
A soja em grão alcançou R$ 161,00 por saca na quinta-feira (27) no mercado disponível do porto de Paranaguá e também no mercado nacional. A valorização ocorreu em meio à sequência de altas na Bolsa de Chicago, ao forte apetite comprador da China e ao dólar elevado.
Para a safra nova, com entrega em 2027, os preços nos portos brasileiros se aproximaram de R$ 150,00 por saca, impulsionados pela valorização das bolsas internacionais e por prêmios aquecidos.
Na Bolsa de Chicago (CBOT), o contrato de soja para novembro encerrou a quinta-feira cotado a US$ 12,68 por bushel. A alta foi sustentada pelo avanço dos preços do farelo e do óleo de soja, além da valorização do trigo e do apetite comprador chinês.
Já o contrato março de 2027 terminou a sessão a US$ 12,88 por bushel, aproximando-se da marca de US$ 13,00. O movimento ocorreu em meio ao estresse térmico registrado no Meio-Oeste dos Estados Unidos e à forte demanda internacional pelo grão.
Os dados de exportação dos Estados Unidos também reforçaram o cenário de demanda aquecida. Na semana encerrada em 20 de agosto, as vendas de soja da nova safra americana somaram 2,478 milhões de toneladas.
A China respondeu por 1,101 milhão de toneladas desse volume, evidenciando o apetite comprador do país pela nova safra dos Estados Unidos. Outros 1,046 milhão de toneladas foram destinadas a compradores ainda não identificados.
As vendas da safra velha ficaram em 73,9 mil toneladas, volume 40% inferior à média das quatro semanas anteriores, em um cenário de proximidade do encerramento do ciclo comercial dessa safra.
No câmbio, o dólar encerrou a quinta-feira a R$ 5,16, com alta de 0,2%. A valorização ocorreu em meio ao fortalecimento global da moeda norte-americana frente a moedas emergentes, movimento que superou os efeitos dos leilões cambiais realizados pelo Banco Central.
No mercado de petróleo, o Brent foi cotado a US$ 88,17 por barril na sexta-feira, após um leve ajuste técnico. A commodity passou por um movimento de respiro no encerramento da semana, em meio às tensões no Mar Negro.
Com a combinação de Chicago em alta, demanda chinesa firme, prêmios aquecidos e dólar valorizado, a soja mantém sustentação no mercado brasileiro, enquanto os contratos futuros seguem acompanhando as condições climáticas nos Estados Unidos e o ritmo das compras internacionais.

O trigo avançou na quinta-feira em Chicago, com o contrato de maior liquidez a US$ 7,6075 o bushel, em meio a temores sobre o fluxo de grãos no Mar Negro. Relatos divergem sobre o recorte histórico da cotação; no mesmo pregão, o milho caiu e a soja subiu.

Criado em 2022 pelo Instituto Fórum do Futuro, o Regenera Cerrado avalia e dissemina práticas de agricultura regenerativa com base em evidências científicas. O projeto monitora oito propriedades rurais na região de Rio Verde, em Goiás.

O Brasil consolidou-se como maior exportador global de soja, carne bovina e de frango, após a perda de hegemonia dos Estados Unidos nos grãos. Em 2025, a soja em grãos rendeu US$ 43,5 bilhões, com volume recorde de 108,2 milhões de toneladas.

A China estima cortar 25% das compras de soja de 2026 a 2030, volume equivalente a aproximadamente 23 milhões de toneladas. Alexandre Nepomuceno, da Embrapa Soja, associa a medida ao 15º Plano Quinquenal, focado em autossuficiência alimentar e resiliência geopolítica.

O relatório semanal do USDA mostrou recuo nas lavouras de milho e soja nos Estados Unidos, com o milho abaixo da expectativa do mercado. A colheita do trigo de inverno foi concluída em 100% da área.