Por que o mercado está mais seletivo em 2026
Após a expansão do ecossistema de inovação voltado ao agronegócio, o mercado de fusões e aquisições envolvendo agtechs caminha para uma etapa mais seletiva. Com investidores e compradores cada vez mais atentos à geração de valor, empresas capazes de comprovar resultados operacionais, escalabilidade e maturidade de gestão tendem a concentrar as oportunidades de negócios nos próximos anos. Nesse cenário, de acordo com Camila Perez, líder de M&A da Galapos, a expectativa é que 2026 seja marcado por operações mais qualificadas, com foco em ativos que combinem tecnologia validada, base de clientes consistente, governança madura e capacidade comprovada de gerar vantagem competitiva no campo.
Após a expansão do ecossistema de inovação voltado ao agronegócio, o mercado de fusões e aquisições envolvendo agtechs caminha para uma etapa mais seletiva. Com investidores e compradores cada vez mais atentos à geração de valor, empresas capazes de comprovar resultados operacionais, escalabilidade e maturidade de gestão tendem a concentrar as oportunidades de negócios nos próximos anos. Nesse cenário, de acordo com Camila Perez, líder de M&A da Galapos, a expectativa é que 2026 seja marcado por operações mais qualificadas, com foco em ativos que combinem tecnologia validada, base de clientes consistente, governança madura e capacidade comprovada de gerar vantagem competitiva no campo.
O movimento acompanha a evolução do próprio setor. O crescimento das agtechs entre as verticais que mais atraíram investimentos na América do Sul em 2025 está relacionado à relevância econômica do agronegócio na região, especialmente no Brasil, que reúne uma ampla base produtiva, cadeias exportadoras sofisticadas e desafios operacionais ainda pouco digitalizados. Nesse contexto, soluções voltadas à produtividade, crédito, gestão, rastreabilidade, automação, clima e eficiência no uso de insumos passaram a ocupar papel estratégico dentro da cadeia agroindustrial.
Ao mesmo tempo, o ecossistema ganhou escala. O Radar Agtech Brasil 2025 identificou 2.075 startups do agro distribuídas em 468 municípios brasileiros, além de 390 ambientes de inovação, entre hubs, aceleradoras, incubadoras e parques tecnológicos. O cenário demonstra um setor cada vez mais descentralizado e com maior capacidade de gerar soluções voltadas às necessidades específicas do campo.
Conforme Camila, outro fator que contribui para o interesse crescente por empresas do segmento é a mudança no perfil do capital. Após um período marcado por maior disponibilidade de recursos, investidores passaram a priorizar indicadores ligados à receita, margem, retenção de clientes, governança e capacidade de execução. Com isso, o mercado caminha para uma consolidação mais racional e orientada à geração de valor.
— Para 2026, vemos uma tendência de M&A mais seletiva, menos baseada em crescimento a qualquer custo e mais orientada por resultado e posicionamento estratégico. O comprador deve olhar para a agtech não apenas como uma empresa de tecnologia, mas como um ativo capaz de acelerar eficiência, dados, relacionamento com produtores ou acesso a mercados — analisa.
Quais compradores e soluções em destaque?
Para Camila, entre os potenciais compradores, a expectativa é de maior protagonismo de empresas tradicionais do agro, como cooperativas, distribuidores de insumos, agroindústrias, tradings, revendas e operadores de logística e armazenagem. Também devem avançar aquisições realizadas por empresas de software e ERPs interessados em complementar suas plataformas com soluções especializadas para o setor.
— Há também as instituições financeiras, fintechs e seguradoras voltadas ao crédito rural, risco climático, seguro e análise de dados produtivos. Grupos internacionais em busca de exposição ao agronegócio brasileiro por meio de ativos tecnológicos já validados localmente também aparecem entre os potenciais compradores — opina.
Já soluções mais procuradas devem estar ligadas à inteligência de dados, rastreabilidade, monitoramento ambiental, agricultura de precisão, automação, biológicos, clima, gestão financeira, crédito, seguro e compliance. Além das aquisições realizadas por empresas estabelecidas, o setor também deve registrar um aumento na consolidação entre as próprias startups, especialmente entre aquelas que possuem produtos complementares, bases de clientes distintas e oportunidades de integração tecnológica.
Apesar das semelhanças com operações realizadas em outros segmentos de tecnologia, as transações envolvendo agtechs apresentam desafios específicos, como fatores biológicos, climáticos, regionais e operacionais.
— Não basta avaliar a receita anual recorrente, churn e crescimento. É preciso entender se a solução entrega ganho econômico comprovável por hectare, por cabeça de gado, por tonelada, por redução de perda ou por eficiência operacional — explica a líder de M&A da Galapos.
“O diferencial está em resolver uma dor econômica”, defende especialista
Atualmente, na avaliação da especialista, as empresas mais valorizadas são as que conseguem equilibrar inovação tecnológica e disciplina empresarial, além da capacidade de gerar resultados mensuráveis para produtores e empresas.
Para ela, em inovação, o diferencial está em resolver uma dor econômica mensurável. A agtech que consegue demonstrar aumento de produtividade, redução de custo, menor uso de insumos, mitigação de risco climático, acesso a crédito ou melhoria de rastreabilidade tende a capturar mais valor.
— O mercado está premiando empresas que não apenas desenvolvem tecnologia, mas conseguem provar retorno sobre investimento para o produtor e para a cadeia. Soluções desenvolvidas com APIs, arquitetura de dados organizada com ERPs, CRMs, plataformas de gestão agrícola, sensores, imagens de satélite e sistemas financeiros tendem a despertar maior interesse estratégico — finaliza.




