Exportações de Miudezas Bovinas: Brasil Alavanca Vendas com Demanda na Ásia e África em 2025
Proteína Animal Rubens Henrique a·Publicado em 19/02/2026·3 mins de leituraGrátis

Exportações de Miudezas Bovinas: Brasil Alavanca Vendas com Demanda na Ásia e África em 2025

Brasil lidera exportações de miudezas bovinas, destacando o mercado consolidado em Hong Kong e diversificação global.

Exportações de Miudezas Bovinas: Brasil Alavanca Vendas com Demanda na Ásia e África em 2025

Brasil Amplia Exportação de Miudezas Bovinas

O Brasil, reconhecido como o maior exportador mundial de carne bovina, não se destaca apenas na venda de cortes nobres como a picanha e o contrafilé. Em 2025, o país movimentou aproximadamente US$ 604,9 milhões com a exportação de miudezas, como vísceras e tripas, além do pênis do animal, conhecido como vergalho.

Esses produtos, apesar de não serem amplamente consumidos no mercado interno, estão ganhando popularidade em regiões da Ásia, África e América Latina. De acordo com o Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), esses itens são parte integrante de pratos tradicionais e também utilizados pela indústria alimentícia.

Entre as miudezas exportadas, destacam-se órgãos como coração, rins, estômago e intestinos; partes da cabeça, como bochecha, língua e miolo; e ainda rabo, diafragma, tendões, pâncreas e testículos. O vergalho bovino, por exemplo, tem como um de seus principais destinos Hong Kong, onde a tonelada atinge valores de até US$ 6 mil. Exportado in natura, o produto segue protocolos sanitários rigorosos.

Na medicina tradicional chinesa e em diversas culinárias asiáticas, o vergalho é tido como afrodisíaco e é apreciado pela textura diferenciada e pela capacidade de absorver temperos e caldos, sendo usado em preparações cozidas e ensopadas.

Esse cenário possibilita um comércio estável para subprodutos bovinos que não são populares no ocidente, mas têm demanda consistente em outros mercados, gerando novas oportunidades para o Brasil.

Hong Kong: Principal Importador de Miudezas

Em 2025, o setor agropecuário brasileiro exportou um total de 267,3 mil toneladas de miúdos bovinos, um aumento de 20,6% em comparação com 2024. Hong Kong, o maior comprador, adquiriu 23,4% desse volume, gerando uma receita de US$ 168,9 milhões.

Apenas para este mercado, foram exportadas 62,6 mil toneladas de miudezas, incluindo 8,2 mil toneladas de tripas, 6,7 mil toneladas de língua e mais de meia tonelada de rabo.

Outros grandes importadores dessa categoria incluem a Rússia, com 26,2 mil toneladas, Egito, com 31 mil toneladas, e Costa do Marfim, com 22,3 mil toneladas. Ao todo, o Brasil exportou para 128 países, e sete novos mercados foram abertos em 2025: Filipinas, Indonésia, Marrocos, Tanzânia, Sarawak, São Vicente e Granadinas e Quênia.

Competitividade da Pecuária Mato-grossense

Alan Gutierrez, gerente de marketing da SulBeef, ressalta que a comercialização do vergalho ocorre de forma contínua, com um volume médio entre quatro e cinco toneladas mensais, demonstrando a solidez desse mercado.

Bruno de Jesus Andrade, diretor de Projetos do Imac, destaca que essa demanda evidencia a força da pecuária do Mato Grosso, principal exportador de carne bovina do país, responsável por 23,1% dos embarques nacionais em 2025. Com uma cadeia produtiva organizada, o estado consegue acessar mercados diversificados, mostrando o potencial de agregar valor em todas as etapas da produção.

Ao atender mercados com diferentes perfis de consumo, a pecuária mato-grossense fortalece a economia local, reduz riscos e aumenta a competitividade no cenário global.

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