
Compras de soja brasileira pela China caem para menos de cinco cargas em duas semanas
As aquisições comerciais de soja brasileira pela China caíram para menos de cinco cargas nas últimas duas semanas, pressionadas por margens negativas no esmagamento chinês e pelo avanço do cumprimento de metas de compra de soja norte-americana.
As compras comerciais de soja brasileira pela China registraram uma desaceleração recente, somando menos de cinco cargas nas últimas duas semanas, segundo informações de traders familiarizados com o assunto. O fluxo atual reflete uma queda expressiva em comparação com agosto, quando a média semanal de aquisições comerciais do grão brasileiro pelos chineses era de cerca de 20 cargas.
A retração ocorre em um momento em que os elevados preços da soja brasileira reduzem as margens de lucro da indústria de esmagamento na China. Segundo dados da consultoria Mysteel, as processadoras chinesas enfrentam prejuízos de cerca de 150 yuans por tonelada — o equivalente a US$ 22,30 por tonelada — para a soja do Brasil com embarque em novembro. A margem negativa se amplia para as entregas de dezembro, cujas perdas no processamento atingem cerca de 470 yuans por tonelada.
No mercado físico FOB, a soja brasileira com embarque em novembro pelo porto de Paranaguá era negociada com um prêmio de US$ 1,35 por bushel sobre os contratos futuros da Bolsa de Chicago, aponta a Stag International. Diante disso, o grão brasileiro se posicionou como mais caro do que as cargas norte-americanas embarcadas no Golfo do México, consequência de uma oferta interna mais restrita gerada pelas grandes vendas efetuadas pelo Brasil em agosto.
Do lado da oferta nacional, a consultoria AgRural informa que mais de 91% da safra velha de soja já foi comercializada no país, superando a média histórica de cinco anos para o período, que é de 88%. Esse avanço na comercialização ocorreu após fortes volumes de vendas registrados quando as cotações futuras em Chicago dispararam em agosto. Diante deste cenário, os produtores rurais brasileiros mantêm o restante de seus estoques retidos na expectativa de alcançar preços mais elevados.
Simultaneamente, Pequim trabalha para cumprir a meta de adquirir pelo menos 25 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos por ano até 2028, estabelecida em acordo comercial bilateral. Com o objetivo de cumprir o compromisso estipulado, empresas estatais chinesas intensificaram suas aquisições do produto norte-americano, registrando vendas que superaram a metade dessa meta anual logo no início do mês de referência.




