
Uma comitiva de especialistas sanitários japoneses iniciou uma auditoria técnica no Brasil com foco nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. O objetivo é verificar, na prática, a robustez do sistema brasileiro de vigilância, controle e resposta à febre aftosa — etapa considerada decisiva para uma possível abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira.
O Japão importa cerca de 700 mil toneladas de carne bovina por ano, volume equivalente a aproximadamente 60% do consumo anual do país. Hoje, a maior parte das compras japonesas vem de Estados Unidos e Austrália, em negócios que somam cerca de US$ 4 bilhões anuais. Outros fornecedores relevantes incluem Canadá, México, Nova Zelândia e Uruguai.
Para o Brasil, a entrada no Japão representa uma oportunidade estratégica: além de ser um mercado de alto valor agregado, ajuda a diversificar a pauta exportadora em um momento de maior competição internacional e ajustes comerciais. Um dos fatores que impulsionam o interesse é o preço médio pago pelos japoneses, que varia entre US$ 4,5 mil e US$ 6,8 mil por tonelada (dependendo do corte, padrão e exigências sanitárias).
Também pesa a busca brasileira por ampliar destinos diante de mudanças no cenário global, incluindo a adoção de cotas por grandes compradores. No caso japonês, no entanto, a principal barreira continua sendo sanitária, com exigências rigorosas para mitigação de riscos relacionados à febre aftosa.
A missão é formada por auditores do Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca do Japão e por integrantes da Organização Nacional de Pesquisa em Agricultura e Alimentos do país. Segundo informações apuradas, a auditoria busca confirmar a consistência e confiabilidade do dossiê técnico encaminhado pelo Brasil após um questionário japonês.
Além da análise documental, os especialistas verificam a aplicação efetiva da legislação e dos procedimentos sanitários por produtores, indústrias e órgãos públicos. A expectativa é que o processo inclua a checagem da capacidade do país de prevenir, detectar e controlar um eventual evento de febre aftosa.
Arcabouço legal e sua implementação no campo e na indústria
Rastreabilidade e controle de movimentação animal
Quarentena e protocolos de biossegurança
Diagnóstico laboratorial e capacidade analítica
Vigilância epidemiológica e resposta a emergências
Controles em aeroportos, divisas e estruturas de fiscalização

Resumo: Em 2025, Minas Gerais atingiu o valor recorde de US$ 19,9 bilhões em exportações do agronegócio, com crescimento de 15,8% frente a 2024, elevando a participação do setor nas exportações totais do estado para 43,4% (a maior já registrada). Apesar da redução de 4,3% no volume embarcado, para 16,3 milhões de toneladas, a alta de receita reflete preços médios mais elevados, valorização de produtos estratégicos e maior captura de valor. Os principais produtos responderam por 96,3% das exportações agro: café (57,1% da receita); complexo soja; complexo sucroalcooleiro; carnes e produtos florestais. Destinos: China (US$ 4,6 bilhões), Estados Unidos (US$ 1,9 bilhão), Alemanha (US$ 1,9 bilhão), Itália (US$ 1,1 bilhão) e Japão (US$ 1 bilhão), totalizando negócios com 178 países. O Panorama do Comércio Exterior do Agronegócio de Minas Gerais 2026, publicado pela Seapa-MG (em versão bilíngue, inglês e português), oferece uma base técnica para interpretar a inserção internacional do agronegócio e subsidiar decisões públicas e privadas em um ambiente comercial dinâmico. A publicação reforça que o agro continua sendo o principal motor exportador do estado, contribuindo para geração de divisas, renda e inserção internacional, conforme destaca Manoela Teixeira.
O itinerário da missão prevê visitas técnicas a fazendas de gado bovino, frigoríficos, laboratório federal agropecuário e estruturas de vigilância em aeroportos e divisas estaduais, além de agências de defesa agropecuária. A auditoria também inclui reuniões com autoridades de saúde animal dos três estados do Sul.
Os resultados serão analisados por um comitê de saúde animal japonês antes de qualquer decisão sobre a abertura. Até o momento, não há prazo definido para conclusão do processo.
A avaliação conduzida pelo Japão tende a ser considerada, neste momento, para uma eventual habilitação dos três estados do Sul. O Brasil, porém, busca ampliar o escopo para incluir ao menos Rondônia e Acre, que já haviam obtido reconhecimento como zonas livres de febre aftosa sem vacinação. A ampliação dependerá do entendimento japonês sobre risco e do desempenho dos controles verificados na auditoria atual.
Em foco: comprovar, com evidências em campo, que o sistema sanitário brasileiro é capaz de manter o status de área livre de febre aftosa e responder rapidamente a qualquer suspeita.
Mesmo que a etapa sanitária seja superada, o Brasil ainda precisará avançar em condições de acesso ao mercado japonês. Hoje, exportadores enfrentam tarifas de importação que podem chegar a 38,5%, patamar considerado elevado no comércio internacional. Para comparação, há mercados com alíquotas menores — em determinados cenários, Estados Unidos e China operam com taxas inferiores.
O tema tarifário tende a integrar uma fase posterior das tratativas, caso a auditoria confirme a aderência do Brasil às exigências sanitárias japonesas.
Os governos brasileiro e japonês firmaram um termo de confidencialidade que restringe a divulgação de cronogramas, locais exatos de visita e detalhes operacionais da inspeção in loco. A medida busca preservar a integridade do processo e evitar interferências, com previsão de penalidades em caso de descumprimento.
Uma missão japonesa já havia visitado o Brasil em 2025 para uma avaliação prévia, em roteiro semelhante, mas sem caráter definitivo. As negociações ganharam tração após compromissos assumidos em reuniões bilaterais de alto nível, que sinalizaram a disposição japonesa de avançar para uma etapa mais técnica e conclusiva.
Em junho de 2025, o Brasil recebeu o reconhecimento da Organização Mundial de Saúde Animal como país livre de febre aftosa sem vacinação, um requisito importante para mercados altamente exigentes. O país já exporta carne bovina para mais de 160 destinos, mas o Japão permanece entre os mercados mais seletivos em critérios sanitários e de rastreabilidade.
Se a abertura for confirmada, a carne bovina brasileira poderá competir em um mercado que combina alto consumo de importados, preços premium e forte exigência por conformidade sanitária. Para o setor, isso pode significar novas habilitações de plantas, maior pressão por padronização e investimentos em processos — do campo ao frigorífico.
Indicador Informação Importações anuais do Japão Cerca de 700 mil toneladas Participação no consumo japonês Aproximadamente 60% Principais fornecedores atuais Estados Unidos e Austrália Preço médio por tonelada Entre US$ 4,5 mil e US$ 6,8 mil Tarifa máxima citada Até 38,5%
Próximos passos: após a conclusão das visitas, o Japão consolidará as evidências e encaminhará a análise ao seu comitê de saúde animal. A decisão sobre a abertura dependerá do resultado técnico da auditoria e da avaliação de risco sanitário, com possibilidade de novas etapas de negociação comercial posteriormente.
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Resumo: China e os Estados Unidos chegaram a um acordo preliminar para ampliar o comércio agrícola bilateral por meio de reduções tarifárias e avanços no acesso ao mercado, segundo o Ministério do Comércio chinês. As negociações são preliminares e devem ser finalizadas o mais rápido possível após a visita do presidente dos EUA, Donald Trump, a Pequim. As importações agrícolas dos EUA para a China continuam sujeitas a uma tarifa adicional de 10%. Dados do Departamento de Agricultura dos EUA indicam que as compras chinesas caíram 65,7% em 2025, para US$ 8,4 bilhões, refletindo o impacto das rodadas tarifárias anteriores.