Mercado de açúcar cai no exterior; Brasil registra leve alta no mercado físico.
Açúcar global recua; Brasil registra queda no etanol, e crédito rural cresce.

Mercado de açúcar recua no exterior, enquanto preços reagiram no Brasil; etanol segue em queda em São Paulo
Pressão de oferta global derruba cotações internacionais, mas mercado físico brasileiro mostra leve alta; biocombustível mantém trajetória negativa.
O mercado global de açúcar voltou a registrar desvalorização, refletindo um ambiente de maior oferta internacional e expectativas mais confortáveis de disponibilidade do produto. Enquanto as bolsas internacionais aprofundaram as perdas, o mercado físico no Brasil apresentou leve reação nos preços do açúcar cristal em São Paulo. Já o etanol, por sua vez, manteve a tendência de queda no estado.
O movimento reforça um cenário de ajuste de preços: no exterior, a leitura predominante é de oferta mais ampla; internamente, o indicador brasileiro oscilou para cima no dia, embora ainda acumule recuo no mês. Para o setor, a combinação entre fundamentos globais e dinâmica de fixações no Brasil ajuda a explicar a volatilidade recente.
Queda do açúcar nas bolsas internacionais
As cotações do açúcar mantiveram a tendência negativa ao longo da semana, com novas baixas nas principais bolsas globais. Em Nova York, os contratos de açúcar bruto fecharam em queda, acompanhando o sentimento de mercado mais pressionado pela perspectiva de oferta maior.
Resumo dos contratos de açúcar bruto (Nova York) Vencimento Fechamento Variação no dia Maio/26 13,92 cents por libra-peso -0,31 centavo Julho/26 14,11 cents por libra-peso -0,36 centavo Outubro/26 14,53 cents por libra-peso -0,37 centavo
Além dos vencimentos mais negociados, os contratos mais longos também acompanharam o movimento de baixa, sinalizando que o mercado segue precificando um cenário de oferta mais confortável no médio prazo.
Açúcar branco também cai em Londres
Em Londres, o açúcar branco apresentou perdas relevantes nos principais contratos, em linha com a pressão observada no mercado de açúcar bruto. A leitura de maior disponibilidade global pesou sobre as cotações, ampliando a sequência de recuos.
Resumo dos contratos de açúcar branco (Londres) Vencimento Fechamento Variação no dia Maio/26 US$ 413,60 por tonelada -US$ 8,70 Agosto/26 US$ 416,50 por tonelada -US$ 9,00 Outubro/26 US$ 418,90 por tonelada -US$ 9,10
O recuo generalizado reforça a percepção de que o mercado segue ajustando preços diante das expectativas de aumento de oferta, o que reduz a disposição de compra a níveis mais altos no curto prazo.
Mercado físico no Brasil registra leve alta, mas ainda acumula queda no mês
No Brasil, o comportamento foi diferente no dia. O indicador do açúcar cristal branco em São Paulo registrou alta de 0,33%, com a saca de 50 quilos negociada a R$ 104,16. Apesar da reação pontual, o indicador ainda acumula queda de 1,23% em abril, evidenciando um cenário de ajustes após as pressões do início do mês.
O mercado físico mostrou recuperação no dia, mas o acumulado mensal ainda aponta correção de preços.
O movimento interno pode refletir condições momentâneas de oferta e demanda no mercado doméstico, além de ajustes de negociação típicos do período. Ainda assim, o pano de fundo internacional segue influenciando a formação de preços e o apetite por fixações.
Oferta global maior pressiona o açúcar
A pressão baixista no mercado internacional tem relação direta com a expectativa de aumento da oferta global. Um dos fatores observados é a sinalização de que a Índia não deve impor restrições às exportações neste ano, diminuindo o receio de menor disponibilidade no comércio internacional.
Esse tipo de indicação reduz a percepção de escassez e tende a reforçar a competitividade do produto no mercado externo. Ao mesmo tempo, avaliações setoriais apontam que a safra 2026/27 no Centro-Sul do Brasil começa sob um ambiente mais equilibrado.
Índia: expectativa de exportações sem restrições, o que amplia o volume disponível.
Centro-Sul do Brasil: cenário mais equilibrado, com avanço de fixações por produtores.
Preço internacional: menor pressão compradora diante de oferta mais ampla.
Com o avanço das fixações de açúcar por parte de produtores, a pressão vendedora tende a diminuir, o que pode limitar movimentos mais bruscos. Ainda assim, o mercado segue sensível a revisões de expectativa de safra, decisões de exportação e oscilações de demanda.
Etanol amplia perdas em São Paulo
No mercado de biocombustíveis, o etanol seguiu pressionado. O etanol hidratado foi negociado a R$ 2.858,00 por metro cúbico, com queda de 1,30% no comparativo diário. No acumulado de abril, a retração chega a 5,60%, sinalizando continuidade de um ambiente de preços mais fracos ao longo do mês.
Pontos-chave do dia
Queda do açúcar nas bolsas internacionais, com perdas em Nova York e Londres.
Leve alta do açúcar cristal no mercado físico paulista, apesar de queda no mês.
Etanol hidratado recua novamente em São Paulo e amplia baixa acumulada em abril.
A trajetória do etanol é acompanhada de perto por usinas e consumidores, já que a relação entre preços do açúcar e do biocombustível influencia decisões de mix produtivo. Com o etanol em queda e o açúcar pressionado no exterior, o setor segue atento aos próximos ajustes de oferta e demanda.
Contexto: O comportamento dos preços do açúcar e do etanol reflete tanto fatores internacionais de oferta quanto dinâmicas locais de comercialização. A sinalização sobre exportações e o ritmo de fixações no Brasil seguem como variáveis centrais para os próximos movimentos.




