Agricultor brasileiro desaparece no Paraguai, em Caaguazú; polícia investiga possível sequestro pelo EPP
Paraguai busca agricultor brasileiro desaparecido, possivelmente sequestrado pelo EPP, em Caaguazú.

Agricultor filho de brasileiros desaparece no Paraguai; polícia apura suspeita de sequestro por grupo armado
Um agricultor de 32 anos, filho de brasileiros, desapareceu enquanto trabalhava no campo no Departamento de Caaguazú, no Paraguai, região situada a cerca de 150 km da fronteira com o Brasil. A Polícia Nacional paraguaia investiga o caso e a principal suspeita é de sequestro atribuído ao autodenominado Exército do Povo Paraguaio (EPP), grupo com histórico de ações violentas e extorsões na área.
O desaparecido foi identificado como Almir Brum, produtor rural. Segundo a família, não há notícias desde 21 de fevereiro, data em que ele teria sido visto pela última vez durante atividades de rotina na propriedade.
Colheitadeira ligada e panfleto levantaram suspeitas
De acordo com relato do pai, ele foi até o local onde o filho estava trabalhando e encontrou a colheitadeira ligada, mas Almir não estava no entorno da máquina nem em áreas próximas. Ainda conforme a família, um panfleto foi localizado no local e seria atribuído ao EPP, elemento que passou a ser considerado na apuração policial.
Ponto-chave da investigação: a combinação de ausência repentina, maquinário em operação e mensagem atribuída a grupo armado reforçou a hipótese de crime organizado, segundo as autoridades paraguaias.
Buscas intensificadas e prioridade do governo: localizar Almir com vida
Em coletiva de imprensa realizada na segunda-feira (23), a polícia do Paraguai informou que as buscas foram intensificadas e que a prioridade das forças de segurança é encontrar Almir vivo. A operação reúne efetivos da Polícia Nacional e das Forças Armadas, com varreduras em áreas rurais e pontos considerados estratégicos.
As autoridades não divulgaram detalhes operacionais para não comprometer eventuais linhas de investigação, mas confirmaram que o caso está sendo tratado com alto nível de atenção devido ao contexto de risco na região.
Região marcada por crime organizado e atuação de grupos armados
O Departamento de Caaguazú e áreas próximas, no leste e nordeste do Paraguai, são descritos por investigadores como uma zona sensível por rotas do tráfico de drogas e disputa territorial entre facções criminosas. Nos últimos anos, o cenário passou a incluir também a atuação de grupos guerrilheiros paraguaios, ampliando a preocupação de autoridades locais e de órgãos brasileiros.
Além do impacto na segurança pública, esse ambiente de instabilidade eleva o risco para trabalhadores e produtores rurais, especialmente em propriedades distantes de centros urbanos, onde a resposta a emergências pode ser mais lenta.
Por que o caso chama atenção?
Desaparecimento durante o trabalho, sem sinais imediatos de acidente no local.
Indícios apontados pela família, como a colheitadeira ligada e o panfleto.
Histórico regional de extorsões, sequestros e cobrança de “impostos” por grupos armados.
Possível componente transfronteiriço, dada a proximidade com o Brasil e a presença de brasileiros no setor agro.
Quem são os grupos citados na investigação
Segundo informações de autoridades paraguaias, existem no país duas guerrilhas com origem comum e atuação semelhante, cada uma com cerca de cem integrantes. O Exército do Povo Paraguaio (EPP) teria sido fundado em 2008. Já o ACA-EP (Agrupamento Camponês Armado – Exército do Povo) teria surgido em 2019, formado por dissidentes do EPP.
Ambos alegam, em tese, lutar por distribuição de terras a camponeses e se posicionam contra a presença de estrangeiros em áreas agrícolas paraguaias, tema que frequentemente aparece no discurso desses grupos.
Grupo Ano de criação (informado) Característica citada por autoridades EPP 2008 Intensificação de ações e sequestros na região ACA-EP 2019 Dissidência do EPP, atuação semelhante
Brasileiros no agro do Paraguai e a escalada de ameaças
O tema ganha ainda mais repercussão porque uma parcela significativa das áreas de produção agrícola do leste paraguaio está sob controle de brasileiros. Estimativas citadas por autoridades locais indicam que parte expressiva das fazendas de soja na região pertence a produtores do Brasil, o que torna a comunidade brasileira um alvo potencial em contextos de tensão.
Segundo o diplomata Carlos Alberto Simas Magalhães, que chefiou a embaixada brasileira no Paraguai entre 2017 e 2019, houve percepção de intensificação de ações contra brasileiros no fim de 2018, com foco especial em pessoas ligadas ao agronegócio em departamentos próximos à fronteira com o Mato Grosso do Sul.
Contexto de segurança: investigadores paraguaios afirmam que grupos armados costumam transitar por áreas rurais cobrando “impostos” de grandes produtores e, em alguns casos, realizando sequestros com pedido de resgate como forma de financiamento.
O que se sabe até agora e próximos passos
Até o momento, a polícia não confirmou publicamente a autoria do desaparecimento nem detalhou se houve contato com familiares ou pedido de resgate. As diligências seguem em andamento, com foco na coleta de informações em torno do local onde Almir foi visto pela última vez, além de análises sobre a possível relação do panfleto com grupos que atuam na região.
Ampliação das buscas em áreas rurais e rotas secundárias.
Checagem de informações e cruzamento de dados sobre movimentações na região.
Apoio interinstitucional entre forças policiais e militares paraguaias.
O caso permanece sob investigação e novas informações devem ser divulgadas conforme o avanço das apurações.
Palavras-chave para SEO: desaparecimento no Paraguai, agricultor desaparecido, Caaguazú, sequestro EPP, produtor rural brasileiro no Paraguai, segurança no campo, guerrilha no Paraguai.




