
Os investidores iniciam esta terça-feira (19/05) sob um ambiente de atenção redobrada, com uma agenda carregada de indicadores econômicos e pronunciamentos de autoridades monetárias capazes de aumentar a volatilidade em bolsas, moedas e juros ao redor do mundo. O foco principal recai sobre os dados de emprego e de moradia dos Estados Unidos, além de falas de dirigentes do Federal Reserve (Fed) que podem alterar expectativas sobre o rumo dos juros nos EUA.
No Brasil, a agenda doméstica aparece mais esvaziada, o que tende a ampliar a sensibilidade do mercado local ao cenário externo. Assim, movimentos no dólar, nos contratos futuros de juros e no Ibovespa podem refletir diretamente o que for divulgado e sinalizado ao longo do dia no exterior.
Estados Unidos: emprego (ADP), mercado imobiliário e falas do Fed sobre juros e próximos passos da política monetária.
China: decisão sobre a taxa preferencial de empréstimo e sinais da atividade e do capital estrangeiro.
Europa e Reino Unido: indicadores do mercado de trabalho britânico, balança comercial da zona do euro e discursos de autoridades.
Petróleo: números de estoques (API) como potencial gatilho para preços e ações do setor de energia.
Resumo do dia: Com pouca novidade interna, o Brasil tende a operar “a reboque” do exterior, especialmente diante de sinais sobre inflação, atividade e juros nas principais economias.
No cenário internacional, o noticiário norte-americano domina as expectativas. A projeção para a variação semanal de empregos da ADP indica criação de 33 mil vagas, número que pode ajudar a calibrar a leitura do mercado sobre a força do mercado de trabalho e, consequentemente, sobre o espaço para cortes ou manutenção prolongada de juros.
Outro destaque é o mercado imobiliário. As vendas pendentes de moradias de abril devem registrar alta mensal de 1,2%, abaixo do avanço anterior de 1,5%, reforçando a hipótese de desaceleração gradual em um setor muito sensível ao custo do crédito. Esse dado costuma influenciar a percepção sobre a demanda das famílias e a tração do consumo, elemento-chave para a política monetária.
Além dos indicadores, os agentes financeiros acompanham o discurso de Christopher Waller, integrante do Fed. Em dias como este, a fala de uma autoridade monetária pode mudar rapidamente o “tom” do mercado, afetando tanto a curva de juros quanto o dólar e o apetite por risco.
Pontos de atenção para ativos globais:
Possíveis mudanças nas expectativas para a trajetória dos juros americanos.
Reprecificação de títulos públicos (Treasuries) e impacto na atratividade de emergentes.
Oscilação do dólar, com reflexos em commodities e moedas de países exportadores.

Após mais de 25 anos de negociações, entra em vigor o acordo Mercosul-UE, que reduz tarifas entre os blocos. Serão zeradas ou reduzidas tarifas para 91% dos produtos do Mercosul e 95% para a UE, com prazos de isenção escalonados de até 10 anos na UE e 15 anos no Mercosul.

No fim do dia, os estoques semanais de petróleo divulgados pela API ganham relevância por sua influência potencial nas cotações do WTI e do Brent. Variações inesperadas nos estoques costumam mexer com expectativas de oferta e demanda, influenciando o humor de investidores em empresas do setor de energia e em mercados dependentes de commodities.
No Brasil, a ausência de um conjunto robusto de indicadores internos nesta terça tende a colocar o investidor em modo de observação do exterior. Com isso, o comportamento do câmbio, do Ibovespa e dos juros futuros pode ser guiado por sinais vindos dos EUA e também por eventos relevantes na Europa e na Ásia.
Em sessões com esse perfil, a volatilidade pode aumentar tanto por efeito direto das divulgações quanto por ajustes de posição antes e depois de falas de autoridades monetárias. A leitura sobre crescimento global, apetite por risco e diferencial de juros é um dos pontos que mais pesam para ativos brasileiros.
Na região Ásia-Pacífico, o destaque recai sobre a decisão da taxa preferencial de empréstimo do Banco do Povo da China. A expectativa do mercado é de manutenção das taxas em 3,50% e 3,00%. Qualquer sinal de flexibilização ou aperto, no entanto, pode alterar expectativas sobre crédito, atividade e demanda por commodities.
A agenda também inclui números relevantes do Japão, como produção industrial, utilização da capacidade instalada e o índice Tankan Reuters, considerado um termômetro importante do sentimento econômico. Dados mais fracos podem reforçar temores de desaceleração e afetar moedas emergentes e mercados exportadores.
Na China, o investimento estrangeiro direto segue acompanhado de perto após uma queda anterior de 7,30%, sinal que pode indicar cautela do capital internacional com o ambiente econômico e regulatório do país.
Na Europa, os investidores monitoram o mercado de trabalho do Reino Unido. A taxa de desemprego deve se manter em 4,9%, enquanto os dados de salários continuam no centro do debate por seu potencial de pressionar a inflação e influenciar decisões do Banco da Inglaterra.
Discursos de autoridades monetárias também estão no radar, incluindo pronunciamentos de representantes do Banco da Inglaterra e do Banco Central Europeu. Em um cenário no qual o mercado tenta antecipar o ritmo e o timing de possíveis cortes de juros, qualquer mudança de linguagem pode produzir reações rápidas em bolsas e na renda fixa.
A zona do euro divulga ainda a balança comercial de março, com projeção de saldo de 6,5 bilhões de euros, abaixo do resultado anterior de 11,5 bilhões. Outro ponto de atenção é o leilão alemão de títulos Bobl a cinco anos, que pode oferecer pistas sobre a demanda por dívida pública europeia.
Horários listados conforme divulgado no calendário internacional.
Horário País/Região Indicador/Evento Projeção Anterior 01h30 Japão Produção Industrial (mar) (mensal) -0,5% -2,0% 01h30 Japão Utilização da Capacidade Instalada (mar) (mensal) — -0,1% 01h30 Japão Índice de atividade da indústria terciária (mar) (mensal) -0,30 -0,70 03h00 Reino Unido Variação no Emprego 3M/3M (mar) 107K 25K 03h00 Reino Unido Taxa de Desemprego (mar) 4,9% 4,9% 03h00 Reino Unido Rendimento Semanal Médio incl. bônus (mar) 3,8% 3,8% 03h00 Reino Unido Variação no Número de Desempregados (abr) 25,9K 26,8K 03h00 Reino Unido Rendimento Semanal Médio excl. bônus (mar) 3,4% 3,6% 05h10 Reino Unido Discurso de Breeden (BoE) — — 05h30 Reino Unido Produtividade de Mão de Obra (Q4) — 1,1% 06h00 Zona do Euro Balança Comercial (mar) 6,5B 11,5B 06h30 Alemanha Leilão de títulos Bobl a 5 anos — 2,740% 08h00 China Investimento Estrangeiro Direto (abr) — -7,30% 09h00 Zona do Euro Pronunciamento de Lane (BCE) — — 09h00 Estados Unidos Discurso de Waller (Fed) — — 09h10 Alemanha Pronunciamento de Buch (BC alemão) — — 09h15 Estados Unidos Variação semanal de empregos (ADP) 33,00K — 09h55 Estados Unidos Índice Redbook (anual) — 9,6% 11h00 Estados Unidos Vendas Pendentes de Moradias (abr) (mensal) 1,2% 1,5% 11h00 Estados Unidos Vendas Pendentes de Moradias (abr) — 73,7 17h30 Estados Unidos Estoques de Petróleo Bruto Semanal (API) — -2,188M 20h00 Japão Índice Tankan Reuters (mai) — 7 22h00 China Taxa Preferencial de Empréstimo (mai) 3,50% 3,50% 22h00 Austrália Índice de Indicadores Antecedentes MI (abr) (mensal) — -0,1% 22h15 China Taxa Preferencial de Empréstimo 3,00% 3,00%
Em um cenário de incerteza sobre o ritmo de crescimento global e sobre quando as principais economias poderão reduzir juros de forma consistente, dados de emprego, indicadores de atividade e discursos de bancos centrais funcionam como catalisadores de expectativa. Para o investidor, a combinação de números e comunicação oficial pode alterar rapidamente projeções de inflação, custo do crédito e fluxo internacional de capital.
Com isso, esta terça-feira tende a ser marcada por ajustes de preço ao longo do pregão, com atenção especial ao que vier dos Estados Unidos e às sinalizações da China e da Europa sobre atividade e política monetária.
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Resumo: A Bunge teve queda de 66,2% no lucro líquido no 1º trimestre de 2026, alcançando US$ 68 milhões, ante o mesmo período de 2025. O recuo refletiu a redução das margens no negócio de trading de grãos, devido ao aumento do frete marítimo, com o custo de transporte nos mares disparando em março por causa da guerra no Oriente Médio.