
Segundo maior produtor de feijão do Brasil, atrás apenas do Paraná, Minas Gerais deve colher cerca de 514,1 mil toneladas na safra 2025/26. Além do volume expressivo, o estado se diferencia por manter três safras anuais — safra das águas, safra da seca e feijão irrigado —, combinação que evidencia a capacidade de adaptação dos produtores e o uso crescente de tecnologias no campo.
De acordo com o pesquisador Fábio Aurélio Dias Martins, da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), a cadeia do feijão no estado abrange diferentes perfis de produtores. De um lado, pequenos agricultores que abastecem programas públicos de aquisição de alimentos; do outro, grandes produtores altamente tecnificados, com uso de pivô central e produtividade elevada, especialmente em regiões como o Triângulo e o Noroeste mineiro.
“Minas Gerais é como se fosse um resumo da capacidade brasileira de produzir feijão.”
Apesar da relevância produtiva, o mercado de feijão ainda convive com obstáculos no Brasil e em Minas Gerais. Segundo o pesquisador, o país produz pouco mais de 3 milhões de toneladas e consome praticamente tudo o que é colhido. O feijão carioca, variedade que representa cerca de 70% do consumo nacional, é produzido e consumido exclusivamente no Brasil — característica que impede que ele seja tratado como uma commodity internacional.
O resultado direto dessa particularidade é uma alta oscilação de preços. Quando há falta do grão, não existe oferta externa suficiente para compensar. Quando sobra, também não há mercado internacional estruturado para absorver o excedente. Essa volatilidade, avalia o especialista, prejudica tanto produtores quanto consumidores.
Por que o preço oscila tanto?
O feijão carioca tem consumo concentrado no mercado interno. Sem alternativa de importação rápida em caso de escassez e sem destino externo quando há excesso, a cadeia fica mais exposta a variações de produção e clima.
A retomada do Conafe em Minas Gerais ocorre em um momento em que o setor busca alinhar produtividade, inovação e valor nutricional. O tema central desta edição é “o feijão como um alimento que promove saúde”, destacando benefícios para a dieta brasileira e discutindo também um ponto de atenção: a redução do consumo de arroz e feijão em diferentes faixas da população.
O feijão é descrito como uma fonte de proteína de alta qualidade e de minerais essenciais, reforçando seu papel em estratégias de alimentação equilibrada e em políticas públicas de segurança alimentar. Ainda assim, mudanças de hábitos alimentares, comportamento de consumo e dinâmica de preços aparecem como fatores associados à queda do consumo.
A programação inclui discussões sobre o presente e o futuro da cadeia produtiva, com foco em soluções para produtividade e sustentabilidade. Entre os tópicos previstos estão:
Comércio e consumo de feijão, com análise de tendências e gargalos do mercado interno;

Não é novidade que o agronegócio brasileiro atravessa um momento desafiador. Soja, milho e algodão, pilares da nossa balança comercial, enfrentam preços pressionados e margens mais apertadas. Para quem se alavancou nos últimos anos, surfando no crédito farto e expansão acelerada, o cenário ficou ainda mais duro.

Possibilidades de exportação, considerando desafios logísticos e padrões internacionais;
Melhoramento genético, visando cultivares mais produtivas e adaptadas;
Controle da mosca-branca, praga relevante para perdas e qualidade da lavoura;
Uso de bioinsumos, como alternativa para manejo mais sustentável e eficiente.
O congresso também abre espaço para a agricultura familiar, com um painel voltado ao feijão como negócio de impacto social e às políticas públicas que influenciam renda, acesso a mercados e estabilidade produtiva. A proposta é ampliar o diálogo entre pesquisa, extensão, cadeias de abastecimento e iniciativas de alimentação institucional.
Além do olhar técnico, a agenda do evento inclui conteúdos relacionados à cultura alimentar e ao incentivo ao consumo, conectando o feijão à tradição gastronômica mineira e aos desafios contemporâneos de saúde pública e nutrição.
Indicador Destaque Posição no Brasil 2º maior produtor Safra 2025/26 (estimativa) 514,1 mil toneladas Sistema de produção Três safras: águas, seca e irrigado Perfis de produtores De pequenos agricultores a grandes produtores tecnificados
Voltado a quem atua direta ou indiretamente na produção e na pesquisa, o Conafe pretende funcionar como um ambiente de atualização técnica, identificação de oportunidades e integração entre diferentes elos do setor. A expectativa é estimular a troca de experiências, difundir práticas e impulsionar soluções para desafios de produção, sanidade e consumo.
Com a combinação de temas ligados a saúde, nutrição, tecnologia agrícola e mercado, a edição em Minas Gerais busca fortalecer a relevância do feijão na alimentação brasileira e apoiar caminhos para mais estabilidade produtiva e competitividade.
Contexto: Minas Gerais se destaca na produção nacional de feijão por volume, diversidade de safras e adoção de tecnologias. O Conafe retorna como espaço de debate sobre saúde, consumo e inovação, reunindo especialistas para discutir desafios como volatilidade de preços, pragas e alternativas sustentáveis de produção.
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A São Martinho apresentou forte desempenho no quarto trimestre da safra 2025/26, com lucro líquido de 172,8 milhões de reais, alta de 64,6% ante o mesmo período do ano anterior. A empresa concentrou as vendas de etanol para o fim da safra, tirando proveito da alta de preços na entressafra, o que elevou a lucratividade do período. Do total de etanol produzido na safra, 39,6% foi vendido no 4T a preços 4% superiores, resultando em uma receita de etanol de 1,4 bilhão de reais no trimestre, e a receita líquida do 4T atingiu 2,2 bilhões de reais, alta de 29,1%.