
A segunda safra de milho 2025/26 em Goiás deve recuar 30% na colheita, o que representa quatro milhões de toneladas a menos do cereal. A projeção, de agosto de 2026, é da Faeg e atribui o recuo a atrasos no plantio e na colheita da soja no verão, além de menor volume de chuvas ao longo do ciclo.
O atraso no ciclo da soja também deslocou o calendário da safrinha. Segundo a Faeg, 43% dos agricultores goianos semearam o milho fora da janela ideal de cultivo.
A colheita, no entanto, já está avançada. De acordo com a Conab, os produtores rurais já recolheram cerca de 80% da área total da safrinha de milho no estado, de 1,7 milhão de hectares.
Em estimativa própria, a Conab calcula queda de 31,4% na produção da safrinha goiana, de 12,7 milhões para 8,7 milhões de toneladas.
No mercado local, o preço médio da saca de 60 quilos de milho em agosto está próximo de R$ 50. A redução de quatro milhões de toneladas representa cerca de R$ 3,5 bilhões a menos na economia do interior de Goiás.
Do lado da demanda, a usina Inpasa, em Rio Verde, prevê demandar dois milhões de toneladas de milho por ano.

Até 13 de agosto de 2026, a AgRural apurou 85% da área de milho de segunda safra colhida no Centro-Sul, ante 79% na semana anterior e 94% no mesmo período de 2025. Mato Grosso praticamente finalizou os trabalhos; no Paraná o excesso de umidade seguiu dificultando as máquinas, e o Rio Grande do Sul iniciou o milho verão 2026/27 com 0,3% da área.

Os futuros de milho setembro/26 e dezembro/26 encerraram a segunda-feira (17) em alta na Bolsa de Chicago. Na B3, o setembro/26 fechou a R$ 70,57 por saca; no físico da BR-163, produtores pedem acima de R$ 50,00 e compradores indicam R$ 48,00 a R$ 49,00.

O veranico e uma área de alta pressão devem manter o calor intenso no Centro-Oeste nos próximos dias, com máximas que podem superar 36°C em Mato Grosso e Goiás. A regularização das chuvas nesses estados é estimada para o fim de setembro e outubro, enquanto uma frente fria pode elevar os acumulados acima de 50 mm na Campanha gaúcha a partir de quinta-feira.

A colheita da segunda safra de milho 2025/26 em Mato Grosso atingiu 99,1% da área até 8 de agosto. A produção é estimada em 57,3 milhões de toneladas, com comercialização em 64,29% da safra.

Projeções do INMET indicam que o El Niño permanece no Pacífico Equatorial até o verão de 2026/2027. No Tocantins, o fenômeno pode favorecer menos chuva, temperaturas mais altas e maior risco de queimadas, com impactos possíveis sobre soja, milho e pastagens.