Pernambuco bate recorde na exportação de ovos: 5 milhões vão para Serra Leoa e Mauritânia pelo Porto de Suape
Pernambuco exporta 5 milhões de ovos para Serra Leoa e Mauritânia, fortalecendo Pacto pelo Agro.

Maior exportação de ovos da história de Pernambuco envia 5 milhões de unidades para África via Porto de Suape
O agronegócio de Pernambuco deu um passo relevante na ampliação de mercados internacionais com a maior operação de exportação de ovos já registrada no estado. Nesta sexta-feira (20), o terminal de contêineres do Porto de Suape (Tecon Suape) será o ponto de embarque de 5 milhões de unidades com destino a Serra Leoa e Mauritânia, no continente africano.
A operação movimenta mais de R$ 2 milhões e é tratada pelo setor como um marco para a logística e para a competitividade da avicultura local. Além do volume, o embarque simboliza uma reaproximação estratégica entre o Complexo Industrial Portuário de Suape e a agroindústria, com expectativa de transformar o porto em um canal recorrente de escoamento para produtores pernambucanos.
Operação abre mercado e reforça posicionamento da avicultura pernambucana
A exportação foi estruturada pela DEP Export Solution e é considerada a abertura de um mercado estratégico para o setor avícola do estado. A carga seguirá em contêineres e reúne a produção de três granjas com atuação destacada no Agreste e na Zona da Mata de Pernambuco:
Granja São Luís, de São Bento do Una
OvoNovo, de Caruaru
Ovos Enavis, de Orobó
Para o setor, o embarque vai além de uma transação pontual e busca consolidar Pernambuco como fornecedor confiável e recorrente no mercado global, em um segmento no qual qualidade sanitária, rastreabilidade e conformidade técnica são determinantes para manter rotas comerciais ativas.
“Entramos em um mercado complexo e altamente exigente. Nossa vantagem competitiva reside na qualidade superior da produção pernambucana, que atende rigorosamente a todos os padrões sanitários internacionais”, afirmou o diretor da DEP Export Solutions, Diógenes Braga.
Pacto pelo Agro mira logística e expansão das exportações
A operação é apresentada como um resultado direto do Pacto pelo Agro, parceria entre a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Agrário, Agricultura, Pecuária e Pesca e o Complexo Industrial Portuário de Suape. O foco do acordo é reduzir gargalos logísticos e criar condições para que a produção agropecuária pernambucana — e de regiões próximas — chegue a novos compradores com previsibilidade, escala e custo competitivo.
Durante encontro com empresários e lideranças do setor na quinta-feira (19), o diretor-presidente de Suape, Armando Monteiro Bisneto, e o secretário de Agricultura, Cícero Moraes, destacaram que a exportação de ovos é um sinal de que a estratégia de estímulo ao comércio exterior começa a ganhar tração.
“Esta é a primeira de muitas operações que veremos em Suape com foco em mercadorias do setor agropecuário. Unimos nossa infraestrutura de ponta a uma posição geográfica privilegiada para transformar o Estado em um polo exportador de referência”, disse Armando Bisneto.
Segundo ele, a meta é avançar para atrair também cargas de fruticultura do Vale do São Francisco, segmento que já firmou protocolo de intenções com o Pacto pelo Agro e mantém tratativas para ampliar o escoamento pelo porto.
“Temos um agro forte que precisava estar mais próximo de Suape, para estimular ainda mais as exportações, criando rotas e abrindo novos mercados”, afirmou Cícero Moraes, ao reforçar o objetivo de acelerar novas operações com diferentes cadeias produtivas.
Pernambuco é destaque na produção nacional e mira novos destinos
A exportação é vista como um indicativo de novo ciclo para a avicultura. O presidente da Associação Avícola de Pernambuco (Avipe), Giulliano Malta, destacou o peso do movimento para ampliar a comercialização para além do mercado regional.
De acordo com o dirigente, Pernambuco ocupa a posição de quarto maior produtor de ovos do Brasil, mas ainda precisa expandir canais para vender a produção além do Nordeste. No radar do setor, além do continente africano, está também o Oriente Médio, considerado um mercado com potencial para absorver volumes crescentes.
Rigor técnico e biossegurança impulsionam competitividade
Produtores envolvidos na operação afirmam que o embarque representa a validação de anos de investimentos em protocolos técnicos, biossegurança e padrões internacionais de controle. Em um cenário global marcado por exigências sanitárias elevadas, a capacidade de cumprir regras e manter regularidade tende a ser decisiva para sustentar contratos e ampliar destinos.
Para Josimário Florêncio, fundador da OvoNovo, o diferencial está no atendimento às exigências regulatórias e no cumprimento estrito de protocolos.
“O alto nível de regulação do nosso setor e o cumprimento estrito de protocolos nos colocaram em posição privilegiada para atender às exigências externas”, afirmou.
Já Gabriel Galvão, diretor comercial da Granja São Luís, avaliou que participar do primeiro embarque reforça a percepção de qualidade e consistência sanitária da produção.
“Integrar este primeiro embarque prova que nossa estratégia de biossegurança está no caminho certo”, declarou.
Para Leonardo Barros, diretor comercial da Ovos Enavis, o momento é descrito como uma virada estrutural para o setor.
“Estamos dando um passo paradigmático. Essa exportação não apenas desenvolve o mercado local, mas inaugura uma nova era de maturidade para a avicultura de Pernambuco e do Brasil”, concluiu.
Resumo da operação
Item Detalhes Volume embarcado 5 milhões de ovos Destinos Serra Leoa e Mauritânia (África) Local de embarque Tecon Suape (Porto de Suape) Valor movimentado Mais de R$ 2 milhões Granjas participantes São Luís (São Bento do Una), OvoNovo (Caruaru) e Ovos Enavis (Orobó) Iniciativa associada Pacto pelo Agro (integração logística e incentivo à exportação)
Em perspectiva: com a nova rota inaugurada pela avicultura e a estratégia de integração logística do Pacto pelo Agro, Suape busca se consolidar como um hub logístico competitivo para o agronegócio, ampliando a presença de Pernambuco em mercados internacionais e abrindo espaço para novas cadeias produtivas ganharem escala exportadora.
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