
Mesmo sem repetir a safrinha recorde do ciclo anterior, o Brasil deve manter oferta suficiente de milho para o abastecimento interno ao longo da safra atual, que se estende até o fim de janeiro de 2027. A combinação de estoque de passagem elevado — resultado da produção recorde de 2025 — e a menor competitividade no mercado externo tende a segurar mais volume no mercado doméstico, sustentando estoques próximos ou até acima de 12,5 milhões de toneladas, patamar do ciclo anterior.
A avaliação é de que, embora haja uma redução na produção total, o país não deve enfrentar aperto de oferta no curto prazo. A pressão maior recai sobre o desempenho das exportações, que encontram um cenário global mais disputado, especialmente diante das safras robustas de Estados Unidos e Argentina.
As expectativas para a safra de inverno, projetadas em torno de 109 milhões de toneladas, não devem se confirmar. A principal razão é a queda de produtividade em estados relevantes como Goiás e Minas Gerais, impactados por seca.
Ao mesmo tempo, estados que inicialmente davam sinais de dificuldade climática e operacional — como Mato Grosso, Paraná e Mato Grosso do Sul — vêm apresentando bom desempenho, ajudando a amortecer as perdas. Ainda assim, a produção total brasileira, somando safra de verão e inverno, tende a ficar abaixo das 139 milhões de toneladas estimadas anteriormente.
“A exportação do país só engrena no segundo semestre, mas a competição dos Estados Unidos e da Argentina é muito pesada.”
Segundo análise de mercado, a disputa internacional deve limitar o ritmo de embarques e contribuir para a permanência de mais cereal no mercado interno, reforçando a perspectiva de estoques confortáveis ao fim da temporada.
O cenário externo é um dos pontos centrais para entender por que o milho tende a sobrar mais no mercado interno. A concorrência global está intensificada com a produção recorde dos Estados Unidos e da Argentina no ciclo 2025/26.
Estados Unidos: produção estimada em 432 milhões de toneladas.
Argentina: produção estimada em 64 milhões de toneladas.
Com mais oferta disponível e maior competitividade nos preços, o Brasil perde espaço em algumas janelas de exportação. Mantido o atual ritmo de concorrência, a estimativa é de que o país exporte algo mais próximo de 40 milhões de toneladas, abaixo de projeções que apontavam 46 milhões de toneladas.
Fator adicional: uma onda de calor na Europa pode reduzir produtividade e produção por lá, abrindo uma possibilidade — ainda incerta — de mudança no equilíbrio do mercado global. Outro ponto acompanhado de perto é a evolução da safra em áreas do Leste Europeu, com plantio avançando na Ucrânia.

Resumo: Entre janeiro e abril de 2026, o agronegócio de Minas Gerais exportou US$ 5,8 bilhões em 4,8 milhões de toneladas, mantendo o estado em terceiro lugar entre os maiores exportadores do Brasil. Varginha foi o município com maior faturamento, US$ 1,02 bilhão (19,3% da receita estadual no quadrimestre), impulsionado principalmente pelo café.

Além do volume produzido, os Estados Unidos entram no mercado com vantagem de preço e logística. O país tem infraestrutura consolidada para exportação de milho, e o produto ganhou ainda mais competitividade com mudanças recentes no fluxo de comércio agrícola.
Com a redução das vendas externas de soja para a China no período pós-colheita, em meio a disputas tarifárias, houve rearranjo de incentivos e prêmios no comércio. Na prática, isso contribuiu para que o milho norte-americano ficasse mais atrativo para compradores internacionais.
Como resultado, os EUA caminham para encerrar seu ano comercial (até 31 de agosto) com um recorde de 84 milhões de toneladas exportadas.
Na Argentina, o avanço da colheita também reforça a pressão no mercado internacional. Com cerca de um terço da safra colhida, a expectativa é que o país leve 64 milhões de toneladas aos armazéns, bem acima das 49 milhões do ciclo anterior.
Como o mercado interno argentino é menor, uma parcela significativa do milho produzido costuma ser destinada às exportações, aumentando a concorrência direta com o Brasil em destinos tradicionais.
Se por um lado as exportações enfrentam obstáculos, por outro o mercado doméstico tende a absorver mais volume. Um dos vetores mais relevantes é o crescimento do etanol de milho.
A projeção é de que o consumo do grão para produção de etanol atinja 28,4 milhões de toneladas no Brasil neste ano, uma alta de 39% em relação ao período anterior. O aumento reforça a demanda interna e ajuda a dar sustentação ao escoamento, especialmente em momentos de exportação mais fraca.
Nos Estados Unidos, o setor acompanha discussões sobre a ampliação da mistura de etanol na gasolina para 15%, o que poderia expandir o mercado. Ainda assim, esse avanço é considerado gradual, por questões de adaptação na distribuição e limitações na infraestrutura em parte do país. Além disso, o consumo de gasolina tem mostrado tendência de queda.
De acordo com dados do setor agrícola norte-americano, as usinas de etanol vêm utilizando, há vários anos, cerca de 142 milhões de toneladas de milho por ano, o que evidencia um mercado maduro e relativamente estável.
Tema Tendência na safra atual Produção Abaixo das projeções iniciais, com perdas por seca em estados específicos Estoques Elevados no início e potencialmente próximos ou acima de 12,5 milhões de toneladas ao final Exportações Pressionadas por EUA e Argentina; risco de volume menor do que o esperado Demanda interna Em alta, puxada principalmente pelo etanol de milho
Com esse conjunto de fatores, a tendência é de que o mercado interno brasileiro permaneça bem abastecido, enquanto o setor acompanha a disputa internacional e os efeitos do clima em regiões produtoras do Hemisfério Norte.
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