
Mosaic estima corte de 30% no uso de fosfatados no Brasil e alerta para risco à produtividade
A Mosaic projeta queda de 30% no uso de fosfatados no Brasil em 2026, com déficit de 1,3 milhão de toneladas de DAP nos solos. O cenário é impulsionado pelo enxofre a US$ 705/t e já se reflete nos resultados da companhia, que registrou prejuízo no segundo trimestre.
O mercado de fertilizantes fosfatados entrou em alerta com a projeção divulgada pela Mosaic de que os produtores brasileiros de grãos devem reduzir em aproximadamente 30% a aplicação de fosfatados em 2026, na comparação com a média histórica ou com o ano anterior. A estimativa, atribuída a Jenny Wang, executiva da companhia, acende o sinal amarelo sobre a produtividade das lavouras nacionais.
A menor reposição de fósforo no solo brasileiro poderá gerar um déficit equivalente a 1,3 milhão de toneladas de DAP (fosfato diamônico) em nutrientes. O cenário não é exclusivo do Brasil: nos Estados Unidos, o rombo de reposição de fósforo deverá alcançar 1,4 milhão de toneladas de DAP, reflexo de cortes sucessivos nas aplicações desde a safra anterior.
A raiz do problema: enxofre nas alturas
O fator que desencadeia essa retração está na escalada dos preços do enxofre, matéria-prima essencial para a produção de fosfatados. A Mosaic fechou contratos de suprimento para o terceiro trimestre de 2026 a US$ 705 por tonelada, valor que se insere na faixa projetada pela própria companhia, de US$ 700 a US$ 710 por tonelada, conforme declaração atribuída a Luciano Siani Pires.
O impacto já é visível nos números da operação brasileira da Mosaic Fertilizantes, que gerou apenas US$ 60 milhões de EBITDA no segundo trimestre de 2026 — um recuo de 62% na comparação anual. Bruce Bodine, também executivo da empresa, atribuiu a queda à paralisação de unidades industriais de produção de fosfatados, decisão motivada justamente pelo alto custo do enxofre.
Resultados financeiros sob pressão
No consolidado global, a Mosaic registrou receita de US$ 2,8 bilhões no segundo trimestre de 2026. O desempenho, porém, foi ofuscado pelo prejuízo líquido no período. Há, contudo, uma divergência entre as fontes quanto ao valor exato: enquanto uma reportagem aponta prejuízo de US$ 273 milhões, atribuindo o resultado a altos custos de enxofre e a um impacto negativo de US$ 351 milhões em itens específicos, outra fonte reporta prejuízo de US$ 258 milhões, relacionando-o às pressões operacionais decorrentes da alta das matérias-primas.
O que está em jogo
A combinação de custos elevados de matéria-prima, paralisação de plantas industriais e retração na demanda por fertilizantes fosfatados desenha um quadro de estrangulamento para a cadeia de nutrientes. Se a estimativa de redução de 30% na aplicação se confirmar, o risco à produtividade das safras brasileiras de grãos torna-se concreto, com potenciais desdobramentos sobre a oferta global de alimentos.




