
Resumo: Em meio ao cenário de juros elevados no Brasil, a Cosan anunciou uma estratégia de simplificação da holding e de redução acelerada do endividamento, com meta de chegar a dívida zero até o fim do ano. O grupo pretende manter o controle acionário de seus principais negócios e operar com uma estrutura mais enxuta, focada em gestão de portfólio e recebimento de dividendos.
De acordo com a visão apresentada pelo controlador do grupo, o Brasil passou por uma transformação relevante nos últimos anos com a escalada da taxa de juros. Nesse ambiente, uma holding que depende de alavancagem tende a perder competitividade financeira, já que fica difícil gerar retorno operacional capaz de superar o custo do dinheiro e, ao mesmo tempo, remunerar investidores.
A resposta da Cosan é reposicionar sua estrutura corporativa para um modelo considerado mais sustentável no atual ciclo econômico: menos complexidade, menos dívida e foco em ativos rentáveis.
A meta é zerar a dívida até o fim do ano e manter uma estrutura enxuta de holding, preservando o controle das empresas investidas.
A Cosan afirma ter um portfólio “irreplicável”, com empresas já capitalizadas e com geração de caixa. Entre os principais ativos citados estão:
Compass, com atuação em gás natural;
Rumo, voltada a logística e infraestrutura;
Moove, no segmento de lubrificantes;
Radar, focada em gestão de terras agrícolas.
O plano descrito prevê a manutenção do controle acionário dessas companhias. A holding, na prática, passaria a funcionar como uma estrutura mais simples: administrar os negócios, acompanhar desempenho e receber dividendos, com menos dependência de financiamento.
O grupo avalia alternativas para ajustar a estrutura de capital e reduzir dívidas sem abrir mão do comando das empresas. Entre os caminhos apontados estão:
Distribuição de dividendos pelas controladas;
Associações e rearranjos societários;
Venda de participações selecionadas, de forma a preservar o controle estratégico.
O movimento mais recente destacado foi a abertura de capital da Compass, tratada como um marco bem-sucedido dentro do plano de reequilíbrio financeiro. Segundo o grupo, outras iniciativas estão em desenvolvimento para viabilizar a meta de endividamento zero.
A Cosan reconhece que há interesse de investidores por ativos do portfólio, especialmente no segmento de logística. Ainda assim, reforça que qualquer eventual negociação seria conduzida com a condição central de manter o controle dos negócios.
O posicionamento é de cautela diante de especulações: conversas acontecem, mas decisões, se ocorrerem, seriam tomadas de forma estruturada e alinhadas ao plano de simplificação e desalavancagem.

Resumo: O preço do metanol no Brasil subiu mais de 80% entre 27 de fevereiro e 8 de maio, segundo levantamento da Argus, devido à redução de oferta causada pela guerra que envolve EUA, Israel e Irã. Como o Brasil depende integralmente de importações, a disrupção nas rotas comerciais globais elevou os custos internos, com o Irã respondendo por cerca de 10% da produção mundial. A guerra forçou o Brasil a competir por cargas com regiões de maior demanda, enquanto novos players como Rússia e Omã passaram a oferecer metanol a custos menores, beneficiados pela abundância de gás natural nesses países.

No braço de energia, a Raízen é descrita como uma operação de alta relevância e rentabilidade, com liderança em mercado e ativos industriais considerados robustos. A avaliação do grupo é que o desafio atual não é operacional, e sim de estrutura de capital — efeito de um ciclo de investimentos intensos feito em um contexto de juros que depois se tornaram muito mais altos.
Entre investimentos citados estão:
Expansões e aquisições no segmento de combustíveis e rede de postos;
Consolidação e ampliação de capacidade na produção de açúcar e etanol;
Avanços em etanol de segunda geração e projetos associados à agenda de energia sustentável;
Iniciativas ligadas a biogás e hidrogênio.
O grupo sustenta que, uma vez resolvida a questão do endividamento e do desenho de capital, a tendência é de retomada de fôlego para o crescimento, com base em operações já rentáveis.
Além de buscar desalavancagem, a Cosan descreve um esforço para tornar a operação mais simples. Isso inclui revisar portfólios e concentrar esforços nos melhores ativos, com objetivo de construir conjuntos mais eficientes e fáceis de administrar.
Nessa direção, o grupo afirma estar reduzindo exposição em atividades consideradas menos estratégicas, como a operação de trading de energia elétrica. A orientação é “voltar ao básico”, com disciplina e foco em execução.
Ao comentar o avanço do etanol de milho, a avaliação apresentada é que, embora ele possa ser mais barato em determinados momentos, comparações diretas exigem cautela. Um dos pontos levantados é que a cana-de-açúcar tem vantagem energética por ser autossuficiente com o uso do bagaço, possibilitando inclusive venda de energia para a rede.
Já na produção a partir do milho, a necessidade de compra de energia pode elevar custos. Também é mencionado que incentivos tributários influenciam a competitividade relativa. Além disso, a rentabilidade pode variar conforme o preço do milho, que não é necessariamente estável ao longo do tempo.
Na visão do grupo, o setor de etanol segue sendo estratégico para o Brasil por contribuir com o abastecimento de combustíveis. A mistura de etanol na gasolina reduz a necessidade de importações e ajuda a equilibrar o sistema, já que a capacidade de refino nacional não cobre toda a demanda.
O papel da logística também é tratado como central, com a leitura de que a infraestrutura de transporte voltada ao agronegócio é determinante para o escoamento de safras e para sustentar a competitividade brasileira no mercado global.
O controlador afirma que continua participando de conselhos e pretende manter esse papel enquanto tiver saúde e disposição. A mensagem é de continuidade de governança com gestão profissional e preparação da família para atuar como acionista responsável e conselheiro, preservando a cultura de “empresa de dono profissionalizada”.
Eixo Diretriz Endividamento Meta de dívida zero até o fim do ano Estrutura Holding mais enxuta, com foco em administração e dividendos Controle Manter controle acionário dos principais ativos Portfólio Simplificação e foco nos melhores ativos e operações Investimentos Crescer com disciplina e menor dependência de capital de terceiros
O grupo sinaliza que a fase atual é de ajustes e execução: reduzir complexidade, melhorar eficiência e concluir o ciclo de desalavancagem. A diretriz é manter ativos considerados de alta qualidade, com gestão profissional, e avançar em oportunidades futuras com uma postura mais conservadora em relação a dívidas.
O boletim aponta alta no mercado mundial de milho, impulsionada pelos preços do petróleo, preocupações com fertilizantes e forte demanda por etanol, além dos custos logísticos e energéticos. O arroz também sobe nos mercados internacionais, sobretudo na Tailândia e no Vietnã. O óleo de soja registra valorização, impulsionado pelas cotações na Argentina e no Brasil. O açúcar recua, devido ao aumento da produção no Brasil e na Índia. O trigo tem comportamento misto: sobe na Rússia, com valorização do rublo e maior procura, mas cai na União Europeia e na Argentina. As cotações do frete marítimo também sobem, refletindo o impacto contínuo dos custos energéticos no comércio mundial.