Preço dos Ovos em Minas Gerais dispara na Quaresma: demanda sazonal, custos elevados e produção em alta
Avicultura A Granja·Publicado em 01 de abril de 2026 às 09h02·Modificado em 01 de abril de 2026 às 19h39·6 mins de leituraGrátis

Preço dos Ovos em Minas Gerais dispara na Quaresma: demanda sazonal, custos elevados e produção em alta

Quaresma impulsiona demanda por ovos em MG, elevando preços e destacando produção.

Preço dos Ovos em Minas Gerais dispara na Quaresma: demanda sazonal, custos elevados e produção em alta

Preços dos ovos sobem em Minas Gerais durante a Quaresma e reacendem debate sobre alimentação e custos de produção

O aumento do consumo no período da Quaresma elevou os preços dos ovos em Minas Gerais, em um movimento impulsionado pela troca de carnes vermelhas por proteínas alternativas, como o ovo. Além da demanda sazonal, o calor tende a reduzir a produtividade das galinhas e os custos de insumos seguem pressionando a atividade, fatores que ajudam a explicar a valorização registrada no primeiro trimestre.

Em Belo Horizonte, dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) indicam que a caixa com 30 dúzias de ovos brancos passou de R$ 97,34 no início de janeiro para R$ 174,34 no fechamento de 27 de março, evidenciando a intensidade da oscilação típica do período.


Demanda da Quaresma e efeitos do clima pressionam o mercado

De acordo com o diretor técnico da Associação dos Avicultores de Minas Gerais (Avimig), Gustavo Ribeiro, a alta observada no início do ano em Minas e no restante do país está ligada principalmente a fatores sazonais de demanda e a ajustes de mercado.

“Um ponto importante é o período da Quaresma, quando tradicionalmente parte da população reduz o consumo de carnes e aumenta o consumo de proteínas alternativas, como ovos e peixe. Isso normalmente gera um aumento pontual da demanda, contribuindo para a valorização do produto nesse período”, afirma.

Segundo ele, os custos de produção também exercem influência direta no preço final, com destaque para a ração, dependente de commodities como milho e farelo de soja. Ao mesmo tempo, o mercado busca equilíbrio entre oferta e demanda ao longo do ano, o que pode acelerar ou frear reajustes.

Outro ponto relevante é o impacto do clima mais quente. Em períodos de calor, a produtividade pode ser afetada, o que tende a reduzir a oferta no curto prazo e, somado à demanda aquecida, contribui para a elevação das cotações.


Variação de preços: do início do ano ao pico em março

Os números do Cepea mostram uma trajetória de valorização no primeiro trimestre, com avanço expressivo desde janeiro e pico em meados de março. Ainda que o preço tenha recuado após o ápice, a caixa encerrou março acima do patamar observado no início do ano.

Período Cotação da caixa (30 dúzias) – ovos brancos Leitura do mercado Início de janeiro R$ 97,34 Base de comparação do trimestre Primeiro dia da Quaresma R$ 165,50 Demanda sazonal ganha força Meados de março (pico) R$ 201,42 Pressão máxima sobre as cotações Fechamento de 27 de março R$ 174,34 Acomodação após pico, ainda em nível elevado

Para o produtor, o aumento de preço em períodos como o início do ano e a Quaresma pode melhorar as condições de comercialização. No entanto, conforme destaca a Avimig, a rentabilidade depende fortemente do custo de produção, sobretudo da alimentação das aves.

“O principal custo da avicultura de postura é a alimentação das aves, baseada principalmente em milho e farelo de soja. Oscilações nesses insumos têm impacto direto na rentabilidade. Em períodos de custo elevado de ração, mesmo com preços melhores, as margens podem ficar apertadas”, explica Ribeiro.


Minas Gerais se consolida como polo e assume a vice-liderança nacional

Minas Gerais é um dos principais polos produtores de ovos do Brasil. O estado reúne cerca de 300 granjas de postura registradas, distribuídas em diferentes regiões produtoras. Com demanda crescente e expansão do setor, os números reforçam o peso mineiro no mercado nacional.

Em 2024, a produção estadual alcançou 5,44 bilhões de ovos. Em 2025, subiu para 5,89 bilhões, um crescimento de 8,3% em relação ao ano anterior. No mesmo período, o plantel de galinhas poedeiras aumentou 2,4%, indicando ampliação da capacidade produtiva.

Com esse desempenho, Minas Gerais passou a ocupar a segunda posição no ranking nacional em 2025, ultrapassando o Paraná e ficando atrás apenas de São Paulo.


Consumo em alta: alimento acessível e com valor nutricional

A expansão da produção é atribuída ao consumo crescente, estimulado por dois fatores principais: preços geralmente mais acessíveis quando comparados a outras proteínas e a valorização do ovo como alimento nutritivo.

Conforme o Sistema Faemg, o ovo é uma fonte de proteína de alto valor biológico, oferecendo, em média, 6 a 7 gramas de proteína por unidade, além de vitaminas e minerais importantes para o metabolismo muscular e energético. Esse apelo nutricional tem ampliado a presença do produto na dieta de quem busca uma alimentação mais equilibrada.

  • Proteína de alto valor biológico (importante para manutenção muscular)

  • Vitaminas e minerais que apoiam funções metabólicas

  • Versatilidade no preparo e no consumo diário

  • Alternativa frequente em períodos de substituição de carnes


Manejo, bem-estar animal e gestão: o que sustenta a qualidade do produto

Para atender um consumidor mais atento à qualidade, o setor tem reforçado investimentos em manejo técnico rigoroso, ambiência controlada e monitoramento de indicadores produtivos.

A técnica do programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema Faemg Senar, Iara Maria França Reis, destaca que a organização da rotina da granja costuma ser uma das primeiras orientações repassadas aos produtores.

“Trabalhamos o manejo adequado das aves, qualidade da alimentação e da água, limpeza dos galpões, controle de temperatura e ventilação, além do bem-estar animal. O cuidado com a cama, os ninhos e a coleta correta dos ovos impactam diretamente na qualidade final do produto”, afirma.

Na gestão, o foco é estruturar a atividade como negócio, acompanhando de perto variáveis que afetam diretamente os resultados. Entre os principais pontos monitorados estão:

  1. Custo de produção e variações mensais

  2. Consumo de ração e eficiência alimentar

  3. Percentual de postura e produtividade diária

  4. Mortalidade e indicadores sanitários

  5. Qualidade do ovo e perdas no processo

Como a alimentação é o principal item de custo, as formulações costumam ser ajustadas conforme a fase produtiva das aves e a realidade de cada propriedade, buscando manter desempenho e reduzir desperdícios.


O que esperar do mercado após a Quaresma

A tendência é que o mercado passe por acomodação gradual após o período mais intenso de consumo, embora o comportamento dos preços continue dependente de fatores como custos de milho e soja, condições climáticas e ritmo da demanda.

Para consumidores, o momento reforça a importância de acompanhar variações sazonais e planejar compras quando possível. Para produtores, a combinação entre gestão de custos, eficiência produtiva e boas práticas de manejo segue como fator decisivo para atravessar períodos de maior volatilidade.

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