Etanol de milho impulsiona expansão da matriz energética brasileira; produção atinge 12 bilhões de litros, somando 41,6 bilhões no total
EconomiaA Granja·Publicado em 17 de abril de 2026 às 09h08·Modificado em 17 de abril de 2026 às 12h26·6 mins de leituraGrátis

Etanol de milho impulsiona expansão da matriz energética brasileira; produção atinge 12 bilhões de litros, somando 41,6 bilhões no total

Etanol hidratado cresce no Brasil, atingindo 41,6 bilhões de litros com milho impulsionando demanda.

Etanol de milho impulsiona expansão da matriz energética brasileira; produção atinge 12 bilhões de litros, somando 41,6 bilhões no total

Etanol ganha espaço no Brasil e no mundo, com avanço do milho e novas demandas

O mercado brasileiro de etanol vive uma fase de expansão, sustentada pelo aumento do consumo interno, pela entrada de novas frentes de demanda e pela consolidação do etanol de milho como um dos motores do setor. Especialistas avaliam que, apesar de gargalos de logística e de comunicação com o consumidor, o biocombustível tende a ampliar sua relevância na matriz energética nos próximos anos.

As perspectivas foram detalhadas durante a 3ª Conferência Internacional Unem Datagro sobre etanol de milho, em que o presidente da Datagro, Plínio Nastari, apresentou projeções indicando crescimento contínuo do consumo de combustíveis do ciclo Otto (principalmente gasolina e etanol). Esse avanço abre espaço para maior substituição da gasolina por etanol, tanto por meio do etanol hidratado quanto pelo aumento do uso do etanol anidro misturado à gasolina.

Consumo em alta reforça demanda por etanol hidratado

Segundo as estimativas apresentadas, em 2025 houve aumento de 1,9 bilhão de litros em gasolina equivalente no consumo de combustíveis do ciclo Otto. Para 2026, a expectativa é de avanço de pelo menos 1,6 bilhão de litros em gasolina equivalente — o que, na prática, representa um acréscimo de cerca de 2,3 bilhões de litros em etanol hidratado.

No horizonte de dez anos, a projeção é de crescimento anual entre 2,5 e 3 bilhões de litros de etanol hidratado, sinalizando um mercado com tendência de fortalecimento sustentado.

Tendência-chave: o aumento do consumo de combustíveis leves cria um ambiente favorável para ampliar a participação do etanol, seja pelo uso direto do hidratado, seja pela elevação da mistura de anidro na gasolina.

Etanol já substitui quase metade da gasolina em 2025

O avanço do biocombustível se reflete na participação do etanol na matriz de combustíveis leves. Em 2025, o Brasil substituiu 45,6% da gasolina por etanol, com destaque para estados como:

  • Mato Grosso: 67,2%

  • São Paulo: 58,9%

  • Goiás: 57,7%

Outros mercados importantes, como Minas Gerais e Rio de Janeiro, também registram índices relevantes. Já estados como Bahia e Maranhão seguem com participação próxima de 30%, mas são vistos como regiões com potencial de crescimento, especialmente diante da instalação de novas unidades produtoras.

Produção de etanol cresce e milho se consolida como vetor de expansão

No lado da oferta, o setor passa por uma mudança de perfil. Enquanto a produção de açúcar permanece praticamente estável nos últimos três anos, em torno de 43 milhões de toneladas, o etanol tem avançado de forma significativa, com crescimento de 33% em cinco anos.

As projeções indicam que o volume deve sair de cerca de 31,3 bilhões de litros na safra 2022/23 para 41,6 bilhões de litros em 2026/27. Um dos fatores centrais para esse salto é o etanol de milho, que já responde por mais de 12 bilhões de litros e vem compensando a estabilidade da produção baseada na cana-de-açúcar.

Indicador Dado Produção de açúcar (últimos anos) Estável em ~43 milhões de toneladas Crescimento do etanol (5 anos) +33% Etanol (safra 2022/23) ~31,3 bilhões de litros Etanol (projeção 2026/27) 41,6 bilhões de litros Etanol de milho > 12 bilhões de litros

Três pilares para crescer: mistura, distribuição e mercado marítimo

Para Gustavo Mariano, vice-presidente de trading da Inpasa, a expansão do etanol no curto e médio prazo se apoia em três frentes principais, que combinam regulação, ampliação de acesso e novas aplicações energéticas.

1) Aumento da mistura de etanol anidro na gasolina

O primeiro pilar é o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina. A elevação de 27% para 30% já representa um avanço relevante, mas ainda há espaço para novos incrementos. Caso a mistura atinja 32%, a demanda pode crescer em cerca de 954 milhões de litros ainda este ano. Em um cenário de 35%, o impacto poderia ultrapassar 2,3 bilhões de litros.

2) Expansão da distribuição em regiões com menor penetração

O segundo vetor é ampliar a distribuição, especialmente em áreas onde o biocombustível ainda tem menor participação. No Nordeste, por exemplo, o consumo de anidro foi de 1,65 bilhão de litros em 2025. Segundo Mariano, se a participação do etanol chegar a 30% na região, a demanda adicional potencial poderia alcançar 3,75 bilhões de litros.

3) Mercado marítimo: nova fronteira para o etanol

O terceiro pilar é a abertura de um novo mercado: o setor marítimo. Mesmo antes de uma regulamentação mais ampla, já existem encomendas de navios capazes de usar etanol como combustível. As projeções apontam que esse segmento pode gerar demanda adicional de até 32 bilhões de litros até 2040, indicando um possível salto de escala para o biocombustível no longo prazo.

Desafios: logística e informação ao consumidor ainda limitam o potencial

Apesar do cenário positivo, o setor ainda enfrenta desafios relevantes. Um deles é a falta de informação do consumidor. De acordo com Mariano, cerca de 60% dos proprietários de veículos flex não sabem que podem usar etanol de forma vantajosa, o que reduz o consumo do hidratado e limita a velocidade de crescimento do mercado.

Outro ponto crítico é a logística. Levar o combustível das regiões produtoras até os grandes centros consumidores ainda exige investimentos em infraestrutura, armazenagem e distribuição. Para especialistas, sem avanços nessa etapa, parte do potencial de expansão pode ficar represada, mesmo com demanda em crescimento.

Políticas e mercado de carbono reforçam competitividade

Iniciativas como o RenovaBio e instrumentos ligados ao mercado de carbono surgem como oportunidades adicionais para fortalecer a competitividade do etanol brasileiro. No caso do etanol de milho, a discussão sobre carbono no solo e ganhos ambientais pode ampliar o interesse por investimentos e consolidar o biocombustível como peça estratégica de transição energética.

Em resumo: a combinação de crescimento do consumo, maior participação do etanol, avanço do etanol de milho e novas demandas — incluindo o mercado marítimo — aponta para um ciclo de expansão. O ritmo, porém, depende de melhorias em infraestrutura e comunicação para transformar potencial em consumo efetivo.

```

Artigos Relacionados

Mudanças climáticas desafiam a soja brasileira: CO2 aumenta produção, mas reduz qualidade nutricional, segundo estudo da USP com IA e XGBoost
Notícia1 min de leitura

Mudanças climáticas desafiam a soja brasileira: CO2 aumenta produção, mas reduz qualidade nutricional, segundo estudo da USP com IA e XGBoost

Resumo: O Brasil, maior produtor mundial de soja, depende fortemente dessa cultura para sua balança comercial. Pesquisadores da USP (ICMC, IB e Cena) combinaram modelos lineares generalizados com técnicas de aprendizado de máquina para prever como a soja reage a altas temperaturas, seca e CO2 elevado — condições da mudança climática. Em experimentos que simulavam esses fatores isoladamente e em combinação, o estudo mostrou que, sob o efeito triplo, açúcares solúveis sobem 35%, aminoácidos até 175%, enquanto o amido cai 20% e a proteína recua cerca de 6%. O CO2 pode, em parte, mitigar os danos do calor e da seca, elevando a biomassa e o rendimento, mas reduz a qualidade nutricional do grão. Entre os modelos testados, o XGBoost apresentou maior precisão nas previsões. Os resultados ajudam produtores a estimar produtividade, orientar manejo e incentivar o desenvolvimento de cultivares mais resistentes, com implicações para segurança alimentar e exportação. O estudo foi publicado na Food Research International e destacou a integração entre estatística tradicional e inteligência artificial.

Milho de segunda safra no Paraná e Mato Grosso do Sul enfrenta déficit hídrico e chuvas irregulares, impactando a produtividade
Notícia1 min de leitura

Milho de segunda safra no Paraná e Mato Grosso do Sul enfrenta déficit hídrico e chuvas irregulares, impactando a produtividade

As culturas de milho de segunda safra no Paraná e em Mato Grosso do Sul registraram melhoria na umidade do solo devido às chuvas, mas o volume ainda não é suficiente para reverter o estresse hídrico e as altas temperaturas.

Mercosul e União Europeia: acordo entra em vigor com tarifas zeradas e proteção ampliada para veículos elétricos
Notícia1 min de leitura

Mercosul e União Europeia: acordo entra em vigor com tarifas zeradas e proteção ampliada para veículos elétricos

Após mais de 25 anos de negociações, entra em vigor o acordo Mercosul-UE, que reduz tarifas entre os blocos. Serão zeradas ou reduzidas tarifas para 91% dos produtos do Mercosul e 95% para a UE, com prazos de isenção escalonados de até 10 anos na UE e 15 anos no Mercosul.

A Granja

Portal de conteúdo jornalístico voltado ao agronegócio brasileiro. 80 anos trazendo informação confiável ao produtor rural.

Newsletter

Receba as principais notícias do agro diretamente no seu e-mail.

© 2026 A Granja. Todos os direitos reservados.