
O preço do metanol importado no Brasil registrou uma forte escalada no início de 2026, impulsionado por uma combinação de choque geopolítico, redução de oferta e maior competição global por cargas. O insumo é essencial para a indústria de biodiesel e também abastece uma ampla cadeia da indústria química, o que acende um alerta para impactos em custos de produção e, potencialmente, em preços ao consumidor.
Entre 27 de fevereiro e 8 de maio, o metanol teve alta superior a 80% no mercado brasileiro, segundo levantamento da agência Argus. Em 27 de fevereiro — um dia antes do início do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã — a tonelada do produto chegava ao Porto de Paranaguá (PR) por R$ 1.945 (para retirada à vista e sem impostos). Nas mesmas condições, o valor alcançou R$ 3.600 em 8 de maio.
Destaque: o Brasil depende integralmente de metanol importado desde 2016, o que amplifica a transmissão de choques externos aos preços internos.
O Irã responde por cerca de 10% da produção mundial de metanol. Com a guerra, houve uma disrupção relevante nas rotas comerciais globais, especialmente no Oriente Médio — região que abastece grandes mercados na Ásia e na Europa. O efeito, segundo análise da Argus, foi a intensificação da competição por carga, com o Brasil disputando volumes com regiões que passaram a pagar mais pelo produto.
Na prática, o mercado brasileiro ficou mais apertado porque os preços praticados internamente estavam abaixo do patamar internacional, o que dificultou a atração de metanol para o país. Com o salto recente, o Brasil se tornou novamente mais atrativo para exportadores, ajudando a recompor a oferta.
O metanol é um insumo central para a cadeia de biocombustíveis. Em média, cerca de 66% do metanol consumido no Brasil é destinado à produção de biodiesel, onde atua como reagente. O metanol compõe aproximadamente 10% a 13% da fórmula do biodiesel, cujo principal componente é o óleo de soja.
Com a disparada de preços, a tendência é de encarecimento da indústria do biodiesel, elevando o custo de produção e pressionando margens. Em um cenário de custos mais altos, o setor passa a enfrentar maior sensibilidade a volatilidade cambial e logística, além de incertezas de fornecimento.
Uso majoritário: biodiesel (reagente).
Outros usos relevantes: indústria química (plásticos, resinas, madeira compensada e derivados).
Risco principal: volatilidade e repasse de custos em cadeias industriais.

- A Cosan apresenta um plano claro para zerar a dívida até o fim do ano, adotando uma holding enxuta que mantém controle sobre as empresas investidas (Compass, Rumo, Moove, Radar) e recebe a performance dessas ativos. A empresa será sem dívidas e voltada para administrar e distribuir dividendos. - O IPO da Compass foi bem-sucedido, proporcionando captação de ao menos R$ 2 bilhões para calibrar as dívidas. A Cosan mantém várias ideias para alcançar o endividamento zerado ainda este ano. - Governança e controle: o objetivo é manter o controle acionário da companhia, evitando perdas de controle por meio de dividendos, associações ou venda de participações. - Reestruturação de portfólio: a Cosan planeja simplificar a administração, reduzindo o portfólio e saindo de atividades de trading de energia elétrica. pretende ficar com as melhores usinas e criar clusters mais robustos, operando com uma estrutura mais simples. - Sobre o portfólio atual: a Raízen é destacada como empresa rentável, com mais de 20% de participação de mercado, operação de 7,5 mil postos no Brasil e 850 na Argentina, e marca Shell; a produção de etanol e açúcar é de alto desempenho. A empresa planeja reduzir o portfólio para facilitar a gestão.
Mesmo com a sensação de escassez causada pela redução de oferta e pela corrida global por carregamentos, a expectativa é de que não haja falta de metanol no mercado brasileiro. Informações da Argus apontam que, ainda neste mês, deve chegar um volume maior ao país, o que pode aliviar o aperto observado nas últimas semanas.
O movimento é explicado pelo próprio mecanismo de mercado: com o aumento de preço, o Brasil passa a pagar valores mais alinhados ao mercado internacional, tornando-se um destino mais competitivo para produtores estrangeiros.
O metanol importado é normalmente produzido a partir de gás natural, um combustível fóssil. O Brasil interrompeu a produção doméstica em 2016 devido aos custos internos elevados, e desde então opera com dependência total de importações — condição que aumenta a exposição a eventos externos, como conflitos, gargalos logísticos e variações de preço de energia e frete.
Entre janeiro e março de 2026, o Brasil importou aproximadamente 350 mil toneladas de metanol, conforme dados oficiais. O volume representa uma queda de cerca de 10% em comparação com o mesmo período do ano anterior, o que também contribuiu para um mercado mais sensível a qualquer choque de oferta.
Principais origens do metanol importado Participação Trinidad e Tobago 28% Argentina 22% Estados Unidos 21% Chile 17% Venezuela 7% Rússia 5%
Além das origens tradicionais, o mercado brasileiro observou, desde junho do ano passado, a entrada de novos fornecedores, como Rússia e Omã, com oferta a custos mais baixos devido à grande disponibilidade de gás natural nesses países. Essa diversificação pode ajudar a reduzir riscos, embora não elimine a exposição do Brasil à volatilidade internacional.
Embora ainda represente um volume pequeno, o e-metanol é apontado como uma solução relevante para as metas de descarbonização da indústria marítima. Diferentemente do metanol convencional, ele é produzido a partir de insumos verdes e energia renovável, tornando-se uma alternativa estratégica para reduzir emissões em cadeias logísticas e transporte oceânico.
A expectativa é de que o e-metanol se desenvolva nos próximos anos, impulsionado por metas ambientais mais exigentes no setor marítimo. Estão previstas duas fábricas de e-metanol no Porto de Suape (PE), o que pode posicionar o Brasil como um futuro polo desse tipo de combustível.

O boletim aponta alta no mercado mundial de milho, impulsionada pelos preços do petróleo, preocupações com fertilizantes e forte demanda por etanol, além dos custos logísticos e energéticos. O arroz também sobe nos mercados internacionais, sobretudo na Tailândia e no Vietnã. O óleo de soja registra valorização, impulsionado pelas cotações na Argentina e no Brasil. O açúcar recua, devido ao aumento da produção no Brasil e na Índia. O trigo tem comportamento misto: sobe na Rússia, com valorização do rublo e maior procura, mas cai na União Europeia e na Argentina. As cotações do frete marítimo também sobem, refletindo o impacto contínuo dos custos energéticos no comércio mundial.