
A menor disponibilidade de trabalhadores já interfere no ritmo e no tamanho das lavouras de frutas e hortaliças no Brasil. A leitura vem de pesquisa da Hortifruti Brasil/Cepea, publicada em 14 de agosto na edição de agosto, que entrevistou 105 produtores e agentes da cadeia para mapear a percepção sobre a oferta de mão de obra.
O recorte é amplo. Entre os entrevistados, 93,3% percebem redução na disponibilidade de trabalhadores nos últimos cinco anos. A preocupação média com o tema atingiu 7,8 pontos em uma escala de 0 a 10.
Os efeitos práticos já atravessam a porteira. Segundo a pesquisa, 61% dos entrevistados relataram atrasos nas operações em decorrência da menor disponibilidade de trabalhadores. Outros 58,1% mencionaram aumento dos custos operacionais devido à menor oferta de trabalho.
A restrição também aparece na qualidade, na produtividade e na área cultivada. Perda de qualidade na produção foi relatada por 43,8% dos entrevistados, enquanto 42,9% mencionaram perda de produtividade. Já 39% disseram ter reduzido a área de produção como consequência da menor disponibilidade de trabalho.
Parte das propriedades passou a ajustar o modelo produtivo. A mecanização foi citada por 21,9% dos entrevistados como uma das principais estratégias para reagir à escassez de mão de obra. O mesmo percentual apontou técnicas de manejo mais eficientes.
Outras adaptações também foram mencionadas. A terceirização e a melhoria das condições de trabalho foram indicadas, cada uma, por 13,3% dos entrevistados. A bonificação dos trabalhadores foi apontada por 12,4% como forma de lidar com a restrição.

O Hortifrúti/Cepea estima que Vargem Grande do Sul (SP) acumule 50% da safra de inverno de batata colhida até o fim de agosto, com até 35% do volume concentrado no próprio mês. O rendimento médio em julho ficou em torno de 30 t/ha; para agosto, a expectativa é se aproximar de 40 t/ha.

As cotações do boi gordo em São Paulo acumularam alta de 7,3% desde 13 de julho, segundo The AgriBiz. O indicador Datagro marcou R$ 325,08/@ naquela data, e contratos futuros de outubro na B3 negociam a R$ 354,35.

As condições climáticas favoráveis e as chuvas nos Estados Unidos pressionaram em queda os contratos futuros de soja na Bolsa de Chicago no início de agosto de 2026. No Brasil, a valorização dos prêmios de exportação e a demanda aquecida limitam o repasse das baixas e sustentam os preços no mercado físico.

A soja subiu no porto de Paranaguá e em praças do Paraná e de Mato Grosso na quarta-feira (05/08), com impulso atribuído a oscilações em Chicago. O trigo também valorizou no Paraná e no Rio Grande do Sul.

Os preços do etanol hidratado e anidro caíram na última semana de julho no mercado paulista, enquanto o açúcar cristal encerrou o mês com leve alta acumulada, mas já recuou no começo de agosto. Oferta elevada e tempo seco impulsionam a colheita, e usinas de cana e milho enfrentam margens apertadas.