
O El Niño está presente no Oceano Pacífico Equatorial e, segundo projeções do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), deve persistir até o verão de 2026/2027.
No Tocantins, o fenômeno pode favorecer a redução das chuvas, temperaturas mais elevadas e maior propensão a queimadas na safra 2026/2027. A avaliação, atribuída ao INMET e à doutora em Agronomia Barbara Esteves, associa esse cenário ao aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial.
De acordo com Esteves, doutora em Agronomia pela Ulbra Palmas, as culturas de soja e milho e as pastagens podem enfrentar riscos de quebra de produtividade, atraso ou falha na germinação e estresse hídrico durante o florescimento e o enchimento de grãos. A especialista relaciona esses riscos à combinação entre temperaturas elevadas e menor volume de chuvas.
Para a safra 2026/2027 no Tocantins, Esteves recomenda que os produtores adotem estratégias como irrigação, cobertura do solo, cautela no momento da semeadura, uso de cultivares tolerantes à seca, contratação de seguro agrícola e acompanhamento dos boletins do INMET.

A família Brelsford, em Des Moines, Iowa, mantém armazenagem própria com secador para toda a produção. As lavouras de milho no estado americano chegam a 500 sacas por hectare, enquanto juros e ritmo de plantio diferem do cenário brasileiro.

Acumulados de chuva podem ultrapassar 150 mm em pontos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina entre 12 e 19 de agosto de 2026. A umidade elevada já favorece doenças foliares nas lavouras gaúchas, com a semeadura do trigo concluída no Sul.

A Medida Provisória 1.376/2026 prevê renegociar até R$ 100 bilhões em dívidas rurais, mas o mecanismo permanece praticamente parado. Enquanto isso, o agronegócio registrou 474 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026, alta de 21,9%.

A área tratada com defensivos agrícolas no Brasil cresceu 5% no primeiro semestre de 2026 e atingiu 1,2 bilhão de hectares. No mesmo recorte, o valor de mercado avançou 11,1%, para cerca de US$ 9 bilhões, de acordo com Kynetec Brasil e Sindiveg.

Modelos meteorológicos apontam El Niño ativo até o início de 2027, com chance de nível muito forte no trimestre de novembro de 2026 a janeiro de 2027, em meio a padrão seco no Centro-Oeste e menor área segurada no agro brasileiro.