
Levantamento divulgado no Dia do Meio Ambiente mostra que a instituição bloqueou financiamentos a propriedades com alertas ativos; medida integra monitoramento com tecnologia para reforçar produção sustentável.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) recusou R$ 96,4 milhões em pedidos de financiamento de produtores rurais em Minas Gerais nos últimos três anos, após identificar indícios de desmatamento ilegal em propriedades associadas às solicitações. O dado foi apresentado em balanço divulgado no Dia do Meio Ambiente (5) e reforça a política de restrição de crédito para empreendimentos rurais com sinais de irregularidades ambientais.
Segundo o levantamento, o valor negado em Minas corresponde a 0,7% do total de solicitações de crédito registradas entre fevereiro de 2023 e abril de 2026. No mesmo período, foram identificados 217 alertas ativos no estado, o equivalente a 0,5% do número de pedidos de financiamento.
Em nota, o banco reforçou que a iniciativa tem como objetivo monitorar propriedades rurais para evitar a concessão de recursos a quem pratica desmatamento ilegal. O acompanhamento é realizado em parceria com o MapBiomas e, como regra geral, não há liberação de financiamento quando há indícios dessa prática.
Por que isso importa? A política de crédito com critérios ambientais tem impacto direto na saúde pública e na qualidade de vida: o desmatamento pode contribuir para mudanças climáticas, piora da qualidade do ar, alteração no regime de chuvas e aumento de riscos ambientais que afetam comunidades rurais e urbanas.
No cenário nacional, o volume de crédito rural recusado pelo BNDES para produtores com indícios de desmatamento ilegal chegou a R$ 1,1 bilhão. Desde fevereiro de 2023, foram registrados 5.592 alertas ativos, o que representa cerca de 1% das 551,7 mil solicitações de crédito rural encaminhadas ao banco no período.
Os recursos analisados incluem operações dos programas agropecuários da linha BNDES Crédito Rural e também solicitações com marcação de crédito agrícola pelo Banco Central.
De acordo com os dados do balanço, desde 2023 os financiamentos bloqueados equivalem a quase R$ 1 milhão por dia em crédito que deixou de ser contratado com produtores cujas propriedades apresentaram alertas de desmatamento irregular.
“O BNDES é um grande parceiro do agronegócio e valoriza a produção sustentável e ética no campo brasileiro, mas não é complacente com o agronegócio que destrói o meio ambiente. (...) O tempo do crédito para o agro que desmata já passou”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
A estratégia de restrição de crédito se baseia na identificação de alertas ativos de desmatamento ilegal. Quando o sistema aponta indícios associados a uma propriedade rural, a solicitação pode ser recusada conforme as regras gerais adotadas pelo banco.
Em resumo: o objetivo é usar tecnologia e governança para acelerar a análise e direcionar recursos a uma produção rural com responsabilidade ambiental.
Foco: evitar financiamento a atividades associadas ao desmatamento ilegal.
Base: monitoramento com alertas e checagem de indícios.
Resultado esperado: fortalecer práticas sustentáveis e reduzir riscos ambientais.

Resumo executivo: - Em abril de 2026, o Brasil atingiu um novo recorde de inadimplência empresarial, com 9 milhões de CNPJs negativados, alta de 1,5 milhão em relação ao mesmo período de 2025, conforme Serasa Experian. O total de dívidas em atraso chegou a R$ 220,9 bilhões. - Em média, cada empresa inadimplente tem 7,1 contas em atraso; a dívida média por CNPJ é de R$ 24.665,91 e o ticket médio de R$ 3.468,99. - O cenário persiste mesmo com início do afrouxamento monetário, pois juros elevados (atualmente....

O balanço também traz um recorte regional. As regiões Norte e Nordeste registraram os maiores percentuais de financiamentos bloqueados: 1,7% dos valores solicitados, que somaram R$ 6,2 bilhões e R$ 7,8 bilhões, respectivamente.
O Nordeste também liderou a taxa de alertas ativos, com 3% das mais de 13,6 mil solicitações de crédito no período apresentando sinais de desmatamento ilegal.
Já o Sudeste apresentou os melhores indicadores: o bloqueio correspondeu a 0,5% do total de R$ 23 bilhões solicitados, e os alertas atingiram 0,4% das 75,1 mil solicitações de crédito rural.
No Centro-Oeste, o bloqueio foi de 0,7% sobre R$ 29,7 bilhões solicitados, com alertas em cerca de 1% das 33,1 mil solicitações. Na região Sul, os bloqueios representaram 0,8% dos R$ 73,2 bilhões pedidos, e 1% das 419 mil solicitações apresentaram alertas.
Região Percentual de bloqueio Volume solicitado (R$) Alertas ativos Norte 1,7% 6,2 bilhões — Nordeste 1,7% 7,8 bilhões 3% das solicitações Sudeste 0,5% 23 bilhões 0,4% das solicitações Centro-Oeste 0,7% 29,7 bilhões cerca de 1% das solicitações Sul 0,8% 73,2 bilhões 1% das solicitações
Observação: alguns recortes de alertas por região foram apresentados como percentual das solicitações, conforme divulgado no balanço.
Em Minas Gerais, o número de alertas ativos e o montante de crédito recusado mostram como o monitoramento vem sendo aplicado também fora da Amazônia Legal. Ainda que os percentuais no estado sejam inferiores à média de algumas regiões, a negativa de financiamento indica uma tendência de maior rigor na triagem de operações com risco ambiental.
Crédito recusado: R$ 96,4 milhões.
Participação nas solicitações: 0,7% do total analisado no período.
Alertas ativos: 217 registros.
Proporção de alertas: 0,5% das solicitações no estado.
A medida reforça o uso de ferramentas de rastreio e governança na concessão de crédito, ampliando o peso de critérios ambientais na análise de risco e no direcionamento de recursos para atividades consideradas sustentáveis.
Contexto: a iniciativa do BNDES integra uma agenda de enfrentamento às mudanças climáticas e busca alinhar o financiamento rural a práticas que reduzam impactos ambientais, reforçando o recado de que crédito e desmatamento ilegal não caminham juntos.
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O agronegócio brasileiro enfrenta uma grave crise financeira, com cerca de R$ 170 bilhões em operações de crédito rural sob pressão. Juros elevados, perdas climáticas, custos de produção mais altos e margens menores ampliam a inadimplência e aumentam os pedidos de recuperação judicial no campo.