
Plantio de arroz e trigo encolhe no Brasil na safra 2026/27 e impacta estimativas de produção
Projeções da Conab apontam queda na área plantada e na produção de arroz e trigo no Brasil na safra 2026/27. No cenário global, balanços de oferta e demanda apertados pressionam os estoques mundiais de grãos.
As estimativas iniciais da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra 2026/27 sinalizam reduções na área cultivada e na produção de importantes grãos no Brasil, em especial o arroz e o trigo. O movimento no cenário doméstico acompanha projeções internacionais marcadas por ajuste de oferta e pressão sobre estoques de cereais.
Arroz: menor área no Sul desde 1982 e retração da safra nacional
No Brasil, a área a ser semeada com arroz na safra 2026/27 deve cair para 1,53 milhão de hectares, de acordo com as primeiras estimativas da Conab. Na Região Sul, principal polo produtor do país, o cultivo ocupará menos de 1 milhão de hectares, o menor espaço destinado à cultura desde 1982. A diminuição da área cultivada contribui para uma menor produção nacional, reduzindo a oferta do cereal e podendo resultar em elevação de importações e preços.
Em termos de volume, a produção brasileira de arroz está estimada em 10,8 milhões de toneladas na safra 2026/27 — o que representa um recuo de cerca de 2 milhões de toneladas em relação a 2025, quando o país colheu 12,8 milhões de toneladas. A queda da safra reduz a margem de oferta e pode elevar os preços ao consumidor.
No âmbito global, projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam que a produção mundial de arroz será de 534 milhões de toneladas em 2026/27, ficando abaixo do consumo global previsto de 540 milhões de toneladas. Como o consumo supera a produção, os estoques mundiais de arroz devem descer para 197 milhões de toneladas, o que aumenta a pressão sobre as cotações internacionais. Além disso, no relatório mais recente de preços da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o preço médio mundial do arroz registrou alta de 0,5%.
Trigo: encolhimento de área e ampliação das importações
O cenário de retração de área também afeta o trigo no Brasil na safra 2026/27. A Conab prevê a área de plantio em 1,59 milhão de hectares no país, o menor patamar registrado em nove safras. Na Região Sul, a área deve somar apenas 1,58 milhão de hectares, o menor nível desde 2000.
Com a área menor, a produção nacional de trigo está estimada em 5,7 milhões de toneladas. Diante desse volume restrito, a coluna Vaivém indica que o Brasil precisará importar pelo menos 7,1 milhões de toneladas do cereal nesta safra para atender à sua demanda.
No ambiente externo, a Argentina, principal fornecedora de trigo para o mercado brasileiro, terá 15 milhões de toneladas disponíveis para exportação na safra 2026/27, ante 19 milhões de toneladas registradas em 2025/26. Na União Europeia, onde a onda de calor e a seca provocaram retração produtiva, a safra deve desacelerar para 134 milhões de toneladas, após atingir 145 milhões de toneladas no período anterior; a disponibilidade exportável do bloco europeu ficará em 31 milhões de toneladas.
Em escala global, o USDA prevê que a produção de trigo recue para 822 milhões de toneladas, enquanto o consumo deve subir para 827 milhões de toneladas. A safra global menor combinada ao consumo mais aquecido resulta em alta dos preços internacionais do grão.
Projeções para milho e soja no mercado internacional
A coluna Vaivém destaca ainda projeções internacionais para a safra 2026/27 em outras commodities. A oferta mundial de milho é projetada em 1,29 bilhão de toneladas, cenário em que a queda na oferta derruba os estoques globais do cereal para 272 milhões de toneladas. Em contrapartida, a produção mundial de soja deve subir para 442 milhões de toneladas, com estimativa de crescimento também no esmagamento do grão.




