
A colheita de café no Brasil alcançou 76% do volume esperado até o fim de julho de 2026, conforme dados do Rabobank. O avanço do arábica ficou em 65% no mesmo período, enquanto o robusta (conilon) já atingia 98%.
No mercado de exportação, o Brasil embarcou 3,06 milhões de sacas de café em junho de 2026. O volume ficou próximo ao de maio, quando as vendas externas somaram 3,09 milhões de sacas, e superou os 2,61 milhões de sacas registrados em junho de 2025. O atraso da colheita afetou o ritmo dos embarques. No acumulado de janeiro a junho de 2026, as exportações brasileiras totalizaram 17,8 milhões de sacas, abaixo das 19,4 milhões de sacas do mesmo intervalo de 2025.
Em julho de 2026, a média do preço do contrato de café arábica negociado na ICE, em Nova York, ficou em US$ 3,29 por libra-peso. O contrato encerrou o mês cotado a US$ 3,32 por libra-peso. No mercado físico brasileiro, o café Cerrado Peneira 6 fechou o período a R$ 1.767 por saca, e o Sul de Minas Tipo 6 a R$ 1.716 por saca.
As condições climáticas marcaram o mês com precipitações acima da média histórica em praças produtoras. Guaxupé (MG) acumulou 54 mm de chuva em julho, ante média de 18 mm. Manhuaçu (MG) registrou 49 mm, contra média de 12 mm. Três Pontas (MG) teve 24 mm, também acima da média histórica de 12 mm, e Franca (SP) acumulou 38 mm, frente à média de 12 mm.
No campo da política comercial, os Estados Unidos tarifaram em 25% produtos como etanol e açúcar orgânico em julho de 2026, sem aplicar tarifas ao café.

O fortalecimento do El Niño no segundo semestre de 2026 amplia a vigilância sobre a safra de arroz no Mercosul. Segundo o analista Sergio Cardoso, o fenômeno eleva a chance de primavera chuvosa e pode afetar preparo, irrigação, manejo e qualidade dos grãos em diferentes países da região.

As condições climáticas favoráveis e as chuvas nos Estados Unidos pressionaram em queda os contratos futuros de soja na Bolsa de Chicago no início de agosto de 2026. No Brasil, a valorização dos prêmios de exportação e a demanda aquecida limitam o repasse das baixas e sustentam os preços no mercado físico.

China intensifica compras de soja dos EUA na primeira semana de agosto de 2026, com aquisições diárias reportadas pelo USDA e pela Bloomberg, totalizando cerca de 1,5 milhão de toneladas em quatro dias, como parte do acordo de trégua comercial que prevê 25 milhões de toneladas anuais até 2028.

A próxima safra brasileira começa sob um cenário que deve exigir dos produtores mais do que boas condições climáticas. Depois de um ciclo marcado pela recuperação da produção agrícola, o agronegócio inicia a temporada 2026/27 diante de um ambiente em que produtividade continuará sendo importante, mas eficiência passará a ser determinante para preservar a rentabilidade das propriedades.
Toda vez que um fenômeno climático extremo ameaça o país, a discussão segue um roteiro conhecido. Especialistas projetam os efeitos sobre a produção agrícola, analistas revisam estimativas para a safra e produtores tentam calcular o tamanho do prejuízo. Desta vez não é diferente. A possibilidade cada vez maior de um Super El Niño já mobiliza o agronegócio e reacende preocupações sobre a temporada 2026/27.