Mercado de açúcar cai no exterior; Brasil registra leve alta no mercado físico.
Cana de Açucas & Alcool A Granja·Publicado em 12 de abril de 2026 às 08h31·Modificado em 12 de abril de 2026 às 18h16·5 mins de leituraGrátis

Mercado de açúcar cai no exterior; Brasil registra leve alta no mercado físico.

Açúcar global recua; Brasil registra queda no etanol, e crédito rural cresce.

Mercado de açúcar cai no exterior; Brasil registra leve alta no mercado físico.

Mercado de açúcar recua no exterior, enquanto preços reagiram no Brasil; etanol segue em queda em São Paulo

Pressão de oferta global derruba cotações internacionais, mas mercado físico brasileiro mostra leve alta; biocombustível mantém trajetória negativa.

O mercado global de açúcar voltou a registrar desvalorização, refletindo um ambiente de maior oferta internacional e expectativas mais confortáveis de disponibilidade do produto. Enquanto as bolsas internacionais aprofundaram as perdas, o mercado físico no Brasil apresentou leve reação nos preços do açúcar cristal em São Paulo. Já o etanol, por sua vez, manteve a tendência de queda no estado.

O movimento reforça um cenário de ajuste de preços: no exterior, a leitura predominante é de oferta mais ampla; internamente, o indicador brasileiro oscilou para cima no dia, embora ainda acumule recuo no mês. Para o setor, a combinação entre fundamentos globais e dinâmica de fixações no Brasil ajuda a explicar a volatilidade recente.

Queda do açúcar nas bolsas internacionais

As cotações do açúcar mantiveram a tendência negativa ao longo da semana, com novas baixas nas principais bolsas globais. Em Nova York, os contratos de açúcar bruto fecharam em queda, acompanhando o sentimento de mercado mais pressionado pela perspectiva de oferta maior.

Resumo dos contratos de açúcar bruto (Nova York) Vencimento Fechamento Variação no dia Maio/26 13,92 cents por libra-peso -0,31 centavo Julho/26 14,11 cents por libra-peso -0,36 centavo Outubro/26 14,53 cents por libra-peso -0,37 centavo

Além dos vencimentos mais negociados, os contratos mais longos também acompanharam o movimento de baixa, sinalizando que o mercado segue precificando um cenário de oferta mais confortável no médio prazo.

Açúcar branco também cai em Londres

Em Londres, o açúcar branco apresentou perdas relevantes nos principais contratos, em linha com a pressão observada no mercado de açúcar bruto. A leitura de maior disponibilidade global pesou sobre as cotações, ampliando a sequência de recuos.

Resumo dos contratos de açúcar branco (Londres) Vencimento Fechamento Variação no dia Maio/26 US$ 413,60 por tonelada -US$ 8,70 Agosto/26 US$ 416,50 por tonelada -US$ 9,00 Outubro/26 US$ 418,90 por tonelada -US$ 9,10

O recuo generalizado reforça a percepção de que o mercado segue ajustando preços diante das expectativas de aumento de oferta, o que reduz a disposição de compra a níveis mais altos no curto prazo.

Mercado físico no Brasil registra leve alta, mas ainda acumula queda no mês

No Brasil, o comportamento foi diferente no dia. O indicador do açúcar cristal branco em São Paulo registrou alta de 0,33%, com a saca de 50 quilos negociada a R$ 104,16. Apesar da reação pontual, o indicador ainda acumula queda de 1,23% em abril, evidenciando um cenário de ajustes após as pressões do início do mês.

O mercado físico mostrou recuperação no dia, mas o acumulado mensal ainda aponta correção de preços.

O movimento interno pode refletir condições momentâneas de oferta e demanda no mercado doméstico, além de ajustes de negociação típicos do período. Ainda assim, o pano de fundo internacional segue influenciando a formação de preços e o apetite por fixações.

Oferta global maior pressiona o açúcar

A pressão baixista no mercado internacional tem relação direta com a expectativa de aumento da oferta global. Um dos fatores observados é a sinalização de que a Índia não deve impor restrições às exportações neste ano, diminuindo o receio de menor disponibilidade no comércio internacional.

Esse tipo de indicação reduz a percepção de escassez e tende a reforçar a competitividade do produto no mercado externo. Ao mesmo tempo, avaliações setoriais apontam que a safra 2026/27 no Centro-Sul do Brasil começa sob um ambiente mais equilibrado.

  • Índia: expectativa de exportações sem restrições, o que amplia o volume disponível.

  • Centro-Sul do Brasil: cenário mais equilibrado, com avanço de fixações por produtores.

  • Preço internacional: menor pressão compradora diante de oferta mais ampla.

Com o avanço das fixações de açúcar por parte de produtores, a pressão vendedora tende a diminuir, o que pode limitar movimentos mais bruscos. Ainda assim, o mercado segue sensível a revisões de expectativa de safra, decisões de exportação e oscilações de demanda.

Etanol amplia perdas em São Paulo

No mercado de biocombustíveis, o etanol seguiu pressionado. O etanol hidratado foi negociado a R$ 2.858,00 por metro cúbico, com queda de 1,30% no comparativo diário. No acumulado de abril, a retração chega a 5,60%, sinalizando continuidade de um ambiente de preços mais fracos ao longo do mês.

Pontos-chave do dia

  1. Queda do açúcar nas bolsas internacionais, com perdas em Nova York e Londres.

  2. Leve alta do açúcar cristal no mercado físico paulista, apesar de queda no mês.

  3. Etanol hidratado recua novamente em São Paulo e amplia baixa acumulada em abril.

A trajetória do etanol é acompanhada de perto por usinas e consumidores, já que a relação entre preços do açúcar e do biocombustível influencia decisões de mix produtivo. Com o etanol em queda e o açúcar pressionado no exterior, o setor segue atento aos próximos ajustes de oferta e demanda.

Contexto: O comportamento dos preços do açúcar e do etanol reflete tanto fatores internacionais de oferta quanto dinâmicas locais de comercialização. A sinalização sobre exportações e o ritmo de fixações no Brasil seguem como variáveis centrais para os próximos movimentos.

Artigos Relacionados

Cocal substitui frota por caminhões movidos a biometano em usinas de SP e MS com CBios e barter
Notícia1 min de leitura

Cocal substitui frota por caminhões movidos a biometano em usinas de SP e MS com CBios e barter

Resumo: A Cocal, com duas usinas em São Paulo e duas em Mato Grosso do Sul, fechou uma parceria para substituir toda a sua frota de caminhões que transporta vinhaça (resíduo da produção de etanol) por veículos movidos a biometano nas usinas do interior paulista.

Diesel sobe e pressiona o agronegócio brasileiro: até R$ 355 por hectare, com maior impacto em cana e arroz
Notícia1 min de leitura

Diesel sobe e pressiona o agronegócio brasileiro: até R$ 355 por hectare, com maior impacto em cana e arroz

O diesel subiu mais de 23% em pouco mais de um mês, impulsionado pela guerra no Oriente Médio, elevando os custos de produção entre R$ 40 e R$ 355 por hectare nas principais culturas. O impacto setorial é estimado em cerca de R$ 7,2 bilhões para o agronegócio brasileiro. A cana-de-açúcar é a mais afetada (+R$ 355/ha), seguida pelo arroz (+R$ 203/ha); soja, milho e trigo mostram aumentos menores (aprox. R$ 40–75/ha para milho e R$ 42–48/ha para soja/trigo). O efeito depende da intensidade de mecanização; o período entre colheita e plantio amplifica a pressão sobre margens. Se o aumento persistir, o impacto pode superar R$ 14 bilhões, tornando o diesel um vetor de risco para o agronegócio brasileiro em 2026.

Crédito no setor sucroalcooleiro: recuperação extrajudicial da Raízen eleva risco, custo de capital e juros em meio à inflação e à guerra no Oriente Médio
Notícia1 min de leitura

Crédito no setor sucroalcooleiro: recuperação extrajudicial da Raízen eleva risco, custo de capital e juros em meio à inflação e à guerra no Oriente Médio

O crédito de curto e médio prazo para o setor sucroalcooleiro no Brasil está pressionado por choques externos, como a guerra no Oriente Médio, e por vulnerabilidades estruturais, o que pode elevar o custo de capital. A recuperação extrajudicial da Raízen, no valor de 65,1 bilhões de reais, aumenta a cautela de investidores e pode afetar a confiança e a alavancagem do setor.

A Granja

Portal de conteúdo jornalístico voltado ao agronegócio brasileiro. 80 anos trazendo informação confiável ao produtor rural.

Newsletter

Receba as principais notícias do agro diretamente no seu e-mail.

© 2026 A Granja. Todos os direitos reservados.