
A decisão da Organização Marítima Internacional (OMI) de estabelecer um valor padrão para a pegada de carbono do etanol de milho brasileiro é vista pela indústria como um marco regulatório com potencial para abrir, no médio e longo prazo, um novo mercado para o biocombustível: o setor de navegação. Executivos do segmento afirmam que o movimento ajuda a posicionar o produto como alternativa relevante em um cenário de combustíveis de baixo carbono e de pressão global pela redução de emissões.
Em maio, a OMI definiu a intensidade de carbono padrão do etanol de milho de segunda safra produzido no Brasil em 20,8 gramas de CO2e por megajoule. O parâmetro, segundo representantes do setor, é um passo importante porque serve como referência em discussões técnicas e futuras regulamentações internacionais relacionadas ao uso de combustíveis sustentáveis no transporte marítimo.
Para efeito de comparação, a intensidade média atual de gases de efeito estufa associada ao transporte marítimo é de 93,3 gramas de CO2e por megajoule, de acordo com dados da própria organização. A diferença entre os indicadores reforça, na avaliação da indústria, o potencial do etanol de milho brasileiro como parte do pacote de soluções para descarbonizar uma cadeia logística historicamente dependente de derivados fósseis.
A definição do valor padrão pela OMI é considerada “histórica” por empresas do setor, por sinalizar reconhecimento internacional de um combustível que, embora já seja relevante no mercado interno, ainda busca ampliar sua participação em aplicações globais. A indústria avalia que o transporte marítimo pode se tornar um novo vetor de demanda à medida que normas e metas climáticas acelerem a adoção de alternativas de menor emissão.
O entendimento é que, ao formalizar um fator de emissões específico para o etanol de milho brasileiro, a OMI cria um ponto de partida para comparações e decisões de compra no futuro, especialmente se forem implementados mecanismos que recompensem combustíveis com menor pegada de carbono.
O avanço regulatório acontece em paralelo à transformação do setor de etanol no país. Por décadas, o mercado foi dominado pelo etanol de cana-de-açúcar. Nos últimos anos, porém, o etanol de milho ganhou tração e passou a representar uma parcela cada vez mais relevante da oferta.
Segundo dados do setor, a produção de etanol de milho atingiu quase 10 bilhões de litros na safra 2025/26, ante 2,65 bilhões de litros registrados no início da década. O salto reflete investimentos industriais, expansão de plantas, aumento da disponibilidade de matéria-prima e maior integração com cadeias de produção e logística em regiões produtoras.
A perspectiva de uso na navegação é associada a uma possível valorização do produto. Executivos destacam que, uma vez que biocombustíveis sejam aprovados para operações de transporte marítimo, pode haver prêmios para alternativas com menor impacto climático, especialmente em rotas e frotas que precisem cumprir requisitos de descarbonização.
Parte da estratégia do setor é ampliar a competitividade ambiental do etanol de milho por meio de melhorias em processos industriais e de projetos de inovação para reduzir a intensidade de emissões ao longo do ciclo de vida do combustível.
Empresas do segmento relatam investimentos em frentes como uso de biomassa, ganhos de eficiência industrial e projetos de bioenergia com captura e armazenamento de carbono. A ideia é avançar na descarbonização do produto e, em alguns casos, chegar a um patamar em que o etanol possa ser classificado como carbono negativo, dependendo da tecnologia e da escala de implementação.
A indústria afirma que vem investindo para reduzir emissões em diferentes etapas e que projetos de captura e armazenamento de carbono podem, no futuro, alterar ainda mais o perfil ambiental do etanol de milho.
Um ponto enfatizado por executivos é que a entrada do etanol de milho brasileiro no transporte marítimo não deve ocorrer como substituição direta de outras opções, mas como complemento a biocombustíveis já conhecidos, como etanol de cana e biodiesel. A justificativa é a escala do consumo do setor de navegação, que exigiria grande volume de alternativas sustentáveis para uma transição eficiente.

Um estudo da CIBIO-BIOPOLIS (Universidade do Porto), em colaboração com o Carlsberg Research Laboratory, apresenta uma tecnologia genética que triplica os níveis de zinco no sorgo sem comprometer o desenvolvimento da planta. Utilizando a tecnologia FIND-IT, a pesquisa identifica variantes de um sensor de zinco em um gene do sorgo que promovem maior absorção e acumulação do nutriente nas sementes. A descoberta mostra que a biofortificação pode enriquecer culturas alimentares essenciais de forma precisa e sustentável, com impactos positivos na nutrição humana. Importante destacar que, segundo o estudo, trigo, milho e outros cereais...

A avaliação é que, devido ao tamanho do mercado global de combustíveis marítimos, a transição energética do setor dependerá de um portfólio amplo de soluções, e não de um único produto. Nesse contexto, o etanol de milho de segunda safra do Brasil aparece como mais uma opção viável para compor a matriz de combustíveis de baixo carbono.
Indicador Intensidade (g CO2e/MJ) Leitura Etanol de milho brasileiro (segunda safra) 20,8 Baixa intensidade de carbono; referência definida pela OMI Média atual do transporte marítimo 93,3 Perfil atual mais emissor; base para metas de redução
A decisão da OMI não significa, por si só, adoção imediata do etanol na navegação, mas é interpretada pelo setor como um avanço técnico e regulatório relevante. Ao estabelecer um parâmetro reconhecido, a organização cria condições para que o combustível seja considerado em políticas futuras e em modelos de conformidade climática do transporte marítimo.
Para a indústria brasileira, o movimento também reforça o posicionamento do país como fornecedor de biocombustíveis sustentáveis e amplia a visibilidade do etanol de milho em um mercado internacional que busca alternativas para reduzir emissões sem comprometer a escala de abastecimento.
A OMI definiu a pegada de carbono padrão do etanol de milho brasileiro de segunda safra em 20,8 g CO2e/MJ.
A intensidade média atual do transporte marítimo é de 93,3 g CO2e/MJ, indicando amplo espaço para redução.
A produção de etanol de milho no Brasil subiu para quase 10 bilhões de litros na safra 2025/26.
O setor aposta em eficiência industrial e em tecnologias de captura e armazenamento de carbono para reduzir ainda mais emissões.
Executivos veem o etanol de milho como complementar a outros biocombustíveis em função da escala do mercado marítimo.
Com a formalização do indicador pela OMI, o etanol de milho brasileiro dá um passo relevante no debate global sobre combustíveis sustentáveis. A expectativa do setor é que, conforme as regras internacionais avancem, o transporte marítimo se transforme em um novo campo de expansão para o biocombustível, impulsionando investimentos e consolidando o Brasil como protagonista na agenda de descarbonização.
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