
O governo do Rio Grande do Sul lançou, nesta terça-feira (10/3), a terceira fase do Programa Irriga+RS, iniciativa que amplia o apoio financeiro ao produtor rural para implantação e ampliação de projetos de irrigação. A principal mudança é o aumento do teto de subvenção para até R$ 150 mil por produtor, mantendo o benefício em 20% do valor total do projeto.
O anúncio foi realizado durante a 26ª Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque, com a presença do governador Eduardo Leite, do vice-governador Gabriel Souza e do secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Edivilson Brum. Além do reforço financeiro, o Estado apresentou uma nova ferramenta digital: o Portal Irriga+RS, criado para tornar o processo mais ágil e transparente por meio do envio digital de projetos.
A terceira fase do programa tem como objetivo central mitigar os efeitos da estiagem, ampliar a reserva de água e aumentar a área irrigada no Estado. A estratégia busca elevar a produtividade de culturas agrícolas e aproximar o Rio Grande do Sul da autossuficiência de grãos, com atenção especial ao milho, insumo-chave para cadeias como proteína animal e agroindústria.
Eduardo Leite destacou que investir em irrigação é apostar em estabilidade e produtividade: “Estamos ampliando um programa que já demonstrou resultados importantes. Investir em irrigação é investir em segurança para o produtor, em produtividade e na estabilidade da nossa produção agrícola. O Estado entra como parceiro para estimular esses investimentos e fortalecer ainda mais o agronegócio gaúcho.”
Nesta etapa, o governo estadual vai pagar ao produtor rural uma subvenção em parcela única, liberada após a execução do projeto e a apresentação de documentação comprobatória, incluindo laudos de conclusão e notas fiscais. O investimento pode ser realizado com recursos próprios ou financiamento bancário, e o reembolso parcial ocorre somente depois da finalização do sistema implantado.
O programa é voltado a produtores rurais pessoas físicas e pretende apoiar diferentes soluções para enfrentar períodos de baixa disponibilidade hídrica, contemplando:
Implantação ou ampliação de sistemas de irrigação por aspersão, localizada ou por sulcos;
Construção, adequação ou ampliação de reservatórios de água para irrigação.
Outra novidade é o início do Portal Irriga+RS, que permitirá o cadastro e envio de projetos de forma digital. A expectativa do governo é reduzir burocracias, melhorar o acompanhamento do andamento dos pedidos e dar mais clareza às etapas de avaliação técnica.
Os projetos poderão ser encaminhados a partir de quarta-feira (11/3) e o prazo de submissão vai até 30 de outubro de 2026. Produtores que participaram das fases 1 e 2 poderão se inscrever novamente, desde que o novo pedido seja referente a uma nova área irrigada.
Segundo o secretário Edivilson Brum, o Rio Grande do Sul ainda tem uma participação limitada de irrigação em áreas de sequeiro, com cerca de 4% irrigados. Para o governo, ampliar esse percentual é essencial para reduzir riscos climáticos, manter produção estável e proteger a renda do produtor.
Brum reforçou que o Estado tem potencial para crescer em tecnologia e planejamento hídrico: “Ampliar a irrigação é fundamental para dar mais segurança ao produtor rural, reduzir os riscos provocados por períodos de estiagem e garantir maior estabilidade na produção.”
E completou: “Com mais áreas irrigadas, conseguimos aumentar a produtividade, proteger a renda do produtor e fortalecer ainda mais o agronegócio gaúcho.”
O edital e o manual operacional da fase 3 serão publicados em 11/3, com a lista de documentos exigidos e orientações de envio. Na prática, o programa segue uma sequência de etapas técnicas e administrativas. Veja o fluxo:
O produtor interessado procura um técnico habilitado responsável pelo projeto.
O técnico elabora e cadastra o projeto de irrigação no portal do programa.
A equipe técnica da secretaria analisa os documentos e emite a Declaração de Enquadramento.
O produtor executa o projeto com recursos próprios ou financiamento bancário.
Após a execução, o produtor apresenta notas fiscais e demais documentos para receber a subvenção.
Antes da ampliação anunciada agora, o programa teve duas etapas anteriores, com tetos menores: até R$ 15 mil na fase 1 e até R$ 100 mil na fase 2. Somadas, as duas fases resultaram na aprovação de 1.297 projetos, com potencial de subvenção estimado em R$ 61 milhões.
No conjunto desses projetos, a área irrigada teve aumento de aproximadamente 25 mil hectares, enquanto o investimento total dos produtores chegou a cerca de R$ 450,7 milhões, indicando forte demanda por medidas de adaptação climática e modernização produtiva.
Finalidade Participação Grãos (milho, soja e outros) 57% Pastagem e pecuária 24% Fruticultura 11% Olericultura 7% Outros 1%
A distribuição regional dos projetos evidencia concentração em áreas com forte presença do agronegócio e necessidade de estratégias de segurança hídrica. Entre as regiões que mais apresentaram projetos, destacam-se:
Alto Uruguai (29%)
Noroeste/Missões (25%)
Nordeste/Serra (15%)
Fronteira Oeste (14%)
Região Central/Metropolitana (12%)
Campanha/Zona Sul (5%)
Com o novo limite de subvenção e a digitalização do envio de projetos, o governo gaúcho espera acelerar a expansão de áreas irrigadas e consolidar medidas estruturais contra a estiagem. A fase 3 do Irriga+RS se posiciona como uma política de resiliência climática e modernização agrícola, com impacto direto sobre produtividade, estabilidade de colheita e planejamento de longo prazo no campo.
Em destaque: a ampliação para até R$ 150 mil pode viabilizar projetos de maior porte, especialmente quando combinados com financiamento e planejamento técnico, fortalecendo a segurança hídrica e a competitividade da produção rural no Rio Grande do Sul.
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No Brasil, a agricultura irrigada ocupa 8,2 milhões de hectares e pode crescer até 40% até 2040, com projeções que podem ser revistas; o país detém 12% da água doce de superfície do mundo. A chuva continua definindo ganhos e perdas nas safras, dependendo das regiões produtoras, e a água permanece como fonte de....

Resumo: Brasil e Espanha avançam na cooperação em irrigação, gestão sustentável da água e desenvolvimento regional, por meio do Memorando de Entendimentos assinado entre o MIDR e o Ministério da Agricultura espanhol em 2025. O secretário nacional de Segurança Hídrica do MIDR, Giuseppe Vieira, lidera uma delegação com representantes da ANA para intercâmbio de conhecimentos, visitas técnicas a áreas irrigadas e centros de pesquisa na Andaluzia, visando aprender boas práticas, entender marcos regulatórios e fortalecer capacidades institucionais. A missão incluiu visitas ao perímetro irrigado Genil-Cabra, à Comunidade de Irrigantes de Santaella, ao CENTA e à Universidade de Córdoba, com foco em soluções como reutilização de água e uso de gêmeos digitais na agricultura. O objetivo é compartilhar práticas brasileiras, atrair cooperação e investimentos, além de discutir políticas públicas de gestão da água e planejamento hidrológico; a missão será concluída com reunião no Ministério da Agricultura da Espanha.