
MIAMI / BRASÍLIA — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, promoveu no último sábado uma reunião com líderes de 12 países da América Latina em seu resort em Doral, na região metropolitana de Miami. A ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre os convidados chamou atenção de analistas e reforçou sinais de uma relação bilateral marcada por pragmatismo, tensão comercial e um distanciamento estratégico, especialmente em temas ligados à influência da China na região.
Segundo a leitura de observadores internacionais, o não convite ao Brasil pode indicar o enfraquecimento da “química” previamente atribuída ao relacionamento entre os dois líderes após encontros e declarações públicas no ciclo diplomático recente. Embora não haja sinais de rompimento formal, a sequência de episódios envolvendo tarifas, blocos regionais e segurança sugere um cenário de relação instável e seletiva.
A avaliação predominante é que a reunião em Doral se insere em uma estratégia dos EUA para reduzir a influência chinesa na América Latina por meio de articulações regionais. Nesse contexto, a ausência do Brasil é interpretada como evidência de desconfiança do governo Trump em relação à proximidade diplomática do Palácio do Planalto com China e Rússia.
Fontes e análises apontam que, em março de 2026, o Brasil também não teria sido incluído em encontros considerados relevantes dentro de frentes regionais alinhadas à política norte-americana de contenção da presença chinesa, reforçando a percepção de que Washington mantém o País a uma distância operacional em pautas estratégicas.
Com base no encadeamento de fatos recentes, a relação entre Trump e Lula vem sendo descrita como complexa e pragmática, oscilando entre momentos de atrito e tentativas de convivência diplomática. O comportamento do governo norte-americano sugere uma combinação de pressão econômica e cautela geopolítica, com menor abertura para integração do Brasil em iniciativas regionais sensíveis.
“Não há um rompimento total, mas há evidências de afastamento em áreas estratégicas.”
Um dos principais pontos de tensão desde 2025 foi o aumento de tarifas aplicado pelos EUA sobre produtos brasileiros, medida que gerou atritos entre os governos. Em fevereiro de 2026, decisões no sistema judicial norte-americano teriam suspenso parte dessas tarifas, em um movimento que enfraqueceu a eficácia política da estratégia de pressão comercial.
Analistas avaliam que, diante do custo político e econômico da escalada tarifária, Trump passou a adotar uma postura mais pragmática: reduz o tom em alguns momentos, mas mantém o Brasil fora de arranjos regionais voltados a temas de segurança e alinhamento estratégico.
Apesar do histórico recente de tensões, Trump e Lula se encontraram em outubro de 2025, durante agenda internacional em Kuala Lumpur. O encontro foi lido como uma tentativa de reduzir atritos diretos e preservar canais institucionais mínimos entre as duas maiores economias do continente.
Já em fevereiro de 2026, Trump declarou publicamente que se dá “muito bem” com Lula e afirmou que gostaria de recebê-lo na Casa Branca, um gesto interpretado como esforço para manter a relação em um patamar de normalidade diplomática — ainda que persistam divergências ideológicas e de agenda internacional.

Resumo: Entre janeiro e abril de 2026, o agronegócio de Minas Gerais exportou US$ 5,8 bilhões em 4,8 milhões de toneladas, mantendo o estado em terceiro lugar entre os maiores exportadores do Brasil. Varginha foi o município com maior faturamento, US$ 1,02 bilhão (19,3% da receita estadual no quadrimestre), impulsionado principalmente pelo café.

Outro tema recorrente de atrito é a Venezuela. A postura do governo brasileiro diante da estabilidade política venezuelana é vista por integrantes do governo norte-americano como um ponto de divergência dentro da estratégia regional liderada por Washington. Nesse cenário, o Brasil aparece como um ator influente, mas “incômodo”, segundo avaliações citadas por analistas, o que poderia explicar parte do afastamento em fóruns desenhados para coordenação política hemisférica.
O ambiente bilateral também é descrito como sensível devido à manutenção de medidas norte-americanas contra autoridades brasileiras, incluindo menções a sanções relacionadas ao Judiciário e ao governo. Embora o tema seja tratado com reservas em comunicados oficiais, ele tende a aumentar a fricção diplomática e a dificultar agendas de cooperação em áreas sensíveis.
Reunião em Miami: Trump reuniu líderes de 12 países latino-americanos em Doral, sem convite ao Brasil.
Estratégia anti-China: exclusão do Brasil é vista como sinal de desconfiança diante da proximidade de Lula com China e Rússia.
Tarifas comerciais: medidas impostas em 2025 geraram atritos; parte delas foi suspensa no início de 2026.
Diplomacia pragmática: apesar das tensões, houve encontro em 2025 e declarações públicas de civilidade em 2026.
Venezuela e segurança: divergências regionais seguem como fator de desgaste e afastamento estratégico.
Período Evento Leitura política 2025 Imposição de tarifas sobre produtos brasileiros Pressão econômica e aumento de atritos bilaterais Outubro de 2025 Encontro entre Trump e Lula em agenda internacional Busca por convivência diplomática mínima Fevereiro de 2026 Suspensão parcial de tarifas no âmbito judicial e declarações de civilidade Pragmatismo e redução do confronto direto Março de 2026 Brasil fica fora de articulações regionais associadas à contenção da China Distanciamento estratégico e sinalização geopolítica Março de 2026 Reunião em Doral com líderes latino-americanos sem convite ao Brasil Isolamento pontual do Brasil em agenda regional prioritária
Para diplomatas e especialistas, os próximos meses devem consolidar se a exclusão do Brasil foi um episódio pontual ou parte de uma estratégia mais ampla de reposicionamento dos EUA na América Latina. O cenário atual sugere que Trump busca manter canais formais abertos com Brasília, mas condiciona avanços concretos em cooperação a alinhamentos em temas como China, segurança regional e posicionamentos internacionais.
Em síntese: a ausência do Brasil no encontro em Miami reforça o entendimento de que a relação EUA–Brasil, sob Trump e Lula, segue ativa, porém marcada por distância estratégica e disputas de influência no continente.
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