
Rondônia: safra de café 2026 deve crescer com produtividade recorde, segundo Conab, enquanto preços das commodities pressionam a rentabilidade
Em 2026, Rondônia deve mostrar recuperação da cafeicultura após perdas climáticas e renovação de lavouras, com a Conab estimando 2,7 milhões de sacas de 60 kg e produtividade média de 63,6 sacas/ha, a maior do país.
Rondônia projeta recuperação do café em 2026, mas queda de preços limita renda no campo
A produção de café em Rondônia deve voltar a crescer em 2026, após dois anos marcados por perdas climáticas e renovação de lavouras. A melhora no volume, porém, não deve se refletir integralmente na renda do produtor, em razão da pressão sobre os preços das principais commodities e de um ambiente de mercado mais desafiador para diferentes cadeias do agronegócio estadual.
De acordo com o primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita de café no estado é estimada em 2,7 milhões de sacas de 60 quilos. A projeção inclui uma produtividade média de 63,6 sacas por hectare, indicador apontado como o mais elevado do País, reforçando o papel de Rondônia como referência em eficiência produtiva na cafeicultura.
Safra de grãos cresce, mas avanço é moderado
O desempenho do café ocorre em um cenário de crescimento moderado da produção agrícola em Rondônia. A safra de grãos 2025/26 deve alcançar 5,6 milhões de toneladas, com alta de 3,1% em relação ao ciclo anterior. A área plantada também cresce, com expansão de 2,8%, chegando a aproximadamente 1,3 milhão de hectares.
As informações integram o Informativo Agropecuário de Rondônia, elaborado pela Embrapa Rondônia com base em levantamentos oficiais. O panorama reforça uma tendência já observada no estado: a produção avança, mas o resultado econômico nem sempre acompanha o aumento do volume colhido.
Principais números da safra (projeções)
Indicador Estimativa Destaque Café 2,7 milhões de sacas (60 kg) Produtividade média de 63,6 sacas/ha Grãos (safra 2025/26) 5,6 milhões de toneladas Alta de 3,1% Área plantada (grãos) ~1,3 milhão de hectares Expansão de 2,8%
Soja lidera e consolida expansão no Norte
A soja segue como a principal cultura do estado, com área estimada em 716,9 mil hectares e produção prevista de 2,7 milhões de toneladas. O avanço consolida o movimento de expansão da oleaginosa na Região Norte, fortalecendo a presença de Rondônia no mapa da produção nacional.
Apesar do protagonismo da soja, outras culturas enfrentam retrações relevantes, ilustrando a mudança de perfil do campo e a adaptação dos produtores às condições de mercado.
Arroz recua com perda de atratividade econômica
Um dos destaques negativos é o arroz. A produção deve cair 42%, para 94,2 mil toneladas. A retração está associada à perda de atratividade econômica após um período marcado por preços deprimidos e estoques elevados, o que limita margens e desestimula a manutenção da área.
Leitura do mercado: mesmo com avanços em produtividade e volume, o fator determinante para a renda no campo tem sido o preço — e não apenas a quantidade produzida.
Produtores ajustam área e buscam culturas mais rentáveis
O movimento de expansão da soja e retração do arroz expõe uma reconfiguração produtiva. Em meio a margens pressionadas, produtores têm migrado para culturas consideradas mais rentáveis ou reduzido áreas onde os custos e riscos se tornaram menos competitivos.
O mesmo cenário se repete em outras cadeias. Produtos como cacau e café enfrentam queda de preços no mercado internacional, influenciados pela recuperação da oferta global. Já no setor de leite, o aumento da produção interna contribui para um quadro de excesso de oferta, reduzindo a rentabilidade da atividade.
O que está por trás da pressão sobre a renda
Recuperação de oferta global em algumas commodities
Preços internacionais em queda para produtos como café e cacau
Excesso de produção interna no leite, com impacto direto nas margens
Custos ainda elevados, reduzindo o ganho real mesmo com maior volume
Banana avança; mandioca segue em retração
Em meio ao desempenho heterogêneo, algumas culturas mostram reação. A banana deve ampliar a área plantada em 5,6% e a produção em 5,7%. Já a mandioca mantém trajetória de recuo, com redução de 4% na área cultivada.
O quadro reforça que o produtor está cada vez mais dependente do equilíbrio entre mercado e custo, ajustando decisões de plantio conforme perspectivas de preço e demanda.
Pecuária cresce e sustenta volume, mas valor recua
Na pecuária, Rondônia mantém um ritmo de crescimento. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam abate de 2,7 milhões de bovinos nos três primeiros trimestres de 2025, aumento de 9,4% na comparação anual. A produção alcançou 654,4 mil toneladas em carcaça, reforçando o peso do estado no fornecimento de proteína animal.
A produção de leite também avançou, chegando a 405,6 milhões de litros, alta de 2,3%. Ainda assim, o maior volume não garante melhor resultado financeiro em um cenário de preços mais pressionados.
VBP deve cair em 2026, apesar do aumento de produção
Mesmo com o avanço de produção em diferentes frentes, o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) de Rondônia deve recuar 0,9% em 2026, para R$ 30,2 bilhões. O dado resume o momento do agro local: mais volume e menor valor, em grande parte por conta da queda de preços e da manutenção de custos em patamares elevados.
Exportações mantêm relevância, mas exigem eficiência
No mercado externo, o estado preserva relevância com exportações de carne bovina in natura, soja e milho, que somaram cerca de US$ 2,7 bilhões nos dez primeiros meses de 2025. O desempenho mostra a força do setor, mas também evidencia o desafio do produtor em um ambiente de maior oferta mundial.
Para sustentar rentabilidade, a tendência é de que a competitividade dependa cada vez mais de eficiência produtiva, gestão de custos e gestão de risco — e menos apenas de ampliar a produção.
Com a recuperação do café prevista para 2026 e o crescimento da pecuária, Rondônia deve seguir ampliando o volume agropecuário. No entanto, a trajetória de renda no campo continuará condicionada ao comportamento dos preços e à capacidade de adaptação do produtor às mudanças no mercado.




