
União Europeia suspende importações de carnes e produtos animais do Brasil a partir de quinta-feira
A União Europeia suspenderá a partir de 3 de setembro de 2026 as importações de carnes bovina e de aves, ovos, mel e outros produtos de origem animal do Brasil, por falta de garantias sanitárias suficientes sobre antimicrobianos. Uma auditoria técnica em aves e mel tem conclusão prevista para o dia 4.
A União Europeia (UE) suspenderá, a partir desta quinta-feira (3), a entrada de carnes bovina e de aves, ovos, mel, produtos de aquicultura e outros itens de origem animal provenientes do Brasil. A medida foi adotada após o bloco considerar insuficientes as garantias apresentadas pelo país sobre o cumprimento das normas europeias relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal.
A restrição decorre da retirada do Brasil, em maio de 2026, da lista de países autorizados a exportar determinadas categorias de produtos de origem animal para o mercado europeu. A regulamentação europeia que estabelece as exigências para a entrada desses produtos passa a ser aplicada em 3 de setembro.
Segundo as regras do bloco, países exportadores precisam demonstrar a existência de sistemas de controle capazes de garantir o cumprimento das normas sanitárias, a rastreabilidade e as exigências relacionadas à resistência antimicrobiana em toda a cadeia produtiva.
Auditoria pode definir retomada de aves e mel
Enquanto a suspensão entra em vigor, uma auditoria técnica da União Europeia nos setores de aves e mel segue em andamento, com previsão de conclusão nesta sexta-feira (4). O resultado poderá determinar uma eventual retomada das exportações desses produtos nas semanas seguintes.
O cenário é diferente para a carne bovina. A avaliação no Parlamento Europeu aponta para um processo potencialmente mais longo, devido ao ciclo de produção dos animais e à necessidade de comprovação da adequação dos sistemas brasileiros às exigências europeias.
Brasil busca comprovar conformidade
Em julho, o Ministério da Agricultura encaminhou documentação técnica às autoridades europeias com o objetivo de demonstrar a adequação das cadeias produtivas brasileiras às normas sanitárias exigidas pelo bloco.
O impasse envolve, entre outros pontos, regras europeias que restringem o uso de determinados antimicrobianos em animais destinados à produção de alimentos. O uso terapêutico de medicamentos veterinários continua permitido dentro das condições estabelecidas pela legislação, mas o bloco proíbe determinadas substâncias e seu emprego como promotores de crescimento.
Impacto sobre o comércio brasileiro
A suspensão ocorre em um momento de forte relação comercial entre Brasil e União Europeia. Em 2025, o Brasil exportou mais de 92 mil toneladas de produtos bovinos para o bloco, gerando receita superior a 713 milhões de euros, segundo os dados apresentados.
Considerando carne bovina e de aves, as exportações brasileiras para a União Europeia movimentaram cerca de US$ 1,8 bilhão em 2025. No conjunto do agronegócio, as vendas brasileiras ao bloco alcançaram US$ 25,2 bilhões, sendo US$ 21,8 bilhões referentes às exportações agrícolas.
A medida, portanto, representa um novo obstáculo para as cadeias brasileiras de proteína animal e aumenta a pressão sobre o governo e o setor privado para comprovar a conformidade dos sistemas nacionais com as exigências sanitárias europeias.




