A escassez de vacinas contra clostridioses tornou-se um problema urgente para a pecuária brasileira e já afeta Minas Gerais e outros estados. O cenário foi agravado após a saída de uma empresa que concentrava cerca de 40% do mercado desse tipo de imunizante, comprometendo o abastecimento nacional e elevando o risco de perdas produtivas e sanitárias nos rebanhos.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) informou que mantém tratativas com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para acelerar a recomposição dos estoques e reduzir os impactos do desabastecimento no campo. A falta do produto ocorre justamente em um momento em que a vacinação é considerada a principal estratégia de prevenção contra doenças clostridiais, frequentemente graves e letais.
Durante a Expozebu, realizada em Uberaba, no Triângulo Mineiro, a Comissão Nacional de Bovinocultura de Corte da CNA discutiu o tema com o Sindicato da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan). O sindicato afirmou que outras indústrias estão ampliando a capacidade produtiva para atender à demanda emergencial. Ainda assim, a expectativa do setor é que a normalização do fornecimento ocorra apenas no segundo semestre.
“A regularização tende a ocorrer no segundo semestre, após a ampliação da produção para atender à demanda emergencial.”
As clostridioses reúnem um grupo de doenças infecciosas causadas por bactérias do gênero Clostridium, que se desenvolvem em ambientes com pouco oxigênio. Esses microrganismos podem estar presentes no solo, na água e no intestino dos animais, produzindo toxinas potentes capazes de provocar quadros súbitos, com evolução rápida e alta letalidade, especialmente em ruminantes.
Entre os exemplos mais conhecidos estão botulismo, tétano, manqueira, carbúnculo e enterotoxemia. Em muitos casos, o impacto vai além da mortalidade: há perdas de desempenho, queda de produtividade e aumento de custos com manejo e reposição de animais.
Em destaque: a vacinação é apontada como a principal barreira contra surtos, mas a falta do imunizante exige atenção redobrada às medidas de prevenção dentro das propriedades.
Diante do desabastecimento, o Sistema Faemg Senar tem orientado pecuaristas a reforçar as boas práticas de manejo para mitigar o risco de ocorrência das doenças. A recomendação é tratar o período como um momento de prevenção reforçada, reduzindo fatores de exposição e vulnerabilidades do rebanho.
Suplementação mineral e alimentar adequada, evitando carências nutricionais que podem aumentar a suscetibilidade.
Descarte correto de carcaças, reduzindo a contaminação ambiental e o risco de botulismo.
Priorizar animais ainda não vacinados quando houver disponibilidade limitada, respeitando a orientação técnica e o protocolo sanitário.
Especialistas do setor reforçam que, sem a vacina, medidas de manejo ganham ainda mais peso, já que muitas clostridioses podem se instalar rapidamente e gerar perdas expressivas antes mesmo de uma resposta terapêutica ser possível.
Em nota oficial, o Mapa informou que o atual desabastecimento está relacionado principalmente a decisões mercadológicas de fabricantes que descontinuaram a produção e a comercialização dessas vacinas entre o fim de 2025 e janeiro deste ano. Com a redução abrupta da oferta, o mercado não conseguiu suprir imediatamente a demanda, pressionando estoques e distribuidores.
Para reduzir impactos, o ministério afirmou que tem atuado junto à indústria de insumos veterinários para estimular a ampliação da fabricação e também das importações. Além disso, o Mapa declarou que trabalha para agilizar procedimentos de fiscalização e liberação das vacinas, com o objetivo de acelerar o retorno do abastecimento ao ritmo necessário para atender as propriedades rurais.
O quadro atual reforça a importância de planejamento sanitário e de uma cadeia de suprimentos mais resiliente para produtos estratégicos. Com a expectativa de regularização apenas no segundo semestre, o setor produtivo permanece em estado de alerta, acompanhando as medidas de recomposição de oferta e a evolução da capacidade industrial.
Ponto-chave Situação Origem do desabastecimento Saída de fabricante e descontinuação de produção por decisões de mercado Impacto Oferta reduzida no país e maior risco sanitário em rebanhos Resposta do setor Ampliação da capacidade de produção por outras indústrias Previsão de regularização Segundo semestre Ações do governo Estímulo à fabricação e importações; aceleração de fiscalização e liberação
Enquanto o abastecimento não se normaliza, a recomendação é manter protocolos de biossegurança e manejo preventivo como prioridade, reduzindo fontes de contaminação e fortalecendo a saúde do rebanho para enfrentar um período de maior vulnerabilidade sanitária.

Resumo: O mercado de pecuária brasileiro está em cautela após dados do Ministério do Comércio Chinês mostrarem que o Brasil já atingiu metade da cota de exportação de carne bovina para 2026, fixada em 1,106 milhão de toneladas, com previsão de alcance já em junho. Se a cota não for ampliada, o excedente da produção pode enfrentar uma tarifa de salvaguarda de 55% para entrar na China, forçando o escoamento para o mercado interno e pressionando os preços. Analistas apontam que a arroba do boi gordo deve recuar no segundo semestre, com a cotação próxima de R$ 346,50 sob pressão. Em resposta, entidades buscam diversificar mercados, ampliando vendas para a Europa e outros países asiáticos que demandam o produto brasileiro, ainda que em volumes menores que a China. Cotas de Exportação 2026 (China): Brasil 1.106.000 t; Argentina 511.000 t; Uruguai 324.000 t. Mesmo com a cautela, o consumidor pode sentir alívio nos preços nos açougues caso o volume seja redirecionado para o mercado interno. Sobre a Salvaguarda Chinesa: o teto regula o mercado interno; volumes que excedem o limite pagam 55% de tarifa adicional; a medida vale até o final de 2028, com pequenos aumentos anuais na cota. O texto encerra questionando se a queda de preço chegará à mesa do consumidor mato-grossense ou se custos logísticos manterão os valores estáveis, além de como o pecuarista deve se preparar para esse cenário.

A palma forrageira tem ganhado espaço em Minas Gerais, principalmente no Norte de Minas, como alternativa de alimentação do rebanho diante das secas. A 4ª edição do Palmatech ocorre até 7 de maio, em Janaúba e Nova Porteirinha, promovida pela Epamig, com o SimPalma e o PalmaDay no Campo Experimental de Gorutuba. A expectativa é de mais de 200 participantes; os painéis abordarão uso da palma na alimentação animal, formas de cultivo e manejo, desafios e pesquisas em andamento.armazenem a palma por tempo indeterminado, assegurando alimentação caso haja escassez.

Resumo: A FIAPE (Feira Internacional de Agropecuária de Estremoz), em sua 38ª edição, ocorre até domingo, 3 de maio, no Parque de Feiras e Exposições de Estremoz. A organização é da Câmara Municipal, com o apoio da Associação de Criadores de Gado de Estremoz (ACORE). O destaque é o setor agropecuário, com cerca de mil animais em exposição, principalmente bovinos e ovinos. Segundo Manuel Ramalho, presidente da ACORE, a FIAPE é um espaço importante de promoção, troca e venda entre criadores; se houvesse mais espaço, haveria mais animais. Participam produtores de norte a sul do país, além de representantes estrangeiros.

A JBJ Agropecuária, controlada por José Batista Júnior (Júnior Friboi), formalizou a aquisição da Fazenda Conforto, em Nova Crixás (GO), proprietária de um dos maiores confinamentos de gado bovino do país. Júnior Friboi é irmão de Wesley e Joesley Batista, controladores da JBS. O texto também cita a expansão de uma unidade de bovinos pela Próxima MBRF no Uruguai, além de promover conteúdos sobre Valor One e ferramentas de mercado.

Em abril, o mercado futuro do boi gordo segue em forte queda, com os contratos de vencimento mais próximos precificando valores menores, especialmente para julho e além. O mercado físico (Datagro) apresentou leve recuo, enquanto a referência em 17 de abril ficou em R$364,3 por arroba, alta de 2,3% frente a março e 14,4% acima de 2025.