
Falta de trabalhadores já atrasa operações e reduz área no hortifruti brasileiro
Pesquisa da Hortifruti Brasil/Cepea com 105 produtores e agentes da cadeia de frutas e hortaliças mostra que 93,3% percebem menos mão de obra nos últimos cinco anos. Atrasos, custos maiores e recuo de área já são relatados, e a mecanização aparece entre as estratégias de adaptação.
A menor disponibilidade de trabalhadores já interfere no ritmo e no tamanho das lavouras de frutas e hortaliças no Brasil. A leitura vem de pesquisa da Hortifruti Brasil/Cepea, publicada em 14 de agosto na edição de agosto, que entrevistou 105 produtores e agentes da cadeia para mapear a percepção sobre a oferta de mão de obra.
O recorte é amplo. Entre os entrevistados, 93,3% percebem redução na disponibilidade de trabalhadores nos últimos cinco anos. A preocupação média com o tema atingiu 7,8 pontos em uma escala de 0 a 10.
Os efeitos práticos já atravessam a porteira. Segundo a pesquisa, 61% dos entrevistados relataram atrasos nas operações em decorrência da menor disponibilidade de trabalhadores. Outros 58,1% mencionaram aumento dos custos operacionais devido à menor oferta de trabalho.
A restrição também aparece na qualidade, na produtividade e na área cultivada. Perda de qualidade na produção foi relatada por 43,8% dos entrevistados, enquanto 42,9% mencionaram perda de produtividade. Já 39% disseram ter reduzido a área de produção como consequência da menor disponibilidade de trabalho.
Parte das propriedades passou a ajustar o modelo produtivo. A mecanização foi citada por 21,9% dos entrevistados como uma das principais estratégias para reagir à escassez de mão de obra. O mesmo percentual apontou técnicas de manejo mais eficientes.
Outras adaptações também foram mencionadas. A terceirização e a melhoria das condições de trabalho foram indicadas, cada uma, por 13,3% dos entrevistados. A bonificação dos trabalhadores foi apontada por 12,4% como forma de lidar com a restrição.




