
China avança nas vendas externas de frango e Paraná reforça liderança na avicultura brasileira
Dados de 2025 e projeções para 2026 mostram o Paraná como protagonista na cadeia de frango no Brasil e a China ampliando participação nas exportações mundiais, com análises sobre complementariedade e possíveis pressões futuras no mercado.
China avança nas vendas externas de frango e Paraná reforça liderança na avicultura brasileira
O cenário internacional da carne de frango ganha novos contornos com a consolidação da China como player exportador e a manutenção do Brasil na liderança mundial. Ao mesmo tempo, o Paraná se destaca como o principal polo produtivo e embarcador do produto no país, segundo números oficiais.
Desempenho paranaense em 2025
De acordo com o IBGE, o Paraná respondeu por cerca de 34% da produção brasileira de carne de frango em 2025. No mesmo ano, a participação do estado nas exportações nacionais do item chegou a 41%.
O abate de aves no território paranaense somou 2,29 bilhões de cabeças ao longo de 2025. Esse volume superou o registrado em 2024, quando foram processadas 2,23 bilhões de aves. O incremento correspondeu a 67 milhões de cabeças.
No primeiro semestre de 2026, o Porto de Paranaguá concentrou 47,3% dos embarques de frango originados no Paraná.
Posição brasileira e projeção de volumes
O Brasil permanece como o maior exportador mundial de carne de frango. A expectativa é de que o país envie ao exterior cerca de 5,2 milhões de toneladas do produto em 2026.
Expansão chinesa no mercado global
A China elevou em 41% suas exportações de carne de frango em 2025, conforme o USDA. Para 2026, a mesma fonte projeta que o país asiático embarque 1,4 milhão de toneladas. Com isso, a participação chinesa nas exportações mundiais do item deve alcançar 9,5% no ano.
Atualmente, a China ocupa a terceira posição no ranking global de exportadores de carne de frango.
Nos últimos 12 meses, o peito de frango representou 22% do volume total exportado pela China.
Destinos das vendas brasileiras em junho
Dados da ABPA referentes a junho (no contexto de 2026) apontam a China como o principal comprador da carne de frango brasileira naquele mês, com 50,1 mil toneladas importadas. Na sequência aparecem o Japão (46,6 mil toneladas), os Emirados Árabes Unidos (46,2 mil toneladas), a Arábia Saudita (33,1 mil toneladas) e a União Europeia (28 mil toneladas).
Participação nos embarques nacionais e visão setorial
Considerada isoladamente, a China responde por cerca de 11% das exportações brasileiras de carne de frango, segundo Caroline Pereira da Costa, técnica do Departamento Técnico e Econômico do Sistema FAEP. Já o conjunto dos países do Oriente Médio representa aproximadamente 30% dos embarques nacionais.
A mesma especialista observa que a expansão da avicultura chinesa prioriza o abastecimento interno e a exportação do excedente, como parte de uma estratégia de segurança alimentar do governo chinês. Na avaliação dela, a relação entre Brasil e China ainda se mostra mais complementar do que competitiva.
Uma análise recente do BTG Pactual indica que, caso a China mantenha o ritmo de expansão da produção e continue conquistando acesso a novos mercados, o país poderá se tornar um concorrente estrutural relevante para os exportadores brasileiros no médio e longo prazo. Isso poderia pressionar preços e reduzir parte da vantagem competitiva do Brasil.
Os números de produção e abate no Paraná, combinados com as projeções de embarques brasileiros e o avanço chinês, desenham um quadro de atenção para a cadeia avícola nacional, especialmente no estado que lidera a atividade.




