
Minas Gerais registrou forte presença no comércio exterior do agronegócio entre janeiro e abril de 2026, somando US$ 5,8 bilhões em receita com a exportação de 4,8 milhões de toneladas de produtos. O desempenho manteve o estado na terceira colocação entre os maiores exportadores do setor no Brasil, reforçando o peso da agropecuária na economia mineira e sua relevância nas cadeias globais de alimentos e matérias-primas.
Apesar do resultado expressivo, o levantamento aponta que o período também foi marcado por retração na comparação com o primeiro quadrimestre de 2025: houve queda de 11,9% no faturamento e de 9,3% no volume embarcado. A avaliação técnica indica que a redução ficou concentrada principalmente nas cadeias do café e do complexo sucroalcooleiro, dois pilares tradicionais da pauta exportadora do estado.
No recorte por municípios, Varginha assumiu a liderança no faturamento do comércio exterior agropecuário mineiro, alcançando US$ 1,02 bilhão no quadrimestre. O montante correspondeu a 19,3% de toda a receita gerada pelo agronegócio do estado no período.
O desempenho do município foi impulsionado principalmente pelo mercado cafeeiro, que continua sendo o principal produto da pauta exportadora de Minas Gerais. Mesmo com a retração registrada no segmento ao longo do quadrimestre, o café permanece como fator decisivo para a performance do estado e para o posicionamento competitivo de municípios ligados à produção, beneficiamento e comercialização.
O ranking municipal mostra elevada concentração: as dez cidades mais bem colocadas responderam por cerca de 62,7% de toda a receita das exportações do agronegócio mineiro entre janeiro e abril de 2026.
Guaxupé ficou na segunda posição, com US$ 575,4 milhões, seguida por Uberlândia, com US$ 391,7 milhões. Araguari e Alfenas completaram o grupo das cinco cidades com maior faturamento no período. Também figuraram entre os dez principais municípios exportadores Belo Oriente, Patrocínio, Espera Feliz, Ituiutaba e Indianópolis.
Destaque do ranking: Varginha somou US$ 1,02 bilhão e respondeu por 19,3% do faturamento do agronegócio mineiro no quadrimestre.
Mesmo com oscilações, o café manteve a liderança absoluta entre os produtos exportados por Minas Gerais. No primeiro quadrimestre de 2026, o estado movimentou US$ 3,2 bilhões com o embarque de 7,4 milhões de sacas.
Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o segmento apresentou retração de 17,5% na receita e queda de 26% no volume exportado. Ainda assim, Minas Gerais permaneceu responsável por aproximadamente 71% das exportações brasileiras de café, preservando sua posição estratégica no abastecimento do mercado internacional.
Além disso, o estado manteve liderança nacional em segmentos como produtos apícolas e lácteos, indicando a força de cadeias que combinam produção agropecuária, processamento e valor agregado.
O complexo soja ocupou a segunda posição entre os itens mais exportados por Minas Gerais no quadrimestre. O segmento somou US$ 1,14 bilhão em receita, mesmo com retração de 2,8% no faturamento. O resultado confirma a relevância da soja no conjunto das exportações do estado, contribuindo para estabilidade em um período de queda em cadeias tradicionais.
Já o setor de carnes foi um dos principais motores de crescimento entre as cadeias produtivas no período, alcançando US$ 576,7 milhões em exportações. O avanço foi impulsionado especialmente pela valorização da carne bovina, que registrou aumento de 8,2% no valor comercializado e crescimento de 0,7% no volume embarcado.
Embora a retração tenha se concentrado no café e no complexo sucroalcooleiro, outros segmentos apresentaram desempenho positivo e ajudaram a ampliar a diversificação da pauta exportadora mineira.
Carnes

- O governo dos EUA propôs uma tarifa adicional de 25% sobre diversas importações do Brasil, com base na Seção 301, após confirmar que práticas brasileiras seriam injustas em áreas que vão desde comércio digital até desmatamento ilegal. A divulgação foi feita por Jamieson Greer, principal representante comercial dos EUA (USTR).

Sementes
Algodão
Papel e celulose
Animais vivos
Couros
Frutas
Bebidas
Na leitura do mercado, o resultado sugere que a diversificação tem papel relevante para reduzir a dependência de poucas commodities e para ampliar oportunidades em destinos com padrões e demandas distintas.
No cenário internacional, a União Europeia permaneceu como principal destino dos produtos do agronegócio mineiro, absorvendo US$ 1,7 bilhão, o equivalente a 29,6% da pauta exportadora do setor no quadrimestre.
O café teve papel dominante na relação comercial com os países europeus, respondendo por 94,4% do valor comercializado com o bloco. O dado reforça como o grão segue central para a estratégia exportadora mineira, especialmente nos mercados com alta demanda e tradição de consumo.
O Mercosul também manteve participação relevante nas relações comerciais do estado, movimentando US$ 82 milhões no período. Diferentemente da pauta com a União Europeia, as exportações para o bloco apresentaram perfil mais diversificado, com destaque para a Argentina, responsável por 63,2% das compras realizadas entre os países integrantes.
Indicador Resultado (jan–abr/2026) Exportações do agronegócio (MG) US$ 5,8 bilhões (4,8 milhões de toneladas) Varginha (município líder) US$ 1,02 bilhão (19,3% do total) Café (produto líder) US$ 3,2 bilhões (7,4 milhões de sacas) Complexo soja US$ 1,14 bilhão Carnes US$ 576,7 milhões Principal destino União Europeia: US$ 1,7 bilhão (29,6%)
Com liderança sustentada por municípios estratégicos e pelo peso do café, Minas Gerais segue como um dos principais polos exportadores do agronegócio brasileiro. Ao mesmo tempo, a queda em relação a 2025 e as oscilações em cadeias-chave reforçam a importância de diversificação produtiva e expansão de mercados para manter competitividade e estabilidade ao longo do ano.
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