Soja: 30% da safra 2025/26 é colhida no Brasil; atraso persiste e Rio Grande do Sul fica em risco com chuvas
Colheita da soja 2025/26 chega a 30% no Brasil; atraso e riscos persistem.

Colheita da soja 2025/26 avança no Brasil, mas ritmo segue abaixo da média recente
A colheita da safra 2025/26 de soja alcançou 30% da área cultivada no Brasil até a quinta-feira (19), segundo levantamento da AgRural. O percentual representa um avanço relevante em relação à semana anterior, quando o índice era de 21%, mas ainda permanece abaixo do patamar observado no mesmo período do ano passado, que era de 39%.
Apesar da melhora no ritmo durante a semana, o desempenho nacional continua sendo o mais lento para esta época do ano desde a safra 2020/21. O cenário reflete uma combinação de fatores agronômicos e climáticos que vêm interferindo no calendário do campo e na capacidade de acelerar os trabalhos em diferentes regiões produtoras.
Centro-Oeste puxa avanço com tempo mais firme
O avanço da colheita foi impulsionado principalmente por um período de tempo mais firme no Centro-Oeste, o que favoreceu a entrada de máquinas nas áreas prontas e permitiu maior continuidade das operações. A região tem papel central no desempenho do país, já que concentra uma parcela expressiva da produção nacional de soja.
Mesmo com essa janela mais favorável, o mercado e o setor produtivo seguem atentos ao comportamento do clima e ao andamento do ciclo das lavouras, pois o ritmo geral continua aquém do observado em temporadas recentes.
Por que a colheita está atrasada?
De acordo com a avaliação consolidada no levantamento, o atraso não se explica por um único motivo. Há uma sobreposição de fatores que, em diferentes intensidades, têm impactado estados e microrregiões:
- Plantio tardio, que empurrou o calendário da safra para frente;
- Alongamento do ciclo das lavouras, reduzindo a velocidade de maturação em algumas áreas;
- Chuvas durante a colheita, dificultando operações e elevando a necessidade de pausas no campo.
Esse conjunto de condições ajuda a entender por que, mesmo com avanço semanal consistente, a colheita ainda está atrás do ritmo registrado no ano anterior. Em termos práticos, a lentidão tende a pressionar o encadeamento logístico da safra e pode alterar o planejamento de produtores que também dependem de janelas de tempo para outras atividades no ciclo agrícola.
Mesmo com progresso na semana, o índice nacional permanece no menor nível para o período desde 2020/21, refletindo atrasos no plantio e impacto climático.
Rio Grande do Sul: chuvas ajudam, mas risco de perdas continua
No Rio Grande do Sul, as chuvas registradas na semana passada foram consideradas positivas para as lavouras, especialmente diante do quadro de restrição hídrica observado em parte do estado. No entanto, a precipitação ocorreu de forma irregular, o que significa que várias áreas seguem com umidade do solo baixa.
A situação preocupa porque uma parcela significativa das lavouras gaúchas ainda está na fase de enchimento de grãos, um estágio crítico para definição do potencial produtivo. Com isso, a safra no estado segue sob risco de quebra e depende de novas chuvas para conter o avanço de perdas.
A expectativa, segundo o panorama descrito no levantamento, é que a continuidade das precipitações seja determinante para estabilizar o quadro em regiões onde o déficit hídrico persiste. Sem reposição adequada de água no solo, o desempenho das lavouras pode se deteriorar, com reflexos na produtividade.
Panorama resumido da semana
| Indicador | Situação |
|---|---|
| Colheita no Brasil (até 19) | 30% da área cultivada |
| Semana anterior | 21% |
| Mesmo período do ano passado | 39% |
| Principal motor do avanço | Tempo mais firme no Centro-Oeste |
| Fatores do atraso | Plantio tardio, ciclo alongado e chuvas na colheita |
| RS | Chuvas ajudaram, mas foram irregulares; lavouras ainda em enchimento de grãos |
O que observar nas próximas semanas
Com a colheita avançando, mas ainda em ritmo inferior ao habitual, o acompanhamento das condições climáticas e do estágio das lavouras deve seguir no centro das atenções. A depender do comportamento do tempo, o país pode ganhar velocidade em regiões onde a maturação está mais adiantada ou, ao contrário, enfrentar novas interrupções onde as chuvas persistirem.
No Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, a necessidade de regularidade das precipitações segue como ponto-chave para reduzir o risco de perdas na fase final de desenvolvimento das plantas. Já em áreas onde a colheita depende de tempo seco, a estabilidade climática será determinante para manter o fluxo de máquinas e reduzir atrasos.
Em um cenário de safras cada vez mais sensíveis a variações de clima e calendário, os números desta semana reforçam a importância do monitoramento constante de campo, do planejamento operacional e da gestão de risco para atravessar períodos de instabilidade.




