Coamo capta R$ 500 milhões para usina de etanol de milho em Campo Mourão (PR) com notas escriturais, ESG e energia renovável
EconomiaA Granja·Publicado em 22 de abril de 2026 às 09h03·Modificado em 22 de abril de 2026 às 17h35·4 mins de leituraGrátis

Coamo capta R$ 500 milhões para usina de etanol de milho em Campo Mourão (PR) com notas escriturais, ESG e energia renovável

Coamo financia usina de etanol em Campo Mourão com R$500 milhões; ESG, Santander.

Coamo capta R$ 500 milhões para usina de etanol de milho em Campo Mourão (PR) com notas escriturais, ESG e energia renovável

Coamo capta R$ 500 milhões para construir usina de etanol de milho no Paraná e ampliar oferta de biocombustíveis

A cooperativa Coamo registrou uma nova operação de captação no mercado de capitais ao realizar a segunda emissão de notas comerciais escriturais, no valor de R$ 500 milhões, destinada ao financiamento de energia renovável. O objetivo é viabilizar a construção de uma usina de etanol de milho em Campo Mourão (PR), reforçando o avanço dos biocombustíveis e a expansão do etanol de grãos no Brasil.

De acordo com as informações comunicadas ao mercado, os papéis têm vencimento em 2036 e oferecem rentabilidade prefixada de 12,37% ao ano. A emissão está vinculada ao Programa Eco Invest Brasil, iniciativa voltada ao estímulo de projetos com impacto ambiental e social. A liderança da operação ficará a cargo do Santander.

A captação, conforme informado, será integralmente direcionada à implantação da nova unidade industrial. O movimento sinaliza a busca por funding de longo prazo para projetos estratégicos no agronegócio e, ao mesmo tempo, evidencia o interesse do mercado por instrumentos de dívida alinhados à agenda ESG.


Capacidade de produção e processamento de milho

O projeto da nova usina prevê uma escala industrial robusta, com capacidade estimada de produção diária de:

  • 763,3 mil litros de etanol hidratado por dia;

  • 723 mil litros de etanol anidro por dia.

Para sustentar esse volume, a unidade deverá processar aproximadamente 1,7 mil toneladas de milho por dia. Na prática, isso representa uma estratégia de agregação de valor à produção agrícola, ao direcionar parte do milho para a industrialização e geração de biocombustível.


Por que o etanol de milho ganha espaço

A expansão do etanol de milho tem sido vista como uma das principais frentes de diversificação da matriz energética, especialmente em regiões produtoras de grãos. Ao ampliar a base de matérias-primas para biocombustíveis, o setor busca reduzir riscos, ganhar eficiência e estimular novos investimentos industriais conectados ao campo.

No caso do projeto anunciado, a instalação em Campo Mourão amplia o protagonismo do Paraná nesse tipo de investimento e consolida a tendência de integrar produção agrícola e indústria de renováveis em uma mesma estratégia de desenvolvimento.


Detalhes da operação financeira

A emissão de notas comerciais escriturais, com vencimento em 2036, se insere em um contexto de fortalecimento de mecanismos de crédito e de financiamento para infraestrutura e indústria no agronegócio. Ao atrelar a captação ao Eco Invest Brasil, a cooperativa posiciona o investimento como parte de uma agenda de transição energética, com foco em fontes renováveis.

Além disso, a operação destaca o crescimento de instrumentos financeiros associados a metas ambientais e sociais. Esse tipo de estrutura tem atraído investidores que buscam combinar retorno financeiro com iniciativas vinculadas a critérios de sustentabilidade e impacto.


Resumo do projeto

Item Informação Valor captado R$ 500 milhões Destino dos recursos Construção de usina de etanol de milho Local do projeto Campo Mourão (PR) Vencimento 2036 Rentabilidade Prefixada de 12,37% ao ano Programa associado Eco Invest Brasil Banco líder Santander Capacidade de etanol hidratado 763,3 mil litros/dia Capacidade de etanol anidro 723 mil litros/dia Processamento de milho 1,7 mil toneladas/dia


Mercado, ESG e investimentos de longo prazo

A operação reforça a leitura de que há demanda por mecanismos de financiamento com prazos longos para projetos industriais, sobretudo em segmentos ligados à descarbonização e à energia renovável. Em um ambiente de busca por capital para ampliar a capacidade produtiva e modernizar cadeias do agronegócio, a emissão também serve como termômetro do apetite de investidores por ativos com atributos ESG.

Para o setor de biocombustíveis, a construção de novas plantas industriais tende a fortalecer a capacidade de produção nacional e a ampliar a participação do etanol de milho no mercado. Ao mesmo tempo, a industrialização do grão representa um passo adicional na estratégia de verticalização e de diversificação de receitas em regiões agrícolas.

Com a destinação dos recursos já definida para a construção da unidade, a iniciativa da Coamo coloca Campo Mourão no centro de um investimento que combina agronegócio, transição energética e finanças sustentáveis, em uma tendência que deve continuar influenciando decisões de mercado nos próximos anos.


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