumo interno: ritmo mais lento reduz poder de reação dos preços.
Mercado externo: cenário geopolítico eleva incertezas e alimenta especulações.
Atacado: reposição pode ficar mais cautelosa em momentos de maior insegurança.
No comparativo com a carne suína, o estudo indica que, embora os preços do suíno também estejam em queda, as desvalorizações observadas no frango têm sido mais intensas. Na prática, isso tende a aumentar a diferença de preços entre as duas proteínas e reforçar o apelo do frango para consumidores e compradores institucionais que priorizam custo.
Esse movimento pode influenciar tanto decisões do consumidor final quanto estratégias de mix de produtos no varejo e no food service, à medida que a carne de frango se torna uma alternativa mais competitiva no curto prazo.
A comparação com a carne bovina é considerada ainda mais favorável à avicultura. De acordo com o Cepea, enquanto o frango registra queda, os preços da carcaça casada bovina seguem em alta. Esse descompasso amplia a vantagem relativa do frango no mercado, sobretudo em períodos em que a renda disponível limita escolhas de consumo.
Para o setor, a diferença de trajetória entre as proteínas pode se traduzir em maior participação do frango nas compras do atacado e na preferência do consumidor, dependendo da evolução da demanda e das condições de abastecimento.
Indicador Resultado Leitura Preço do frango resfriado (atacado, Grande SP) R$ 6,73/kg Parcial de março até o dia 18 Variação frente a fevereiro Queda de 5,2% Pressão de demanda interna fraca Menor patamar real Desde julho de 2023 Deflacionado pelo IPCA de fevereiro Comparativo com carne suína Frango cai mais Aumenta competitividade do frango Comparativo com carne bovina Boi em alta Cenário ainda mais favorável à avicultura
Para as próximas semanas, agentes do setor devem acompanhar a evolução do consumo doméstico e os desdobramentos do cenário internacional, que pode alterar expectativas sobre o ritmo das exportações. No curto prazo, a manutenção de preços mais baixos pode continuar favorecendo a substituição de proteínas, ampliando a presença do frango nas compras de famílias e empresas.
Ao mesmo tempo, a velocidade de reação do mercado tende a depender do equilíbrio entre produção, escoamento e comportamento de compra ao longo da cadeia. Caso a demanda interna não apresente recuperação consistente, a pressão sobre as cotações pode persistir, ainda que o frango continue ganhando vantagem competitiva frente ao suíno e, principalmente, ao boi.
Em síntese: a queda do frango no atacado, combinada ao encarecimento da carne bovina e à queda menos intensa do suíno, reforça a competitividade da proteína de aves e pode influenciar o comportamento de consumo no curto prazo.

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