
O preço do ouro caiu para mínimas de dois meses nesta quinta-feira, 28 de maio, em meio a um novo aumento das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã. A escalada ocorreu após uma nova troca de ataques e elevou a percepção de risco sobre a estabilidade no Oriente Médio, contribuindo para a aceleração dos preços do petróleo e reacendendo o temor de um choque inflacionário mais persistente.
Na madrugada, o metal precioso chegou a registrar queda próxima de 2%, mas reduziu parte das perdas ao longo do dia. Ainda assim, o ouro seguia em baixa de 1,58%, negociado em torno de 4.385,90 dólares por onça.
Historicamente, o ouro é visto como ativo de proteção em momentos de crise. No entanto, o movimento desta quinta-feira destacou um fator que vem ganhando peso no mercado: as expectativas de política monetária mais restritiva nos EUA. Como o ouro não paga juros, ele tende a perder atratividade quando os investidores projetam taxas de juros mais altas e retornos melhores em aplicações remuneradas.
Contexto-chave: o mercado tem reavaliado o papel do ouro como “porto seguro” diante do avanço das apostas em juros elevados e da busca por alternativas com rendimento.
A pressão sobre o ouro também aumentou após declarações recentes de uma autoridade do banco central norte-americano. Na quarta-feira, a governadora da Reserva Federal (Fed), Lisa Cook, afirmou que a inflação está caminhando “na direção errada” e sinalizou disposição para elevar as taxas de juros caso a pressão sobre os preços continue.
Na semana anterior, investidores passaram a incorporar, pela primeira vez, a possibilidade de uma alta de 25 pontos-base nos juros ainda neste ano. Esse tipo de ajuste costuma fortalecer a tese de política monetária apertada por mais tempo, reduzindo o apetite por ativos que não oferecem rendimento.
Maior custo de oportunidade de manter ouro em carteira;
Reprecificação de ativos sensíveis a juros;
Volatilidade ampliada em commodities, especialmente com petróleo em alta;
Reforço de estratégias defensivas em renda fixa, dependendo do cenário.

A análise do projeto pode ser adiada novamente. A proposta está na pauta da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) desta terça-feira (26/5), mas deverá haver um novo encontro da equipe econômica para discutir o texto e negociar os termos. O governo diverge do relatório do senador Renan Calheiros (MDB-AL), defendendo critérios mais rígidos para definir os beneficiários, e ainda não estão fechados os juros, os valores finais e as fontes de recursos para financiar a renegociação.

Para analistas, a queda do ouro reflete um período de mudança de percepção sobre o metal em um cenário de incerteza. Segundo Justin Lin, estrategista de investimentos da Global X ETFs Australia, investidores estariam perdendo confiança na ideia do ouro como proteção automática e enxergando formas mais eficientes de alocar recursos.
Ele avalia que o ouro pode buscar suporte em uma faixa próxima de 4 mil dólares, especialmente se o petróleo continuar sendo negociado em níveis elevados. A leitura é que uma energia mais cara pode prolongar pressões inflacionárias, influenciando juros e expectativas do mercado.
A troca de ataques ocorreu em um momento em que as negociações de paz entre EUA e Irã voltaram a travar. A perspectiva de um acordo que reduza a instabilidade regional passou a ser vista como mais distante, aumentando a incerteza sobre a dinâmica de preços de energia e o efeito indireto sobre a inflação global.
Na quarta-feira, o presidente norte-americano Donald Trump declarou, em publicações nas redes sociais, que não estava satisfeito com o estado das conversas com Teerã. O posicionamento ocorreu após a Casa Branca negar a existência de um rascunho de acordo que, segundo informações especuladas, concederia controle do Estreito de Ormuz ao Irã e a Omã.
Trump também afirmou que o estreito permaneceria aberto e disse que os EUA pretendem vigiar a via marítima. A região é considerada estratégica para o transporte de petróleo, e qualquer ameaça à circulação tende a impactar preços e projeções econômicas.
A combinação entre petróleo mais caro e incerteza geopolítica costuma reforçar o debate sobre inflação. No entanto, quando essa inflação eleva a chance de juros mais altos, o efeito final pode ser negativo para o ouro. Em outras palavras, o metal pode até se beneficiar do aumento do medo no mercado, mas perde terreno quando o foco migra para a resposta dos bancos centrais.
Fator Efeito típico no ouro O que o mercado vê agora Tensão geopolítica Aumenta demanda por proteção Não sustentou altas diante do foco em juros Petróleo em alta Pode elevar inflação e favorecer hedge Reforça temor inflacionário, mas também juros maiores Juros mais altos Pressiona ouro por não render juros Expectativa de alta ganhou força
Para o mercado, o comportamento do ouro seguirá sensível a dois vetores: a evolução das tensões entre EUA e Irã e a leitura sobre o rumo da inflação e dos juros nos EUA. Se o petróleo permanecer elevado e a inflação continuar pressionada, cresce a chance de o ouro seguir enfrentando um ambiente desafiador, apesar do aumento do risco geopolítico.
Em paralelo, qualquer sinal de retomada das negociações no Oriente Médio pode reduzir prêmios de risco no petróleo, enquanto novos impasses podem manter a volatilidade elevada. Nesse cenário, o metal precioso tende a oscilar entre o papel tradicional de proteção e o peso do custo de carregamento em um mundo de juros possivelmente maiores.
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Em maio de 2026, as exportações brasileiras de soja mostram ritmo sólido, com média diária de embarques de 758,8 mil toneladas, 13% acima de maio de 2025 (671,4 mil t/d). Até a terceira semana, o acumulado parcial é de 11,38 milhões de toneladas, abrindo a possibilidade de superar as 14,10 milhões de toneladas de maio do ano anterior, dependendo dos últimos cinco dias úteis do mês.