
Projeção da Anfavea aponta queda de 6,2% na comercialização no próximo ano, mantendo a tendência de desaceleração do setor.
As vendas de máquinas agrícolas no Brasil devem registrar uma queda de 6,2% em 2026, segundo projeção apresentada pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Caso a estimativa se confirme, a comercialização desses equipamentos terá recuado pelo quinto ano consecutivo, reforçando um cenário de enfraquecimento persistente no mercado de mecanização no campo.
O movimento previsto para 2026 sinaliza a continuidade de um ciclo de menor apetite por investimentos em equipamentos, em um setor que historicamente acompanha o ritmo da atividade agropecuária e a capacidade de financiamento do produtor. A projeção da Anfavea chama atenção por consolidar uma sequência prolongada de retrações, indicando que a recuperação ainda não se firmou de forma consistente.
Embora o levantamento divulgado destaque a variação esperada para o próximo ano, o dado mais relevante para o mercado é a confirmação da tendência: com menos máquinas sendo vendidas ano após ano, fabricantes, concessionárias e prestadores de serviço passam a ajustar estratégias, estoques e capacidade produtiva.
Destaque: Se a queda projetada se concretizar, o setor de máquinas agrícolas no Brasil terá acumulado cinco anos seguidos de recuo nas vendas até 2026.
A expectativa de nova retração mantém o segmento em alerta e reforça a importância de monitorar indicadores de demanda, como planos de safra, condições de crédito e custos de produção. Em um ambiente de menor expansão, decisões de compra tendem a ser mais cautelosas, com foco em produtividade e reposição pontual de frota.
A mecanização agrícola é considerada estratégica para a eficiência no campo, especialmente diante de desafios como aumento de custos operacionais e busca por maior precisão nas operações. Ainda assim, a projeção da Anfavea aponta que, no curto prazo, o mercado deve permanecer em terreno negativo.
Queda prevista: 6,2% nas vendas em 2026.

A São Martinho apresentou forte desempenho no quarto trimestre da safra 2025/26, com lucro líquido de 172,8 milhões de reais, alta de 64,6% ante o mesmo período do ano anterior. A empresa concentrou as vendas de etanol para o fim da safra, tirando proveito da alta de preços na entressafra, o que elevou a lucratividade do período. Do total de etanol produzido na safra, 39,6% foi vendido no 4T a preços 4% superiores, resultando em uma receita de etanol de 1,4 bilhão de reais no trimestre, e a receita líquida do 4T atingiu 2,2 bilhões de reais, alta de 29,1%.

Tendência: retração pelo quinto ano consecutivo, se confirmada.
Fonte: Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Indicador Resultado Leitura Vendas de máquinas agrícolas (projeção 2026) -6,2% Manutenção do ciclo de queda Sequência de anos com retração (se confirmada) 5 anos Pressão sobre planejamento do setor Entidade que apresentou a estimativa Anfavea Referência para a indústria
Uma trajetória prolongada de queda nas vendas tende a provocar ajustes em diferentes elos da cadeia. Para a indústria, significa planejamento mais conservador de produção e atenção a linhas com maior valor agregado. Para o varejo especializado, o cenário pode reforçar a necessidade de estratégias de pós-venda, manutenção e oferta de soluções de eficiência.
Do ponto de vista do produtor, a decisão de compra costuma considerar não apenas o preço do equipamento, mas também a previsibilidade de renda e as condições de acesso ao crédito. Em ciclos de menor demanda, cresce o espaço para negociações, revisão de portfólio e foco em tecnologias que reduzam desperdícios e melhorem o desempenho operacional.
A projeção divulgada pela Anfavea, portanto, funciona como um termômetro do setor e reforça a necessidade de acompanhar a evolução do mercado ao longo de 2026. Se confirmada, a queda de 6,2% sinaliza que a recuperação do segmento ainda deve exigir tempo e condições mais favoráveis para a retomada de investimentos.
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O primeiro trimestre trouxe sinais mistos para o agronegócio brasileiro. Dados do Valor Data sobre 18 empresas mostram piora de resultados: 11 registraram queda de receita líquida; 15 tiveram lucro, mas entre as lucrativas, 9 viram queda no lucro. A margem EBITDA permaneceu positiva para 14 companhias, porém metade ficou abaixo do patamar de um ano antes. O frete continua a pressionar custos e preços recebidos pelos produtores, com analistas destacando o desconto aplicado pelas tradings com base no custo do frete e do combustível.