
Investimentos em bem-estar animal, conforto térmico, nutrição e infraestrutura têm se consolidado como fatores decisivos para elevar a produtividade do leite em propriedades de Minas Gerais. Produtores relatam ganhos expressivos ao adotar medidas para reduzir estresse térmico, ampliar a eficiência da ordenha e reforçar o manejo do rebanho, com reflexos diretos no volume diário produzido e no desempenho em rankings do setor.
Em uma das fazendas que intensificaram esse movimento, o pico de produção do ano passado registrou 2.750 animais em lactação, com média de 40,5 litros por vaca. Para este ano, a projeção é alcançar 2.850 vacas produzindo em setembro e atingir, na média anual, cerca de 106 mil litros de leite por dia. A estratégia tem como base a combinação de manejo voltado ao conforto e ajustes no ambiente para manter os animais em condições mais favoráveis, especialmente em períodos mais quentes.
Entre as ações adotadas para elevar o rendimento do rebanho, o aumento do número de banhos aparece como uma das medidas mais citadas por produtores. A lógica é simples: reduzir o estresse térmico melhora o consumo de alimento, favorece a saúde e contribui para maior produção de leite.
No manejo tradicional, os animais tomam três banhos, geralmente um a cada ordenha. A mudança descrita por um pecuarista foi a implantação de salas de banho acessórias, permitindo um banho adicional após a ordenha e outro entre uma ordenha e outra ao longo do dia. A ampliação do resfriamento corporal, segundo o relato, ajudou a manter os animais mais confortáveis e produtivos nos momentos de maior calor.
“Fizemos salas de banho acessórias, em que o animal toma ainda um banho pós-ordenha e depois um banho entre uma ordenha e outra durante o período do dia.”
Outro caso de destaque envolve o pecuarista Paulo Cau, que ainda está distante da liderança no levantamento Top 100, mas chamou atenção ao subir 35 posições, alcançando o 61º lugar. Ele comprou uma fazenda em São José da Barra (MG) em 2022, motivado pela genética considerada excelente do rebanho de Holandesa PO.
O primeiro passo após a aquisição foi ampliar o rebanho: de 380 vacas para 410 em 2023, chegando a 650 em 2025. A meta para 2026 é alcançar 800 vacas, com produção média entre 36 mil e 38 mil litros por dia. No ano passado, a produção média ficou em 25,4 mil litros diários.
Com apoio da filha, engenheira agrônoma, o produtor afirma que, em dois anos, conseguiu dobrar a produção ao concentrar investimentos principalmente em alimentação e bem-estar dos animais. A evolução do desempenho por vaca também foi destacada, mostrando crescimento contínuo desde 2022.
Ano Produção por vaca (litros/dia) Destaque 2022 22,0 Ponto de partida após aquisição 2023 30,7 Ganho com ajustes de manejo e dieta 2024 35,4 Consolidação do desempenho 2025 39,1 Avanço e expansão do rebanho
Além da dieta e do manejo, a estrutura de confinamento também entrou no pacote de mudanças. O produtor relata investimento em um galpão maior e na adoção de um sistema de ventilação cruzada, capaz de manter a temperatura do ambiente entre 18ºC e 26ºC, mesmo em uma região onde a média pode chegar a 34ºC no verão. A climatização, nesse contexto, é apontada como um diferencial para reduzir perdas associadas ao calor e sustentar a produção ao longo do ano.
No grupo das maiores produtoras, um dos destaques citados é a fazenda Cobiça, de Três Corações (MG), que avançou três posições e chegou ao quinto lugar. A propriedade já vinha em trajetória de crescimento, e o cenário recente, com condições mais favoráveis de mercado e queda de custos — especialmente em grãos —, ajudou a acelerar esse movimento, segundo Marcelo Branquinho Pereira, sócio-diretor da fazenda.

Resumo: A FIAPE (Feira Internacional de Agropecuária de Estremoz), em sua 38ª edição, ocorre até domingo, 3 de maio, no Parque de Feiras e Exposições de Estremoz. A organização é da Câmara Municipal, com o apoio da Associação de Criadores de Gado de Estremoz (ACORE). O destaque é o setor agropecuário, com cerca de mil animais em exposição, principalmente bovinos e ovinos. Segundo Manuel Ramalho, presidente da ACORE, a FIAPE é um espaço importante de promoção, troca e venda entre criadores; se houvesse mais espaço, haveria mais animais. Participam produtores de norte a sul do país, além de representantes estrangeiros.

O executivo afirma que a empresa vem investindo há cinco anos na operação e que, apenas em 2025, foram destinados R$ 15 milhões a melhorias. Entre os principais projetos, está a construção de uma nova sala de ordenha e aportes em agricultura, com foco em produzir o alimento utilizado no rebanho, estratégia que tende a reduzir dependência externa e ampliar previsibilidade de custos.
A nova sala de ordenha, segundo o relato, terá capacidade para atender até três mil animais, em comparação à estrutura atual, que comporta até 1,6 mil vacas. Diante do aumento da capacidade, a fazenda também vem ampliando o rebanho para aproveitar o novo potencial produtivo.
Embora cada propriedade siga sua própria estratégia, os relatos convergem para um conjunto de pilares que vêm orientando o crescimento no setor:
Conforto térmico: banhos adicionais, ventilação e controle de temperatura;
Nutrição e alimentação: ajustes de dieta e investimentos para produzir parte do alimento;
Infraestrutura: ampliação de galpões, confinamento mais eficiente e modernização da ordenha;
Gestão e metas: expansão planejada do rebanho e acompanhamento de indicadores por animal;
Genética: escolha de animais com alto potencial produtivo para acelerar ganhos.
Em um cenário de busca por eficiência, os casos reforçam que a combinação de bem-estar animal e tecnologia na pecuária leiteira não é apenas uma tendência, mas um caminho prático para ampliar volume produzido, melhorar indicadores por vaca e sustentar crescimento com previsibilidade.
Em destaque: o avanço de posições em rankings e as metas agressivas de expansão revelam um setor cada vez mais orientado por dados, conforto e gestão, com o objetivo de manter produtividade elevada mesmo sob desafios climáticos e variações de custos.
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Exportadores de carne brasileiros pediram ao governo acesso às linhas de crédito do Plano Brasil Soberano, para apoiar a indústria exportadora de proteínas diante da crise no Oriente Médio. A ABPA e a Abiec solicitaram a inclusão do setor exportador no programa, que ganhou mais R$ 15 bilhões via medida provisória publicada em março, com recursos advindos do superávit do FGE.